Carolina Chalita em Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria - Crédito fotográfico Juliana Chalita
Carolina Chalita em Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria - Crédito fotográfico Juliana Chalita
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“Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria” chega ao CCPJ

Indicada ao Prêmio APTR, Carolina Chalita faz tour da peça que mergulha na obra da autora libanesa Joumana Haddad para propor um olhar sobre o feminino

Até onde as realidades vividas pelas brasileiras e pelas mulheres árabes se distanciam? Este questionamento é o ponto de partida de “Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria”, que faz tour por diversas cidades fluminenses e chega ao Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), no Centro do Rio, para sessões gratuitas nos dias 06, 07, 13 e 14 de outubro, terças e quartas-feiras, às 18h. Indicada ao Prêmio APTR, Carolina Chalita atua e assina a dramaturgia do monólogo, primeira adaptação do livro homônimo da autora libanesa Joumana Haddad para o teatro, com direção de Miwa Yanagizawa, direção musical de Beto Lemos e música ao vivo de Maria Clara Valle.  

No palco, Carolina – que tem ascendência libanesa – narra as confissões de uma árabe enfurecida pela maneira como a mulher é vista por seu próprio povo e pelo olhar preconceituoso do Ocidente. 

– Desenvolvemos uma dramaturgia que oferece a possibilidade de investigar as fronteiras entre os olhares árabe e ocidental sobre as mulheres. Joumana Haddad nos apresenta um caminho para a libertação da hipocrisia da cultura patriarcal – conta Chalita.

O caminho para a libertação, na obra de uma das mais influentes escritoras do mundo árabe, é encontrado por meio de uma crítica à forma como é apresentada a personagem Sherazade no livro “As mil e uma noites”, obra que compilou histórias populares originárias do Oriente Médio e do sul da Ásia em língua árabe a partir do século IX.

Sherazade sempre foi exaltada, especialmente sob o olhar ocidental, como uma referência de insubmissão feminina, ao utilizar sua imaginação para sobreviver aos abusos de um sultão. Segundo Joumana Haddad, no entanto, ela não rompe com o sexismo. Pelo contrário, o perpetua por trás de histórias que ludibriam e que maquiam uma transformação do sultão, um assassino de mulheres.

– O sultão, que, a cada noite, matava uma virgem de seu reino como vingança por ter sido traído por sua primeira esposa, fica curioso com as fábulas de Sherazade, o que, para o mundo ocidental e para os próprios árabes, significa que a personagem não é submissa. É exatamente isso que Joumana questiona – detalha Carolina.

A sua ascendência, inclusive, foi um dos motivos pelo interesse de Chalita por “Eu matei Sherazade”. A atriz conta que assistiu a uma leitura dramatizada de uma adaptação do livro realizada por Clarisse Niskier, em 2013.

– Quando acabou a leitura, procurei a Clarisse e disse que, se ela não fosse montar, de fato, o texto, eu me interessaria. Depois de um ano, ela me liberou e procurei a Joumana – revela. 


Sinopse do espetáculo:

O espetáculo narra as confissões de uma árabe enfurecida pela maneira como a mulher é vista por seu próprio povo e pelo olhar preconceituoso do Ocidente. Ela descobre, através da literatura, o caminho para se libertar da hipocrisia patriarcal e, assim, escolher o que realmente deseja ser e criticar a forma como a personagem Sherazade, do livro “As mil e uma noites”, é exaltada em todo o mundo por ser uma referência de insubmissão feminina. Segundo Joumana Haddad, Sherazade não rompe com o sexismo. Pelo contrário, o perpetua, por trás de uma transformação maquiada. A autora enaltece a importância de as mulheres conquistarem o protagonismo sobre suas vidas para a construção de uma nova consciência do feminino.

Sobre Carolina Chalita:

Com 20 anos de carreira, Carolina Chalita começou no teatro aos oito anos de idade. Aos 16, foi estudar na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro, onde conheceu o Amok Teatro, grupo em que atuou por três anos. 

Foi integrante da Cia Teatro Esplendor, dirigida por Bruce Gomlevsky, por 10 anos, na qual, entre outras, participou da montagem de “Festa de Família”, peça que ficou seis anos em cartaz e por conta da qual Carolina foi convidada para integrar o elenco da novela “Viver a Vida”, exibida originalmente pela TV Globo, entre 2009 e 2010, e reprisada, atualmente, no canal Viva.  

Entre seus trabalhos na TV, destacam-se as séries“Impuros”, da Star plus, “Os Suburbanos”, do Multishow, “Amor de 4”, do Canal Brasil, “Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou”, do GNT, “A Grande Família”, da TV Globo. Além disso, esteve na telenovela “O Astro”, na TV Globo. No cinema, é protagonista, ao lado do ator Thiago Lacerda, do filme “Água na Boca”, de Duanne Buss, que tem estreia prevista para 2025. 

Sobre Joumana Haddad: 

Joumana Haddad é poeta, jornalista e ativista de direitos humanos. Ela foi selecionada como uma das 100 mulheres mais poderosas do mundo pela Arabian Business Magazine por conta de seu ativismo cultural e social. Em 2021, estava na lista da ONG inglesa Apolitical como uma das 100 pessoas mais influentes na política de gênero. 

Joumana é fundadora da Jasad, uma revista erótica trimestral em língua árabe, especializada em artes e literaturas do corpo. A escritora lançou um novo programa de TV, em novembro de 2018, na estação de televisão libanesa Alhurra, destacando os temas da liberdade de expressão e do pensamento crítico. 

Em setembro de 2019, fundou uma ONG centrada na juventude, em Beirute, no Líbano, chamada Joumana Haddad Freedoms Center. Em fevereiro de 2020, em parceria com o Institut Français do Líbano, ela lançou o primeiro Festival Internacional de Feminismos no Oriente Médio, junto a um grupo de coorganizadores locais e internacionais.

Ficha técnica:

Livre adaptação do livro homônimo de Joumana Haddad 
Dramaturgia: Carol Chalita e Miwa Yanagizawa 
Idealização e Atuação: Carol Chalita 
Direção: Miwa Yanagizawa 
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Beto Lemos 
Musicista: Maria Clara Valle

Cenografia: Constanza de Córdova 
Figurino: Tereza Fournier 
Costureira: Georgina Moallak Loureiro 
Iluminadora: Nina Balbi e Pedro Carneiro 
Operador de Luz: João Gaspary  
Interlocução de Movimento: Laura Samy 
Preparação Vocal: Sonia Dummont 
Fotos: Juliana Chalita 

Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho
Produção Executiva: João Eizô Y Saboya 
Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela 
Realização: M S Documenta Produções Artísticas e Jornalísticas  

APRESENTAÇÕES – CCPJ RJ:

Endereço: Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) – Av. Erasmo Braga, 115 – Centro, Rio de Janeiro – RJ

Sessões: dias 06, 07, 13 e 14 de outubro, terças e quartas-feiras, às 18h

Entrada: gratuita (senhas distribuídas com 1 hora de antecedência)

Lotação: 50 lugares

Duração: 60 minutos

Classificação: 14 anos

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