Exposição “A Arte de Ser Humano — RM: The Human Behind the Artist” será realizada no Salão Caramelo da FAU-USP, em São Paulo, em outubro, com vagas limitadas
Kim Namjoon, o RM, líder do grupo sul-coreano BTS, será tema de uma exposição em São Paulo que pretende aproximar música, artes visuais, arquitetura e reflexão sobre a condição humana. A mostra “A Arte de Ser Humano” abre, no dia 30 de agosto, a retirada gratuita de ingressos pela Sympla para as sessões de visitação previstas para outubro e novembro.
Organizada pela fanbase RM Brasil, a iniciativa será realizada no Salão Caramelo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP (FAU-USP), no Edifício Vilanova Artigas, na Cidade Universitária, em São Paulo. A programação está prevista para os dias 29 e 30 de outubro e 3, 4 e 5 de novembro, das 8 às 18h, em sessões de 30 minutos. Cada visitante poderá retirar um ingresso, que será pessoal e intransferível, segundo as informações divulgadas pela organização.

A escolha do espaço não é apenas institucional. O Salão Caramelo ocupa o centro do edifício projetado por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi e funciona como uma espécie de ágora da FAU-USP. A própria faculdade descreve o local como espaço de eventos cívico-culturais e mantém o Salão entre os ambientes destinados a exposições.
A proposta da mostra parte justamente desse encontro entre arte, arquitetura, cultura coreana e cultura de fãs. Em vez de reproduzir apenas a trajetória de um astro da música, o projeto procura apresentar diferentes dimensões de Kim Namjoon, o RM do BTS, a partir de seus interesses artísticos e das questões humanas presentes em sua produção.
De RM ao ‘ser humano’ por trás do artista
A curadoria toma como ponto de partida uma questão que atravessa a trajetória pública de Namjoon: a coexistência entre a persona RM e a pessoa Kim Namjoon. A exposição propõe olhar para essa dualidade não apenas como característica de uma celebridade, mas como uma experiência contemporânea relacionada à identidade, às expectativas sociais e à necessidade de preservar espaços de intimidade.
Esse recorte aproxima a mostra de temas recorrentes na produção solo do artista, especialmente a solidão, o autoconhecimento, a passagem do tempo e a tentativa de encontrar equilíbrio em meio à exposição pública. A proposta, portanto, não é construir uma biografia convencional, mas utilizar elementos de sua trajetória para discutir experiências que podem ser reconhecidas para além do universo do K-pop.







Outro conceito central é o chamado “Namjooning”, expressão popularizada entre fãs para descrever uma forma de desacelerar associada a caminhadas, contato com a natureza, visitas a museus e momentos de contemplação. Na mostra, essa ideia aparece como uma chave para pensar a relação entre arte, cotidiano e percepção.
A exposição também aborda a relação de RM com as artes visuais. Conhecido por frequentar museus e galerias e por compartilhar referências artísticas com o público, o cantor construiu ao longo dos anos uma relação mais ampla com a produção visual, que agora ganha uma dimensão especialmente significativa no circuito internacional.
Uma exposição brasileira em diálogo com o circuito internacional
A realização da mostra em São Paulo acontece em um momento particularmente importante para a relação de RM com as artes visuais. Em outubro, poucos dias antes da abertura da exposição brasileira, o San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA) inaugura “RM x SFMOMA: Between You and Me”, exposição que apresenta pela primeira vez em escala museológica obras da coleção pessoal do artista.
A mostra norte-americana será realizada de 3 de outubro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027 e reunirá cerca de 200 obras das coleções de RM e do SFMOMA. A curadoria é assinada por RM, em colaboração com América Castillo e Hyoeun Kim, do museu. Entre os artistas presentes estão nomes como Yun Hyong-keun, Park Rehyun, Kim Yun Shin, Chang Ucchin, Mark Rothko, Agnes Martin, Henri Matisse e Georgia O’Keeffe.

O paralelo não significa que as duas exposições tenham a mesma proposta ou escala. No SFMOMA, a coleção de Namjoon é colocada em diálogo com o acervo de uma das principais instituições de arte moderna e contemporânea dos Estados Unidos. Em São Paulo, a fanbase brasileira parte de referências semelhantes — natureza, memória, materialidade, contemplação e experiência humana — para construir uma experiência própria.
Ainda assim, a proximidade entre os dois projetos ajuda a dimensionar uma transformação na forma como RM é percebido culturalmente. Sua relação com a arte deixou de aparecer apenas como um interesse pessoal de uma estrela da música e passou a integrar projetos curatoriais em instituições especializadas.
Quando a cultura de fãs ocupa a universidade
É nesse ponto que a mostra brasileira ganha uma dimensão que ultrapassa o fandom. A iniciativa coloca uma comunidade formada nas redes sociais em contato direto com uma instituição pública de ensino superior e com um espaço historicamente associado à produção de conhecimento, arquitetura e cultura.
A própria FAU-USP possui histórico de utilização do Salão Caramelo para exposições e projetos culturais. Em 2025, por exemplo, o espaço recebeu “Vilanova Artigas: estruturas vivas”, exposição que relacionou a produção arquitetônica do fundador da escola ao próprio edifício da faculdade.

Em “A Arte de Ser Humano”, a arquitetura também participa da experiência. O edifício Vilanova Artigas é marcado pelo grande espaço central, pelas rampas e pela circulação contínua, características que favorecem uma relação menos convencional entre público, obras e espaço. A estrutura passa, assim, a funcionar como parte da narrativa da mostra.
A parceria também está relacionada a uma ação de extensão universitária da FAU-USP. O projeto “Diálogos entre Arte Coreana e Arquitetura: Curadoria, Exposição e Mediação Cultural” foi estruturado para envolver estudantes na concepção, curadoria e montagem da exposição, articulando produção cultural coreana, arquitetura, espacialidade, materialidade, memória e cidade. Essa dimensão ajuda a deslocar a iniciativa de uma exposição simplesmente “sobre RM” para uma experiência de mediação cultural. O artista é o ponto de partida; a arte e a arquitetura são os campos de diálogo.
Do Instagram para o espaço físico
A trajetória da mostra também revela como as fanbases passaram a desempenhar funções que vão além da divulgação de artistas. Comunidades originalmente construídas para compartilhar informações, traduções, projetos e conteúdos sobre um integrante do BTS podem se transformar em estruturas capazes de organizar eventos, desenvolver produtos, estabelecer parcerias e produzir experiências culturais.
No caso da RM Brasil, essa mobilização aparece na própria construção do projeto. A produção independente de materiais colecionáveis e itens temáticos integra a estratégia de financiamento da iniciativa, enquanto a organização digital da comunidade ajuda a articular comunicação e participação do público.
Esse movimento é particularmente relevante no contexto da cultura Hallyu. À medida que o interesse pelo entretenimento sul-coreano se espalha pelo mundo, comunidades locais deixam de ser apenas receptoras de produtos culturais e passam também a reinterpretar, traduzir e produzir novas experiências a partir deles. Em “A Arte de Ser Humano”, essa tradução acontece no encontro entre uma figura da música popular sul-coreana, referências da arte moderna e contemporânea, estudantes universitários brasileiros e um dos edifícios mais importantes da arquitetura moderna paulista.
Ingressos gratuitos terão retirada antecipada
Embora a entrada seja gratuita, a visitação não será livre. Os ingressos serão disponibilizados pela Sympla a partir das 15h de 30 de agosto, com vagas limitadas e horários organizados em sessões de 30 minutos. A programação divulgada pela organização prevê visitação das 8h às 18h nos dias 29 e 30 de outubro e 3, 4 e 5 de novembro, no Salão Caramelo da FAU-USP. Cada pessoa poderá retirar um ingresso, que não poderá ser transferido.
A procura antecipada por ingressos também evidencia uma característica importante de projetos culturais produzidos por comunidades digitais: a capacidade de mobilização de públicos que já chegam à experiência presencial com repertório, referências e expectativas compartilhadas. No caso de “A Arte de Ser Humano”, porém, a proposta é justamente ampliar esse encontro. Ao levar para dentro da universidade uma discussão construída a partir da trajetória de RM, a mostra cria uma oportunidade para que fãs, estudantes, pesquisadores e visitantes interessados em arte e cultura coreana compartilhem o mesmo espaço.
O resultado é uma exposição que parte de uma estrela global, mas procura chegar a uma questão muito mais ampla: o que permanece quando se retira a persona pública e se olha para a pessoa, suas referências, seus silêncios, suas descobertas e sua maneira de perceber o mundo?
É essa pergunta que “A Arte de Ser Humano” pretende levar ao Salão Caramelo— em um momento particularmente simbólico para os fãs brasileiros. O BTS retorna a São Paulo para os shows da turnê mundial ARIRANG, nos dias 28, 30 e 31 de outubro, e a exposição convida o público a conhecer uma dimensão de RM que existe para além do palco. Entre música, artes visuais, arquitetura e contemplação, a mostra propõe olhar para Kim Namjoon não apenas como o líder de um dos maiores grupos do mundo, mas como o artista e indivíduo que existe por trás da persona RM.












