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“Abracadabra 2” cumpre seu compromisso com a agenda nostálgica

“Abracadabra” não foi um filme muito festejado quando estreou nos cinemas em 1993. Pelo contrário. A crítica, em geral, não se entusiasmou muito com a produção da Disney feita sob medida para os festejos de Halloween. O resultado nas bilheterias também foi morno, US$ 44 milhões no mercado doméstico não chegando nem a dobrar o orçamento (estimado) de US$ 28 milhões.

Mas como ocorre em diversos casos da Sétima Arte (“O Mágico de Oz” e “Felicidade Não Se Compra” não deixam mentir), os anos e as reprises televisivas fizeram toda uma geração se encantar com o carisma de Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimi como três irmãs bruxas da cidade de Salém que despertam 300 anos após suas mortes para tocar o terror no Halloween.

E como a palavra de ordem de Hollywood é a nostalgia – o mais recente exemplo da força do passado na cultura pop é Top Gun: Maverick -, 29 anos depois as irmãs  Sanderson estão de volta em “Abracadabra 2”, continuação que vinha sendo especulada por anos e seu anúncio fez a festa da geração que cresceu assistindo as desventuras das feiticeiras.

Dessa vez, três jovens acidentalmente trazem Winifred (Bette Midler), Mary (Kathy Najimi) e Sarah (Sarah Jessica Parker) de volta para a Salem contemporânea em pleno Halloween, e precisam descobrir uma forma de impedir que as bruxas famintas por crianças causem grandes estragos.

Esse “Abracadabra 2″segue à risca o esquematismo da nostalgia. Uma nova geração se depara com personagens clássicos em um cenário já conhecido, easter eggs, estrutura narrativa similar e no fim o que conta mais é a celebração da franquia do que realmente apresentar algo novo, uma passagem de bastão que seja. Para os saudosistas de fato é um prato cheio ter a oportunidade de ver mais uma vez as bruxas de Salem mais queridas da cultura pop em ação. Mas não espere por novidades, exceto um prólogo engraçadinho porém previsível.

Bette, Sarah e Kathy continuam engraçadas, vale ressaltar. Assim como no filme de 1993, elas carregam sobre os ombros toda a formosura e jocosidade do filme. Quando a trama parece descambar para o café requentado, eis que elas surgem triunfantes na tela para, como em um passe de mágica, colocar a graça nos trilhos. Elas estão visivelmente quase trinta anos mais velhas – pela lógica da trama deveriam estar exatamente como terminaram o filme anterior, mas ninguém se importa com isso. A suspensão da descrença supre com facilidade esse pequeno detalhe.

As novas protagonistas – que ressoam de certa forma outro longa de bruxaria dos anos 90, “Jovens Bruxas” – são funcionais. Becca (Whitney Peak), Izzy (Belissa Escobedo) e Cassie (Lilia Buckingham) são na verdade escadas para o trio sobrenatural brilhar. O mesmo se pode dizer de Gilbert, mas a inspirada interpretação de Sam Richardson faz com que ele roube algumas cenas. Já Doug Jones volta a representar o personagem que poderia perfeitamente ter sido feito por outro ator com maquiagem, mas a produção preferiu ter mais esse integrante do elenco clássico de volta.

A diretora Anne Flecther mostra que é fã do longa original e fica bastante nítido que ela conhece aquele universo e se divertiu comandando a execução. Até os efeitos especiais foram concebidos com aspecto de anos 1990. Se a ideia era mesmo festejar a marca, ela o fez de forma satisfatória. E esse, que por um lado é o fraco de “Abracadabra 2”, acaba por ser também seu mérito. Os fãs ávidos pela nostalgia se refestelam no playground conhecido. Aquece o coração dos millenials e pode sim divertir a geração alpha. Qualquer ousadia em casos como esse pode ser perigosa.

Abracadabra 2

Abracadabra 2
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Nota: Bom - 6/10
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