Professor da UFF e especialista em estudos chineses, Evandro Menezes de Carvalho apresenta analisa o sistema político chinês a partir de suas raízes culturais e filosóficas.
No contexto do Ano da Cultura e do Turismo Brasil–China, celebrado em 2026, o professor e especialista em estudos chineses Evandro Menezes de Carvalho lança o livro China: Tradição e Modernidade na Governança do País. A ideia é levar leitores e interessados em compreender o país asiático a partir de uma perspectiva menos centrada no olhar ocidental.
A obra propõe uma análise do modelo político chinês baseada nas próprias raízes culturais, filosóficas e históricas da China. Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e um dos principais especialistas brasileiros no tema, Carvalho argumenta que boa parte das interpretações sobre a governança chinesa ignora elementos fundamentais da tradição intelectual do país — como o confucionismo e o taoísmo — que moldaram sua forma de organização política e social ao longo dos séculos.
O livro já alcançou o primeiro lugar em vendas na categoria Relações Políticas e Ciências Sociais da Amazon e integra o Selo SHŪ, iniciativa da GoEast Brasil em parceria com a Editora Batel e editoras chinesas voltada à divulgação de obras científicas, filosóficas e literárias da China no Brasil. O selo celebra dez anos de atuação.
Com base em quase cinco anos de vivência no país asiático, Carvalho discute conceitos como república, democracia de processo integral, governança baseada na lei e política externa chinesa. Para o autor, compreender a lógica de pensamento do país exige reconhecer a influência de correntes filosóficas tradicionais. “A lógica de pensamento chinesa é inspirada no taoísmo, revelando que polos contrários se complementam e que a base desse conceito é a harmonia a partir da diferença”, afirma.
Essa visão ajuda a explicar como o país combina elementos do socialismo e do capitalismo em sua estrutura política e econômica. Em vez de uma lógica binária — comum no pensamento ocidental — a tradição chinesa trabalha com a coexistência de opostos, uma ideia sintetizada na noção de “ser e não ser”.
No livro, o autor também analisa a proposta chinesa de construção de uma “comunidade de destino comum”, conceito que defende a cooperação internacional baseada no respeito à diversidade cultural e à autodeterminação dos países. Segundo Carvalho, essa perspectiva contrasta com modelos de globalização considerados mais uniformizantes.
Outro ponto abordado é a ideia de um sistema político que combina Estado de Direito e “Estado de Virtude”, conceito influenciado pelo confucionismo. Nesse modelo, valores morais e senso de justiça têm papel relevante no funcionamento das instituições, algo que, segundo o autor, muitas vezes é negligenciado em análises ocidentais.
Evandro Menezes de Carvalho é doutor em Direito Internacional pela USP e acumula experiência acadêmica em instituições como a Universidade de Xangai de Finanças e Economia, a Universidade Fudan e a Universidade de Pequim. Ele também recebeu o Prêmio Amizade do Governo Central da China, a mais alta honraria concedida a estrangeiros pelo país, além da Cruz do Mérito da Integração Fraterna Brasil–China, concedida pelo Congresso Nacional brasileiro.
Atualmente, o pesquisador ocupa a Cátedra Wutong da Universidade de Língua e Cultura de Pequim, tornando-se o único brasileiro a assumir uma cátedra universitária no país.








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