Ela ganhou lugar nas nossas vidas sem pedir licença, de supetão. Virou assunto de conversa na escola, no trabalho, nas muitas lives, na mesa de bar. E ela veio para ficar. Estou falando da Inteligência Artificial, ou IA. No audiovisual, o temor é que ela roube empregos. Já houve até mostra de filmes feitos com IA no Festival de Gramado, então nada mais natural que surjam outros filmes não feitos com IA, mas sobre a IA, como o anime “Make a Girl”.
A Criatura é recebida na nova vida pelo Doutor Frankenstein com os gritos comemorativos de “está vivo!” (It’s alive). Aqui, a criatura recebe uma ordem conforme abre os olhos para o mundo: “viva”. Porque são tempos distintos: na nossa história, estamos num mundo hipertecnológico, onde robôs chamados SALT fazem tarefas mundanas como limpeza. E nosso Doutor Frankenstein também é outro: trata-se do incansável Akira.
Os últimos experimentos de Akira não deram muito certo, como testemunha sua amiga Eri. E é com o amigo Kuni que Akira encontra uma solução para seu problema: ao ouvir Kuni dizer que se tornou uma pessoa melhor e mais produtiva depois que começou a namorar, Akira decide construir uma namorada para si com o intuito de se tornar um pesquisador melhor.

A criatura resultante da experiência é ZERO, aparentemente uma garota normal que Akira leva consigo para a escola. Ele garante que ela está alimentada com toneladas de conhecimento, mas Kuni aponta o óbvio: falta-lhe a vivência de uma garota comum. A Inteligência Artificial é assim mesmo: tem muito conhecimento, mas falta pensar. O mais próximo que ela chega de realmente “pensar” é obedecendo aos prompts de comando do usuário. Mas voltemos ao filme.
Como boa IA, ZERO aprende rápido. E começa a ficar mais exigente. Ela passa a querer sair com Akira todos os fins de semana, “como fazem os namorados”, e se divertir depois da escola. De repente, ele que queria ficar mais concentrado, se vê sem tempo para se dedicar às experiências. E ele tem uma boa razão para querer ser um pesquisador: está seguindo os passos da mãe, já falecida.
Confuso com a nova namorada, Akira recebe de Erin um mangá do gênero “shoujo”. O gênero foi concebido tendo como público-alvo meninas adolescentes, portanto faz sentido receitá-lo para Akira: nada melhor para entender a mente de uma menina adolescente, mesmo que fabricada, do que ler coisas que ela provavelmente gostaria.
Akira percebe que não ama verdadeiramente ZERO, por isso o namoro não o fortaleceu. Aprende na marra a máxima d’ “O Pequeno Príncipe” modificada para a IA: tu te tornas eternamente responsável por aquilo que crias. Tudo parece caminhar para um final previsível quando surgem agravantes: robôs são roubados e Akira passa a se comunicar com sua mãe através de devaneios, e ela lhe faz uma revelação.

“Make a Girl” marca a estreia na direção de Gensho Yasuda. Em 2022, Yasuda começou uma campanha de financiamento coletivo para transformar seu curta “Make Love” num longa-metragem, campanha que foi muito bem-sucedida, arrecadando mais que o dobro da meta estabelecida.
É sempre bom ficar de olho no cinema que vem do outro lado do mundo. O Japão é polo tecnológico além de ter uma bela história no audiovisual, então nada melhor que um filme japonês tratar de IA. Ela não pode pensar sozinha, já sabemos disso, mas o filme faz um questionamento que desconcerta: e se a IA aprender a amar?
“Make a Girl” é distribuído pela Sato Company e estreia em dezembro nos cinemas.









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