Dave Filoni assume a função de CEO criativo do estúdio
Kathleen Kennedy não é mais presidente da Lucasfilm. Uma das produtoras mais influentes da história do cinema, ela encerra um ciclo que começou em 2012, quando assumiu o comando do estúdio pouco antes da aquisição da empresa pela Disney, marcando o que pode ser considerada a fase mais debatida, controversa e financeiramente bem-sucedida da franquia Star Wars.
Responsável por supervisionar o relançamento da saga nos cinemas com Star Wars: O Despertar da Força (2015), Kennedy conduziu a Lucasfilm em uma nova era, que combinou enorme sucesso de bilheteria, expansão do universo para o streaming e, ao mesmo tempo, divisões profundas entre fãs. O Episódio VII arrecadou mais de US$ 2 bilhões mundialmente, reacendendo o interesse global pela franquia após uma década fora das telas.
Durante sua gestão, a Lucasfilm lançou cinco filmes da saga principal e derivados, incluindo Rogue One: Uma História Star Wars (2016), considerado um dos títulos mais bem recebidos da era Disney. No entanto, produções como Han Solo: Uma História Star Wars (2018) e Star Wars: Ascensão Skywalker sofreram com má avaliação dos fãs, sendo que o spin-off de Han Solo também amargou um resultado de bilheteria nada animador. Isso levou o estúdio a repensar sua estratégia.
A mudança mais significativa veio com o streaming. Sob a liderança de Kennedy, Star Wars encontrou novo fôlego na televisão com séries como The Mandalorian, Andor, Ahsoka e The Book of Boba Fett, consolidando o Disney+ como plataforma central para o futuro da marca. The Mandalorian, em especial, tornou-se um fenômeno cultural (muito graças ao apelo mercadológico do “Baby Yoda” Grugu), redefinindo a percepção da franquia após o encerramento da trilogia sequel.
Ainda assim, a presidente enfrentou críticas constantes relacionadas a decisões criativas, trocas frequentes de diretores e projetos anunciados que nunca saíram do papel. Filmes assinados por nomes como Patty Jenkins, Kevin Feige e Rian Johnson passaram por adiamentos, reformulações ou permanecem indefinidos, alimentando a percepção de instabilidade criativa nos bastidores.
Apesar das controvérsias, Kathleen Kennedy deixa um legado inegável. Antes mesmo de comandar a Lucasfilm, ela construiu uma carreira lendária como produtora, trabalhando ao lado de Steven Spielberg em clássicos como E.T. – O Extraterrestre, Indiana Jones, Jurassic Park e A Lista de Schindler. Poucos executivos tiveram impacto tão duradouro na indústria cinematográfica moderna.
Segundo anúncio oficial da Disney e da Lucasfilm, Dave Filoni foi escolhido para assumir a presidência e o cargo de CEO do departamento criativo do estúdio. Figura central do universo Star Wars desde The Clone Wars, Filoni passa a liderar diretamente o direcionamento criativo da empresa, enquanto Lynwen Brennan assume a função de co-presidente, ficando responsável pela gestão administrativa e estratégica do negócio. Já Kathleen, apesar de deixar o comando do estúdio, permanece na Lucasfilm como produtora em tempo integral, participando ativamente do desenvolvimento dos próximos longas da franquia, incluindo The Mandalorian & Grogu e Starfighter.
A saída de Kathleen Kennedy simboliza o fim de uma era — uma gestão marcada por grandes sucessos, debates acalorados e uma transformação definitiva na forma como a galáxia muito, muito distante é produzida e consumida.








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