“Amassunu” (ou “ruído das águas”, em tupi) não é apenas o novo lançamento do artista, ator e diretor Venusto; é um manifesto. Chegando às plataformas digitais em 20 de novembro de 2025, a obra se coloca no centro do debate cultural e ambiental ao ser lançada dentro do período da COP30 em Belém do Pará.
Amassunu é um tratado; um acordo com o tempo, com a natureza e principalmente com o próprio corpo. O EP une uma sequência de canções sensoriais que transmitem, com singularidade, a essência da vida humana.
Longe de celebrar as memórias como simples nostalgia, cada música visa conectar o ouvinte ao seu eu criança, sua comunidade, sua cultura, e, principalmente, à vida como ela é. Amassunu é um brinde à vida, à floresta, à lembrança e ao “eu menino” que espera ansiosamente pela felicidade comprada na volta.
Ao lado de Clara Potiguara e Thais Kokama, Venusto celebra a ancestralidade indígena, as canções populares, o ativismo ambiental e a presença dos povos originários no cenário cultural brasileiro. Em Amassunu, a música é o território e a memória é o alimento.
O disco se equilibra entre o carimbó e o canto ritual indígena que convida ao recolhimento. De um lado, o ritmo dançante, do outro, a contemplação do sublime e do sagrado. Suas canções visam celebrar a união entre o humano e o natural: Amassunu surge como um grito que ecoa a importância da natureza em um mundo completamente cercado por uma selva de pedra.
Faixa a faixa na voz do artista:
Em “Beira do Rio”, o convite é ao silêncio e à presença: é o instante de colocar os pés na água e respirar fundo. Nessa canção, o tempo desacelera e a natureza fala, conduzindo o ouvinte a um estado de contemplação e escuta interior.
Já em “Guyraetê”, somos mergulhados numa ambiência que mistura vocalizes e violões em camadas sonoras que formam uma floresta imersiva. É como atravessar um portal atemporal, onde o som dos pássaros e o canto em tupi nos convidam a caminhar “sem temer”, em busca da liberdade e da reconexão com o território.
Em “Pyngos”, o feminino e o natural se entrelaçam — as vozes de Joana Carvalho e Camila Becker se fundem em um canto que é também chuva, rio e mar. Misturando o orgânico, o ancestral e o contemporâneo, Pyngos convida à escuta daquilo que é essencial: a água que habita em nós e nos refaz. O resultado é uma experiência sonora de comunhão e celebração da natureza, ecoando o ciclo das águas.
Em “Tacacá, Maniçoba e Açaí”, a música é também alimento: um banquete simbólico que celebra a memória e a ancestralidade, convidando o público para uma festa típica amazônica de carimbó. É uma canção que saúda os sabores e afetos do Norte, transportando quem escuta para o calor das feiras populares, o cheiro do tucupi e a dança das marés.
Sobre os artistas
VENUSTO
Nascido e radicado em Brasília (DF), Venusto (40) é um artista de trajetória consolidada que transita entre a Música, o Cinema e o Teatro. Sua carreira musical começou como um “rito de passagem” com o EP Atravessa a Pele, e agora se aprofunda no universo da música brasileira de raiz. Em “Amassunu”, ele assina a direção geral e produção, unindo o olhar do diretor de arte (vencedor de prêmio no Festival de Cinema de Brasília) à voz que narra a saudade e o afeto da Amazônia.
THAIS KOKAMA
Artista visual, produtora e comunicadora indígena das etnias Kokama e Sateré-Mawé, Thais Kokama traz para o EP a presença viva da Amazônia. Seu percurso envolve o grafismo, a pintura corporal e a documentação da cultura amazônica, destacando-se por projetos como o documentário “Traços da Resistência”. Sua participação em “Beira do Rio” não é apenas um vocal, mas a voz do próprio rio e da floresta, nascida de um instante intuitivo durante as gravações. Thais reafirma a força e a visibilidade dos povos originários no cenário cultural contemporâneo.
CLARA POTIGUARA
Cantora e compositora paraibana do povo Potiguara, Clara Potiguara é uma das protagonistas da juventude indígena em articulação no Nordeste. Sua voz transita entre a canção popular e a ancestralidade, integrando seu trabalho à cultura comunitária, ao ativismo territorial e às causas ambientais e LGBTQIAPN+. Em “Guyraetê”, sua expressão vocal potente ecoa as matriarcas e os cantos da terra e transforma o canto em tupi em um manifesto sobre a liberdade, a resiliência e o retorno à terra ancestral.
PYM PYM
O duo Pym Pym, formado pelas cantoras e compositoras Joana Carvalho e Camila Becker, é um encontro de vozes femininas que investigam os limites entre o som e o silêncio, a natureza e a cidade, o ancestral e o contemporâneo. Suas composições transitam entre o experimental e o popular, combinando improvisação vocal, timbres orgânicos e atmosferas eletroacústicas em diálogo direto com a paisagem do Cerrado. O trabalho das artistas propõe uma escuta ritualística e livre, em que a criação é também manifesto — um canto de resistência e celebração da vida. Em “PYNGOS”, o duo amplia seu território poético, reafirmando a arte como corrente viva entre biomas, corpos e vozes.
Ficha Técnica
EP AMASSUNU – Trilha Sonora Original do Filme Amassunu
Ano: 2025
Formato: EP digital
Produção independente
FAIXAS
- Beira do Rio
Voz: Thais Kokama e Venusto
Letra e Música: Thais Kokama
Percussão: Venusto
Violão: André Chayb
- Guyraetê
Voz: Venusto e Clara Potiguara
Letra: Clara Potiguara, José Romildo Araújo da Silva, André Chayb, Venusto e Camila Araujo
Música: André Chayb, Camila Araujo e Venusto
Violão: André Chayb
- Pyngos
Letra: Joana Carvalho, André Chayb e Camila Becker
Voz: Joana Carvalho, Camila Becker e Venusto
Guitalelê: André Chayb
Percussão: Janari Coelho
Cordas: Débora Zimmer
- Tacacá,Maniçoba e Açaí
Voz: Venusto
Percussão e Banjo: Marcelino Santos
Letra: Venusto
Música: Venusto e André Chayb
Violão: André Chayb
Créditos Adicionais
Produção Musical: André Chayb
Gravação, Mixagem e Masterização: Débora Zimmer
Direção geral e Produção Executiva: Venusto
Venusto em foto de Pryscilla Kacilda

Clara Potiguara em foto de Daniel Moreira

Thaís Kokama em foto de Carlos Borges

Joana Carvalho e Camila Becker em foto de Célio Maciel












