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Poema Suspenso para uma Cidade em Queda na Funarte SP

Ainda sem uma posição sobre um novo terreno para o Teatro de Contêiner, a Cia. Mungunzá volta ao Complexo Cultural Funarte SP para mais uma temporada do sucesso Poema Suspenso para uma Cidade em Queda, que já foi vista por mais de 9.900 espectadores desde sua estreia em 2015. A nova temporada acontece de 26 de agosto a 18 de setembro, em diferentes horários (ver abaixo).

Baseada em histórias e experiências pessoais dos atores, a montagem, com direção de Luiz Fernando Marques (integrante do Grupo XIX), mostra um pouco sobre o sentimento de imobilidade que atinge muitas pessoas nos dias de hoje.

Uma pessoa cai do topo de um prédio e não chega ao chão. Os anos passam e este corpo não consuma a queda. A partir daí, a vida das pessoas nos apartamentos desse edifício fica presa numa espécie de buraco negro pessoal, onde cada um vive uma experiência que não finaliza. Cada personagem fica preso em sua metáfora, ignorando o conjunto à sua volta. Trata-se de uma fábula contemporânea sobre a sensação de suspensão e paralisia geral do mundo moderno.

Imobilidade

No palco, os atores Verônica Gentilin, Virginia Iglesias, Lucas Beda, Marcos Felipe, Sandra Modesto, Pedro das Oliveiras e Léo Akio ficam em um andaime de cerca de cinco metros, simbolizando o prédio. Em cada um dos nichos/apartamentos, uma história diferente se desenrola sem ligação aparente entre si. Verônica Gentilin, que também assina a dramaturgia do espetáculo, explica: “construímos o texto em conjunto, com base em histórias reais do elenco. Em cada um desses apartamentos, algo acontece. Os atores não tem visão do todo e não sabem o que está acontecendo nos outros nichos. Somente o público consegue enxergar toda essa situação de maneira integrada, como se observasse um prédio de longe ou estivesse montando um quebra-cabeça”, conta. 

Segundo Verônica, a peça fala sobre um sentimento de imobilidade que assola as pessoas hoje em dia: “Estamos sempre prestes a mudar, a ter uma revolução, a ver as coisas acontecerem e esse momento nunca chega. Vivemos numa imobilidade, com uma sensação de que algo novo pode surgir a qualquer segundo, mas não damos um passo concreto em busca disso. As histórias que fazem parte de POEMA SUSPENSO PARA UMA CIDADE EM QUEDA tem essa imobilidade como seu mote e retratam um pouco dessa realidade”, fala a atriz e dramaturga.

Construção em conjunto

O diretor Luiz Fernando Marques contou como a peça foi construída: “a Mungunzá é uma companhia atípica, só de atores e atrizes. O convite veio logo após o sucesso deles com Luís Antonio-Gabriela, espetáculo super premiado e minha responsabilidade aumentou com isso. Primeiro, ouvi o que esses artitas queriam contar com esse projeto. Essa é uma das características da minha direção: focar coletivo e trabalhar em conjunto com eles. Na primeira parte do trabalho, com os workshops para levantar a dramaturgia, atuei como um provocador desse processo que foi super orgânico”, explica.

No passo seguinte, de levar para a cena todas as histórias que os atores trouxeram nesse primeiro momento, Luiz Fernando atuou dando unidade para elas e as organizando no palco. “Temos um prédio sem tijolos e o público pode enxergar tudo o que acontece ali dentro, se sentindo íntimo daquelas pessoas. Esse espetáculo é de uma poesia enorme. Ao mesmo tempo que as histórias provocam estranhamento na plateia, as pessoas se identificam com aquilo que estão vendo em cena. Percebemos que somos somente uma parte de uma engrenagem”, explica. O resultado desse trabalho é um espetáculo teatral com uma narrativa singular.

Ficha Técnica

Uma produção da Cia Mungunzá de Teatro
Argumento: Cia Mungunzá de Teatro
Direção: Luiz Fernando Marques (Lubi)
Diretor Assistente e Preparação de Elenco: Paulo Arcuri

Dramaturgia: Elenco e Direção

Finalização Dramatúrgica: Verônica Gentilin
Elenco: Verônica Gentilin, Virginia Iglesias, Lucas Beda, Marcos Felipe e Sandra Modesto, Pedro das Oliveiras e Léo Akio

Técnicos Performers: Pedro das Oliveiras e Léo Akio

Trilha Sonora Composta: Gustavo Sarzi

Pianista: Gustavo Sarzi e Natália Nery (substituta)
Desenho de Luz: Pedro das Oliveiras

Cenário: Cia Mungunzá de Teatro, Luiz Fernando Marques e Paulo Arcuri. 

Direção de Arte e Figurinos: Valentina Soares

Vídeo: Lucas Beda

Registro do Processo: Mariana Beda

Apoio e Equipe Técnica: Paloma Dantas, Giulia Lira, Eduardo Estefano, Mayara Ribeiro e Isabelle Iglesias

Produção Executiva: Gustavo Sanna e Cia Mungunzá de Teatro 

Sinopse

Uma pessoa cai do topo de um prédio e não chega ao chão. Os anos passam e toda a vida dos moradores desse prédio se congela em seus próprios traumas enquanto aquele corpo permanece em suspenso. Após 33 anos, aquele corpo continua “sem cair” e as histórias de cada morador vão se amarrando de formas inusitadas. Presos numa espécie de “buraco negro pessoal”, os personagens vivem uma experiência que não finaliza, que gira em círculos, que ignora seu entorno. 

Trata-se de uma fábula contemporânea sobre a sensação de suspensão e paralisia geral do mundo contemporâneo. Através do excesso de possibilidades e uma abertura de infinitos caminhos a percorrer em um segundo, o homem pára diante de tudo e começa a traçar um caminho circular dentro de seu reduto  que, muitas vezes, ilude uma vida, mas, na verdade, é um eco de si mesmo.

Serviço

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda, com Cia. Mungunzá

Temporada: 26 de agosto a 18 de setembro de 2026

De quarta a sexta-feira, às 19h30 (sessão extra no dia 8/9, às 19h30, e no dia 11/9 não haverá sessão)

Complexo Cultural Funarte SP – Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo

Ingressos: Gratuito

Ingressos presenciais 1h antes da sessão
Reserva de ingressos online: www.sympla.com.br/teatrodeconteiner

Classificação: 16 anos

Duração: 60 minutos.

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