Vocalista do Heart define o quarto trabalho de estúdio do Led Zeppelin como um álbum de aprendizado
Em dezembro de 2012, Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, do Led Zeppelin, estavam na plateia do Kennedy Center, em Washington, D.C., após serem homenageados mais cedo na Casa Branca. No palco, Ann e Nancy Wilson, do Heart, acompanhadas por Jason Bonham (filho do baterista do Zeppelin, John Bonham), entregaram uma performance intensa e comovente de ‘Stairway to Heaven’, arrancando lágrimas e aplausos de todos os presentes. Para Ann Wilson, não há dúvidas sobre o álbum que mudou sua vida: “Led Zeppelin IV”.
Ela lembra que, durante a adolescência, ouvia Beatles, Rolling Stones, Elton John e tantas outras bandas da época, mas foi esse disco que realmente a atingiu de forma profunda. “Desde a primeira audição, pensei: preciso reproduzir isso. Esse é um álbum de aprendizado”, recorda (via LouderSound). Para Ann, muito do impacto vinha das letras de Robert Plant — uma poesia cantada que ela sempre considerou o ponto alto de sua própria carreira: dar vida a palavras carregadas de significado, fossem elas dela ou de outros compositores.

“Eu soube desde o início que precisava reproduzir aquilo. ‘Esse é um álbum de aprendizado’, eu disse para mim mesma. Eu sei que isso tinha muito a ver com as letras do Plant. Quero dizer, essa é a minha parte favorita do trabalho: poder cantar aquelas palavras — nossas palavras, as palavras do Zeppelin, seja de quem for — é simplesmente poder recriar a poesia em forma de música.
“E foi nesse álbum que ele realmente começou a escrever de uma forma mais magistral.”
No início deste ano, antes que a turnê do Heart fosse cancelada para permitir que Ann se recuperasse de uma cirurgia, as irmãs participaram do programa de Howard Stern. Lá, relembraram a influência do Led Zeppelin, revisitaram a emoção daquela apresentação histórica no Kennedy Center e tocaram ‘Going to California’, outro clássico de “Led Zeppelin IV”. Foi mais uma prova de que, mesmo décadas depois, o legado do álbum continua a ressoar — não só na música, mas na vida de quem ele inspirou.
O Led Zeppelin, formado em 1968 por Jimmy Page na guitarra, Robert Plant nos vocais, John Paul Jones no baixo e John Bonham na bateria, rapidamente se tornou um dos pilares do rock mundial, unindo blues, folk e hard rock com uma intensidade inédita. “Led Zeppelin IV”, lançado em 1971, consolidou o grupo como uma força criativa do período, oferecendo canções que se tornaram hinos atemporais como as supracitadas e também ‘Rock and Roll’ e ‘Black Dog’. A produção do disco foi cercada de experimentações — desde a gravação em locais inusitados, como Headley Grange, até o uso inovador de técnicas de microfonação que capturavam a ambiência natural dos espaços. Essa busca por um som expansivo influenciou não apenas músicos contemporâneos, mas também as futuras gerações, incluindo as irmãs Wilson.
Já o Heart surgiu oficialmente em meados da década de 1970, liderado por Ann e Nancy Wilson, que romperam barreiras em um cenário predominantemente masculino. Inspiradas tanto pelo folk quanto pelo hard rock britânico, elas conquistaram o público com álbuns como “Dreamboat Annie” (1975) e “Little Queen” (1977), este último contendo o hit ‘Barracuda’. Ao longo das décadas, o Heart manteve uma identidade marcada por riffs poderosos, arranjos refinados e vocais emotivos, ao mesmo tempo em que não escondia suas influências — especialmente a do Led Zeppelin. Essa conexão culminou em momentos icônicos, como o referido tributo no Kennedy Center, selando uma admiração mútua entre duas bandas que ajudaram a moldar o som do rock em seus respectivos tempos.
O Led Zeppelin terminou em 1980, após a morte do baterista. Depois disso a banda realizou três reuniões: uma no Live Aid em 1985, outra na festa no aniversário de 40 anos da gravadora Atlantic Records, em 1988, e, finalmente, na O2 Arena em 2007. O concerto beneficente, em memória do executivo musical e filantropo Ahmet Ertegun, aconteceu em 10 de dezembro daquele ano e foi a primeira ocasião em quase três décadas em que o Zeppelin realizou um set completo. Assim como em 1988, Jason Bohnam assumiu as baquetas no posto do pai. O evento rendeu o DVD chamado “Celebration Day”.









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