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Pânico 7 se sai bem entre o reboot e a continuação tardia

Sequência tardia resgata a força nostálgica de Pânico, mas revela fragilidades no roteiro e na motivação do novo Ghostface.

Scream

Com Neve Campbell de volta ao protagonismo e Kevin Williamson na direção, filme aposta na nostalgia, intensifica o gore, mas reacende o debate sobre o fôlego da franquia

Pânico 7 estreia 30 anos depois do primeiro filme, dirigido por Wes Craven, trazendo de volta sua estrela principal, Neve Campbell, novamente no papel de Sidney Prescott. Com Kevin Williamson, roteirista do original, retornando ao universo da franquia — desta vez também como diretor —, a expectativa era de um movimento semelhante ao de A Hora do Pesadelo 7 – O Novo Pesadelo, que utilizou a metalinguagem para resgatar a credibilidade da série.

Aqui, no entanto, não se tratava exatamente de recuperar uma imagem desgastada. Ao contrário de outras franquias clássicas do terror, Pânico nunca sofreu uma queda brusca de qualidade como ocorreu com algumas de suas inspirações, caso de Halloween. Ainda assim, era um momento oportuno para revitalizar a marca: trazer a heroína de volta — estratégia semelhante à adotada por Halloween, que recolocou Jamie Lee Curtis no centro da narrativa — sem abrir mão dos maneirismos metalinguísticos que tornaram o original um marco, e mantendo coesão com os dois episódios anteriores, ambos bem-sucedidos nas bilheteiras.

Pânico

Na trama, Sidney Prescott, agora uma celebridade do universo true crime, vê-se diante de um novo Ghostface. O assassino surge na pacata cidade onde ela cria a filha, que se torna o novo alvo da vez. Para proteger a família, Sidney precisa confrontar traumas e horrores do passado, encerrando — ou tentando encerrar — um ciclo de violência que a persegue há três décadas.

Panico 7 foto reproducao

Se o quinto filme apostava no conceito de “requel” (reboot + sequel, termo inclusive explicado em cena no quinto longa, reafirmando a tradição metalinguística da franquia), Pânico 7 se assume como uma continuação tardia. Sidney deixa de ser apenas referência simbólica para reassumir o protagonismo, enquanto os fantasmas do passado — literal e metaforicamente — voltam a assombrá-la. Para que a engrenagem funcione, o roteiro introduz uma nova figura central: sua filha, Tatum (Isabel May), nomeada em homenagem à amiga morta no filme de 1996. É ela quem lidera o núcleo jovem — elemento essencial em qualquer slasher.

Como criador da franquia, Williamson demonstra intimidade com o material e conduz a direção com respeito ao legado de Craven, falecido em 2015. Este pode ser considerado o capítulo mais sangrento da série: o cineasta, que assina o roteiro ao lado de James Vanderbilt e Guy Busick, intensifica a violência gráfica. Algumas mortes surpreendem, seja pela brutalidade, seja pela execução.

Pânico 7 imagem

O problema é que a surpresa reside mais na forma dos assassinatos do que na construção do suspense. O roteiro falha na atmosfera e na tensão — qualidades que marcaram os capítulos anteriores, inclusive o sexto, considerado por muitos o mais irregular. A motivação por trás da identidade do novo Ghostface é possivelmente a mais frágil da franquia, o que levanta questionamentos sobre um eventual desgaste da marca — e do próprio gênero.

O grande trunfo deste sétimo episódio está no apelo nostálgico. Ao revisitar o impacto do longa original no cenário do terror e ao se apoiar no carisma de Campbell, nas referências autorais e no tributo a Craven e ao slasher clássico, o filme encontra sua força. E há ainda o retorno de Courteney Cox como Gale Weathers — personagem que o público adorava odiar e hoje abraça sem reservas. Sua primeira aparição provoca sorrisos e até aplausos.

Pânico 7 imagem

A ausência de Melissa Barrera e Jenna Ortega, protagonistas recentes que deixaram a produção (a primeira afastada pelo estúdio após manifestações contra Israel e a segunda por conta própria, em solidariedade à colega), reforça a decisão de recentralizar a narrativa em Sidney Prescott. A estratégia funciona no presente e satisfaz os nostálgicos. Mas, para que a franquia siga relevante, será preciso encontrar um novo elemento de frescor — caso contrário, o risco do desgaste continuará à espreita, tal qual um Ghostface à espera da próxima vítima.

Pânico 7

Pânico 7
7 10 0 1
Nota: 7/10 - Ótimo
Nota: 7/10 - Ótimo
7/10
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