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Adoção e luto em Jabuticaba nasce no tronco, que tem nova temporada gratuita no Teatro Arthur Azevedo

Com texto e direção de Bernardo Fonseca Machado, espetáculo encerra trilogia de peças Ensaios Sobre a Morte, composta ainda por Relicário Inventado e Epitáfio

Inspirado em casos reais de adoção, Jabuticaba nasce no tronco, novo trabalho da Cia. EmVersão, com direção, texto e idealização de Bernardo Fonseca Machado, ganha nova temporada gratuita no Teatro Arthur Azevedo, de 20 de agosto a 6 de setembro, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. O espetáculo é estrelado por Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez.

O trabalho, que aborda o fim de vínculos antigos e o nascimento de novos laços, encerra a trilogia Ensaios sobre a Morte, que ainda contou com os trabalhos Relicário Inventado (2011), sobre a partida do outro; e Epitáfio (2013/2014), sobre a morte em si. Cada uma dessas obra é atravessada por um verbo que orienta dramaturgia, encenação e atuação: na primeira, a ação era “inventar” a memória; no segundo, “escolher” o próprio fim; e, agora no novo espetáculo, “costurar” histórias, raízes e pertencimentos.

Ambientado entre os anos de 1990 e 2008, na cidade de São Paulo, Jabuticaba nasce no tronco acompanha a trajetória de quatro crianças órfãs — Bento, Ifigênia, José e Miuza — que chegam juntas à casa de acolhimento de Maria, uma senhora viúva que recebe crianças para garantir sua subsistência. Após um período de convivência e algumas visitas de casais interessados em adotar, cada uma delas segue para um destino diferente. Dezoito anos depois, os quatro se reencontram em um velório, momento em que precisam revisitar suas histórias e lidar com a busca por suas origens.

Cada personagem representa um aspecto da experiência adotiva. Maria, figura central, é inspirada em mulheres que atuaram informalmente como cuidadoras nas décadas de 1980 e 1990. Bento é uma criança que sofre a troca de nome ao ser adotado por um casal de classe média alta, o que desencadeia uma crise de identidade. Ifigênia é deixada pela avó e depois devolvida pela família adotiva que buscava apenas uma criança de “companhia”. José nasce de uma gravidez indesejada e encontra afeto apenas após desencontros. Miuza é retirada da mãe pelo Estado e adotada por um pai solo que valoriza a educação.

Assim, o espetáculo aborda as expectativas das crianças e as experiências que enfrentam: o luto pelo fim das relações familiares originais, a dificuldade com os novos vínculos, suas fantasias, os desejos de parentalidade, a relação com a herança biológica, as ações de apagamento das famílias de origem, o surgimento de novas famílias (multirraciais, monoparentais) e a busca pelas origens. 

A encenação tem como eixo simbólico o tecido — elemento que sintetiza a representação das relações afetivas no universo da adoção. Pensando os vínculos familiares como uma trama de fios, a montagem parte da ideia de que o afeto pode ser costurado, mas também pode ser rompido, cortado ou desfeito. A adoção, nesse contexto, é compreendida como um gesto de unir partes distintas por meio de uma costura, que tanto pode formar um laço quanto um nó — frouxo ou apertado, simples ou complexo, que conecta ou tensiona os sujeitos envolvidos.

O texto transita entre o diálogo e a narração, promovendo um jogo cênico em que passado e presente se interpelam, isto é, uma cena cotidiana narrada em 1990 assume um significado áspero sob um diálogo ocorrido em 2008 e vice e versa.

A peça dialoga com os preceitos de consolidação do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente e nasce do desejo de Bernardo Fonseca Machado de criar um trabalho que refletisse a perspectiva de quem viveu a experiência da adoção. Inclusive, o próprio autor e diretor, que é pretendente à adoção, tem pesquisado o tema desde 2018, tendo feito cursos de formação de instituições como o GAASP (Grupo de Apoio à Adoção em São Paulo) e o Tribunal de Justiça de São Paulo.

O espetáculo faz parte de um projeto contemplado pela 21ª Edição do Prêmio Zé Renato — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. 

Ficha Técnica

Texto, Direção e Idealização: Bernardo Fonseca Machado

Elenco: Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez

Stand in: Rafael Americo

Musicistas em cena: Gago e Sérgio Wontroba

Trilha Sonora: Guti Vellutini

Consultoria musical: Fernando Growald

Cenário: Andreas Guimarães

Cenotécnico: José Alves da Hora

Figurino: Kleber Montanheiro

Costureira: Mariluce Constantina

Iluminação: Lui Seixas

Assistente de iluminação: Júlia Fávero

Design gráfico: Renan Marcondes

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Social Mídias: Rafael Americo

Fotos: Tomás Franco

Direção de produção: Paula Malfatti

Audiodescrição: Ver com Palavras

Roteiro e narração: Lívia Motta 

Consultoria: Roseli Garcia

Libras: Verena Teixeira e Rive Agra

Estágio: Larissa Alves da Silva e Julia França

Administração: La Do B Educação e Artes

Gestão: Malfatti Paciência em Ato

Apoio: Célia Helena Centro de Artes e Educação

Sinopse

Num funeral, quatro pessoas se reencontram depois de 18 anos. A última vez em que se viram, eram crianças prestes a serem adotadas. Agora conversam e relembram cenas antes da adoção, os primeiros momentos com as novas famílias e imaginam seus futuros.

Serviço

Jabuticaba nasce no tronco, com Cia. EmVersão

Temporada: 20 de agosto a 6 de setembro de 2026

De quinta-feira a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h

Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo

Ingressos: Grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão

Classificação: 10 anos

Duração: 130 minutos 

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. 

Instagram:

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