Espetáculo estrelado por Karine Teles, Angelo Paes Leme, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch propõe discussão sobre o limite tênue entre civilidade e barbárie a partir de uma briga entre crianças
A celebrada peça O Deus da Carnificina, da autora francesa Yasmina Reza, ficou ainda mais conhecida depois da adaptação para o cinema dirigida por Roman Polanski e estrelada por Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly. Agora, a história é contada novamente em uma montagem dirigida por Rodrigo Portella, com temporada de estreia no Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro, de 23 de abril a 7 de junho.
A nova versão brasileira do texto tem tradução de Eloisa Araújo Ribeiro e é estrelada por Karine Teles, Thelmo Fernandes, Angelo Paes Leme e Anna Sophia Folch.
A trama acompanha o encontro entre dois casais que se reúnem para resolver, de forma civilizada, uma briga entre seus filhos. Mas o que começa como um encontro cordial rapidamente se transforma em um confronto inesperado.
Para o diretor Rodrigo Portella, a peça explora o limite tênue entre civilidade e barbárie. “É como se os pactos e convenções sociais estivessem sempre por um fio diante da nossa força primitiva, caótica e violenta. Penso em criar uma encenação que explicite essa tensão, valorizando no trabalho dos atores essa desconstrução da da compostura social e moral para ir revelando aos poucos toda sujeira, toda a selvageria, como se os personagens e a própria cena fossem se descascando, revelando atitudes de profunda intolerância e horror”, revela.
A atriz e idealizadora do projeto, Anna Sophia Folch, destaca a atualidade do texto. “A peça é um retrato incômodo do nosso tempo, mesmo tendo sido escrita no início dos anos 2000. Um texto extremamente provocativo que fala sobre a falência do diálogo, sobre como as pessoas defendem suas próprias narrativas a qualquer custo e sobre a rapidez com que a convivência se transforma em disputa. Os temas passam pela educação e pelas estruturas sociais, mas principalmente pela ideia de que o conceito de civilidade é muito mais frágil do que gostaríamos de admitir”, diz.
Já Felipe Valle, que assina a direção de produção, reforça que essa tragicomédia cria uma espécie de “espelho atemporal das relações sociais em sua forma mais pura e objetiva”. E ainda acrescenta: “A obra provoca uma reflexão sobre a forma como tendemos a simplificar as relações pessoais, muitas vezes dividindo tudo entre extremos. Ao mesmo tempo, evidencia o contraste entre as narrativas e como isso impacta o convívio em sociedade.”.
Ainda sobre a encenação, Portella conta que aposta em uma cenografia minimalista e em figurinos bem realistas. “Quero que essa cenografia sintética, com poucos elementos, provoque transporte a imaginação dos espectadores para para qualquer lugar possível, de modo a criar identificação independente do contexto social, econômico e ideológico. Os figurinos devem ser os únicos elementos realistas, porque vestem as identidades desses personagens. Todo o restante deve representar mais o mundo interior do que a realidade deles”, antecipa.
A obra de Reza foi escrita e publicada em 2006, um momento em que ainda parecia haver maior confiança no diálogo como forma de resolver conflitos — algo que, hoje, infelizmente, parece mais frágil. Em um cenário mais polarizado e acelerado, o retrato do espetáculo, que antes soava como uma situação extrema, ganha contornos cada vez mais familiares, reforçando a atemporalidade de seu olhar sobre as relações humanas.
Ficha Técnica
O DEUS DA CARNIFICINA
De Yasmina Reza
Direção de Rodrigo Portella
Tradução: Eloisa Araújo Ribeiro
Com Karine Teles, Angelo Paes Leme, Thelmo Fernandes e Anna Sophia Folch
[CRIATIVOS]
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Federico Puppi
Figurinos: Karen Brusttolin
Cenografia: Rodrigo Portella
Cenotecnia: Rahira Coelho
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
[PRODUÇÃO]
Coordenação Geral: Anna Sophia Folch e Felipe Valle
Direção de Produção: Felipe Valle
Produção Executiva: Juliana Trimer
Assistente de Produção: Gabriela Marques
[COMUNICAÇÃO]:
Identidade Visual: José Américo Mancini e Diego Navarro
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Mídias Sociais: Enzo Amarelo
Fotos de divulgação: Alê Catan
Sinopse
Dois casais se reúnem para resolver, de forma civilizada, uma briga entre seus filhos. Mas o que começa como um encontro cordial rapidamente se transforma em um confronto inesperado. Uma comédia ácida que revela o quão frágil pode ser a nossa ideia de civilidade.
Serviço
O Deus da Carnificina, de Yasmina Reza
Temporada: 23 de abril a 07 de junho de 2026
Quinta a sábado, às 20h e domingo, às 17h
Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch – Rua do Russel, 804, Glória, Rio de Janeiro
Ingressos: R$150 (inteira) e R$75 (meia-entrada). Às quintas-feiras, na plateia lateral –
R$50 (inteira) e R$25 (meia-entrada)
Vendas online em https://www.ingresso.com/espetaculos/deus-da-carnificina
Bilheteria: terça a sábado, das 12h às 20h, e aos domingos e feriados, das 12h às 19h
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 359 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Todas as sessões contam com intérprete de LIBRAS, legendagem e audiodescrição












