IRA ACÚSTICO 20 ANOS FOTO ANA CARINA ZARATIN
EntrevistasMúsica

Nasi relembra impacto do Acústico MTV do Ira!: “Aproximou a banda de um público que não era roqueiro”

Em entrevista à Ambrosia, Nasi relembra o sucesso do Acústico MTV do Ira!, comenta a turnê de 20 anos e o impacto do projeto na história da banda.

A banda comemora os 20 anos do especial da MTV com uma turnê que segue até o fim de 2026

O Ira! celebra duas décadas de um dos projetos mais marcantes de sua trajetória com a turnê comemorativa do Acústico MTV: Ira!, que chega ao Qualistage, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (13). Lançado em 2004, o álbum ajudou a ampliar o alcance da banda paulista ao apresentar novas leituras para clássicos do repertório e revelar sucessos inesperados como “O Girassol” e “Eu Quero Sempre Mais”.

Em entrevista à Ambrosia, o vocalista Nasi relembra o impacto do projeto, fala sobre a relação histórica do grupo com o formato voz e violão, comenta a recriação do espetáculo nos palcos e reflete sobre os caminhos para ele e o guitarrista Edgard Scandurra após mais de quatro décadas de carreira no rock brasileiro.

O Ira! já havia ganhado nova projeção e renovação de público com o MTV Ao Vivo, de 2000. O Acústico acabou funcionando como uma espécie de “parte 2” desse processo?

Sem dúvida. O Ira! foi a única banda que gravou os dois projetos da MTV: o Ao Vivo MTV e o Acústico MTV. Normalmente, quem fazia um não fazia o outro. Agora, a penetração popular que um projeto acústico tem — não só com o Ira!, mas com outros artistas — é imensamente maior do que a do Ao Vivo MTV.

O Ao Vivo mostra a banda como ela é no palco. Já o Acústico aproxima o artista, especialmente no caso de bandas de rock, de um público que não necessariamente é roqueiro. Pessoas que gostam de MPB ou de outros gêneros da música brasileira acabam se identificando com esse formato mais intimista.

O Acústico fez com que a banda passasse a olhar com mais carinho para o formato voz e violão ou esse já era um caminho que vinha ganhando força naturalmente?

Na verdade, essa relação com voz e violão sempre fez parte da história do Ira!, desde os primórdios da banda — ou até antes disso — como acontece com muitos artistas.

Geralmente, tudo começa com voz e violão. É assim que muitas músicas nascem: o compositor apresenta a ideia inicial para os outros músicos da banda nesse formato. A origem da maioria das canções costuma ser dessa maneira. Então nós já tínhamos bastante intimidade com esse tipo de abordagem.

Ira Acústico MTV
Imagem: reprodução

Sobre o repertório: havia alguma música pouco executada ao vivo que foi apresentada no Acústico e acabou incorporada em definitivo aos setlists da banda?

Sim. Duas músicas se destacaram muito no Acústico: “O Girassol” e “Eu Quero Sempre Mais”. Elas haviam sido lançadas em 1995, no álbum 7, pela gravadora Paradoxx, mas não foram escolhidas nem pela gravadora nem por nós como singles de rádio. Na época, elas não chamaram tanta atenção como possíveis músicas de trabalho.

Quando começamos a preparar o Acústico, junto com o [produtor] Rick Bonadio, decidimos revisitar o nosso repertório e procurar, digamos, alguns “lados B” da nossa produção, não apenas as canções mais conhecidas. Quando nos deparamos com essas duas músicas, percebemos que tinham um grande potencial — e foi exatamente o que aconteceu.

“O Girassol” foi o primeiro single do Acústico e fez enorme sucesso, enquanto “Eu Quero Sempre Mais” [que tinha participação da cantora Pitty] acabou se tornando a música mais executada no Brasil em 2005.

Há também “Tarde Vazia”, que foi lançada no álbum Clandestino, de 1990. Ela tocou um pouco na rádio, mas não foi um super sucesso. Foi um single que teve seu tempo de vida nas emissoras e depois sumiu. Não era uma música muito constante no nosso repertório. Passou a ser a partir do Acústico.

Como está o palco desta turnê comemorativa de 20 anos do Acústico? Ele remete ao show gravado pela MTV ou traz uma proposta visual diferente?

Procuramos ser muito referentes ao Acústico. É um show tributo, mas não exatamente uma recriação. Mantivemos basicamente os mesmos arranjos do especial, com pequenas mudanças aqui e ali — uma virada de bateria ou alguma convenção instrumental, coisas muito pontuais.

Mantivemos a formação de músicos, ou seja, incorporamos instrumentos como violoncelo, teclado e percussão. Desta vez não trouxemos backing vocals, porque o Johnny Boy, que está tocando teclado nessa formação, canta muito bem. Então eu, o Edgard e o Johnny Boy conseguimos resolver bem as harmonias vocais.

O cenário também remete ao original, criado pelo artista plástico Zé Carratu.

Existe a possibilidade de o Ira! realizar no futuro um show com orquestra sinfônica? Isso permitiria, por exemplo, reproduzir “Flores em Você” de forma mais próxima da gravação original.

Sim. Estamos sempre abertos a esse tipo de projeto com orquestra sinfônica. Já fizemos participações em apresentações desse tipo, quando algumas orquestras nos convidaram para tocar em concertos dedicados a clássicos do rock.

No entanto, um show completo do Ira! com orquestra sinfônica, do começo ao fim, ainda não fizemos. Acho uma ideia muito interessante e algo que certamente poderíamos considerar no futuro. Talvez até um disco ou um espetáculo desse tipo — seria algo inédito para nós.

O que entrou neste show comemorativo que não estava presente no repertório do especial original?

O show segue de cabo a rabo, na ordem, o repertório do Acústico MTV do Ira! na mesma ordem do DVD, que tem uma música a mais do que no CD. São as 19 músicas do especial.

No bis, porém, incluímos duas novidades, duas músicas que não fizeram parte do Acústico, mas poderiam ter feito: “Mudança de Comportamento” e “Bebendo Vinho”.

Já são 12 anos desde a volta do Ira! aos palcos. O que a banda projeta para o futuro?

O Ira é uma banda de palco. É uma banda que nasceu para viver na estrada, nós temos turnês ininterruptas. Não necessariamente com projetos como esse. O Ira já veio de dois projetos acústicos, fizemos o “Ira Folk”, eu e o Edgard Sacandurra. E agora, abandonamos as guitarras elétricas e estamos desde maio do ano passado com esta turnê. Vamos encerrá-la ao final do ano, e aí voltamos à nossa eletricidade.

E sobre nossos projetos futuros, na hora em que tivermos material significativo, poderemos lançar um novo disco, novo projeto. Já cogitamos algumas coisas, mas, por enquanto, nesse ano de 2026, ficaremos concentrados nessa turnê do Acústico. Mesmo porque eu estou lançando trabalho solo agora, e o Edgard provavelmente deve lançar algum projeto novo aí.

*Imagem destacada: Ana Carina Zaratin

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