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Brian May recria capa clássica do Queen com IA e critica o resultado

Brian May IA

O lendário guitarrista do Queen usa capa do álbum ‘The Game’ (1980) reproduzida com Meta IA como pretexto para um duro recado ao primeiro-ministro britânico sobre a expansão dos centros de dados

Brian May nunca foi de guardar opiniões para si, e sua mais recente experiência com inteligência artificial acabou se tornando uma mistura de comédia pastelão e alerta político. Para provar sua tese de que a humanidade “não precisa de IA”, o lendário guitarrista do Queen, de 79 anos, decidiu pedir ao Meta AI que recriasse a famosa capa do álbum The Game, lançado pela banda em 1980. O resultado foi tão desastroso que virou piada no perfil do músico no Instagram.

A capa original é um ícone da época: uma foto em preto e branco com os quatro integrantes (Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon) vestidos com jaquetas de couro preto, exalando uma atitude moderna, séria e intimidadora.

A versão gerada pela inteligência artificial, no entanto, passou longe disso. Três dos integrantes ganharam bigodes aleatórios, Freddie Mercury apareceu com um sorriso simpático, lembrando um “corretor de imóveis em uma sexta-feira casual”, além de ficar impossível identificar qual daquelas figuras deveria ser o próprio Brian May. Para coroar o absurdo, a ferramenta decidiu que o Queen não era um quarteto, mas sim uma banda de… CINCO membros.

Imagem: Reprodução/Internet

“Eu só precisava compartilhar isso com vocês” (…) “Pedi ao Meta AI para me mostrar como era a capa do álbum THE GAME. Foi isso que ele me deu! Bom trabalho, hein? Então esse é o tipo de inteligência que em breve estará governando o mundo??! Que ótimo. Talvez seja a hora de percebermos que NÓS REALMENTE NÃO PRECISAMOS DE IA!!”

Do deboche ao protesto político

Apesar do tom irônico inicial, o post de May rapidamente tomou um rumo sério. Conhecido por seu ativismo na causa animal, ambiental e por posicionamentos firmes contra o Brexit, o músico usou o espaço para enviar um recado direto ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, atacando a construção desenfreada de infraestruturas para abastecer a tecnologia.

“Acredito que o preço que estamos prestes a pagar por esse desenvolvimento ‘inevitável’ é alto demais”, alertou o músico. “Não podemos permitir que esses centros de dados medonhos sejam construídos no Reino Unido. Eles vão destruir nosso país lindo, como já estão destruindo a bela América. Caro Andy — você precisa parar isso agora. Antes que seja tarde demais.”

Um debate global sobre os custos da tecnologia

A preocupação de Brian May não é isolada e reflete um movimento crescente de resistência aos impactos ambientais das Big Techs. A construção de megalómanos data centers para processar modelos de inteligência artificial tem gerado forte rejeição de comunidades tanto na Europa quanto na América do Norte, devido ao alto consumo de energia elétrica e à drenagem massiva de recursos hídricos para o resfriamento dos servidores.

Recentemente, a lenda do country norte-americano Willie Nelson também detonou a proposta de instalação de um centro de dados próximo à sua cidade natal, Abbott, no Texas. “A última coisa de que precisamos é de um centro de dados barulhento, ladrão de água e poluidor de luz perto da nossa cidade (ou de qualquer outra, diga-se de passagem)”, protestou Nelson.

Ao unir o humor sobre a ruindade estética das imagens geradas por IA à urgência do debate ambiental, Brian May prova que, mesmo prestes a completar oito décadas de vida, continua antenado e pronto para usar sua voz contra o que considera ameaças ao futuro do planeta.

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