Exposição apresenta esculturas inéditas de José Carlos Vilar

São Paulo recebe, a partir de 28 de março, a exposição “José Carlos Vilar – Mestre Escultor”, com curadoria de Agnaldo Farias, reunindo mais de 20 esculturas, muitas delas inéditas. A abertura acontece no sábado, às 11h, e a mostra permanece até 28 de maio, na galeria Herança Cultural. A exposição apresenta ao público paulistano…


Conjunto de esculturas José Carlos Vilar

São Paulo recebe, a partir de 28 de março, a exposição “José Carlos Vilar – Mestre Escultor”, com curadoria de Agnaldo Farias, reunindo mais de 20 esculturas, muitas delas inéditas. A abertura acontece no sábado, às 11h, e a mostra permanece até 28 de maio, na galeria Herança Cultural.

José Carlos Vilar, Sem Título, 2015, 10 x 6 x 30 cm
José Carlos Vilar, Sem Título, 2015

A exposição apresenta ao público paulistano a produção de José Carlos Vilar, escultor capixaba reconhecido por sua dedicação ao ferro forjado e por sua atuação como professor no Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, onde formou gerações de artistas. Cultuado sobretudo entre escultores que passaram por suas aulas, Vilar construiu uma trajetória marcada pelo rigor técnico e pela relação direta com a matéria. Seu trabalho parte do confronto físico com o ferro, como o próprio artista descreve: “O caminho é o diálogo com o material. Na juventude, queria fazer com o ferro o que quisesse. Aprendi, depois, o caminho do diálogo. Se você for com violência, ele te responde com violência”, afirma. Para Agnaldo Farias, a produção de Vilar situa-se dentro de uma linhagem importante da escultura brasileira. Segundo ele, trata-se de um trabalho que dialoga com uma tradição que atravessa nomes como Franz Weissmann, Amilcar de Castro, José Resende e alcança artistas contemporâneos como Artur Lescher. “Com obras de presença forte, apuradas e concisas, José Carlos Vilar junta-se aos adeptos da matéria densa e do ar”, escreve o curador, destacando o modo como o artista trabalha a tensão entre peso e leveza, massa e vazio. E completa: “São obras que surpreendem pela variedade de processos e pela potência plástica. Ao mesmo tempo, esculturas e maquetes de obras futuras, indicam como um pequeno gesto no papel pode se tornar semente de expansões inesperadas”.

A exposição reúne esculturas de diferentes escalas e soluções formais. Entre elas está Aranha, construída com vergalhões espessos e estruturada por três apoios pontiagudos, cuja estrutura vazada cria uma presença simultaneamente pesada e aérea. Já Onda, que abre o percurso expositivo, apresenta uma curva ascendente, feita também de vergalhões, gesto interrompido no ápice que projeta corpo e sombra no espaço. 

Jose carlos vilar, Aranha
José Carlos Vilar,  Aranha



Outras peças evocam formas vegetais ou estruturas orgânicas — bulbos, sementes, carapaças —, enquanto algumas assumem caráter geométrico ou arquitetônico, aproximando-se de torres, casas ou obeliscos. Entre os trabalhos está ainda Batéias, instalação composta por cones suspensos por cabos de aço, que se movimentam continuamente como um móbile. O conjunto evoca o instrumento usado na mineração para revolver a terra em busca do que está oculto, metáfora para o próprio processo escultórico. Para Farias, essas esculturas operam numa zona intermediária entre objeto e presença corporal: “Facear essas peças de escala tão próximas às dos nossos corpos equivale a encarar alguém, ou a nós mesmos diante do espelho”. 

Serviço 
Exposição: José Carlos Vilar – Mestre Escultor 
Curadoria: Agnaldo Farias 
Abertura: 28 de março, sábado, às 11h 
Visitação: até 28 de maio de 2026 
Endereço: Galeria Herança Cultural | Rua do Curtume, 274 – Lapa de Baixo, São Paulo

Convite

Deixe um comentário