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Livro de contos A Face Serena tece narrativas cujas margens não são literais mas literárias

Não, aluno, da cidade metrópole nunca foi apresentado ao conto pois o estilo mesmo fechado é rio caudaloso onde se vai muitos tipos de águas, das mais claras, estas eles até podem entender, até das mais escuras, sombreadas, cujas margens nunca sabemos o que são, vegetação rasteira ou mata fechada. Acostumado a dar aulas para o litoral onde o mar é saída mais localizável, o professor de geografia-literária explicava porque conto era só visto na face do interior até mesmo num campinho de futebol de terra no interior de Goias.
Os contos da escritora Maria Valéria Rezende em seu mais novo livro A Face Serena (editora Penalux)carregam esta não disciplina para o mar, pois possuem a margem do roçado, do que se procria na experiência tanto de vida como nos processos de linguagem de personagens que cobrem terras, serras, chapadas, pois, há melhor beleza em passear pelo interior dos Veadeiros do que às vezes ficar mornando no litoral ou costa.
A escritora é versátil em traduzir como histórias e enredos são fabuladas ou tecem matizes de um afeto sobre o outro que pode ser um filho, ou um amigo. A narração não tem voleios nem volteios, o que não quer dizer que seja clean como diz gíria, são constituídas de meios tons e de sombreados do não dizer completo.
Arriscam a diversidade de gêneros, dos fluxos de sexualidades que correm na correnteza de um rio sem represas. O tom é coloquial, mas vem com certa alquimia bem-humorada do causo, aqui digo, ou o professor diz que ao critério das narrativas do litoral é sempre bom passar informação, séria e demorada.
Ao conto, este critério não serve, pois ele demora logo ali a acabar num piar de pássaro. Passou, quando menos se espera. Maria sabia bem a duração do canto de um sabiá, sabe também que o conto tem seus mistérios onde força sem dizer com muitas palavras e contenção de suas margens são o trançado da canção.

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