Festival do Rio: "Nóis por Nóis" e a propriedade periférica

O hiper-realismo implementado pela dupla de diretores Aly Muritiba e Jandir Santin em Nóis por Nóis faz toda a diferença para entendermos a urgência do universo marginalizado em suas relações nas periferias do país.
Aqui o enfoque é na tensa região da Vila Sabará, considerada uma área perigosa de Curitiba. Acompanhamos a trama de um grupo de jovens amigos que vive a beira do crime, com algum grau de envolvimento direto ou não. Quando um deles aparece morto, um verdeiro jogo de intrigas envolvendo polícia e traficantes acaba por mudar totalmente a configuração dessa amizade. O que menos você souber da história em si, melhor. Os diretores vão construindo a tensão de acordo com a sucessão dos fatos, o que torna a experiência ainda mais tensa.

Muritiba está tendo um bom ano de 2018, já que Ferrugem, seu filme lançado final de agosto, fez muito sucesso entre a crítica e venceu o Festival de Gramado.
Agora, dirigindo com Santin, entrega um trabalho de expressão social – como seus filmes anteriores – com o uso de atores amadores e cheios de propriedade do meio em que retratam. Muritiba inclusive trabalha aqui de novo, com o registro da internet entre os jovens como mola propulsora dramática para a todo.
O roteiro deixa alguns poucos buracos, mas nada que comprometa sua credibilidade. É um filme forte e com reverberações sociais ricas em discussão. Assim como outro importante filme do Festival do Rio, Infiltrado na Klan, o fim faz uma ponte com a realidade, o que valida ainda mais os efeitos do filme.

Cotação: 3,5/5 estrelas.

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