O Lucas Museum of Narrative Art (Museu de Arte Narrativa), em Los Angeles, é a mais nova instituição cultural idealizada pelo cineasta George Lucas e sua esposa, Mellody Hobson, com o objetivo de inspirar contadores de histórias e a arte de narrar. Com custo de US$ 1 bilhão, o espaço é uma vitrine de belas-artes (Frida Kahlo, Andy Warhol), um repositório da cultura pop (Peanuts, Pokémon) e, sem surpresa, uma homenagem a Star Wars.
Em termos de dimensão e visão, é uma adição extremamente necessária ao cenário de Los Angeles e — apesar de um ou outro receio pontual — recebe de mim cinco de cinco Estrelas (da Morte).
O museu abriu oficialmente na terça-feira (22), mas consegui entrar antecipadamente, junto com algumas centenas de pessoas. Nós todos astutamente pagamos a taxa anual de membro de US$ 140 para duas pessoas e reservamos rapidamente um horário na pré-estreia para conhecer esse megaprojeto de mais de 9 mil metros quadrados? Sim. E estou feliz por ter sido tão esperto, pois com certeza voltarei muitas vezes.

Não se tratava de um grupo de jornalistas de sorte passeando pelo prédio elegante, espaçoso e com cara de nave espacial, mas sim de visitantes comuns. É claro que alguns usavam camisetas de Star Wars e orelhas de Grogu, mas não pareceu um destino exclusivo para nerds radicais. Lucas também promoveu um “dia de prévia do bairro” para receber parceiros comunitários, comerciantes locais, líderes civis, estudantes e moradores do código postal 90037, onde fica o museu. Bravo por isso.
Primeiro, preciso falar sobre a estética. Projetado pelo escritório MAD Architects, o museu é confortável e espaçoso, elegante e semelhante a uma nave espacial tanto por fora quanto por dentro. Na verdade, lembra uma sede da Apple em Marte, com um grande jardim e algumas estátuas do Yoda sobre pedestais. Janelas curvas e pés-direitos altos proporcionam uma experiência tranquila mesmo com multidões, enquanto uma claraboia no estilo “óculo” de 27 metros é ótima para observar a movimentada entrada principal lá embaixo. Tudo isso transmite uma sensação de extrema confiança. Só os elevadores de vidro cilíndricos, ou “turbolifts”, já fazem você se sentir no topo do mundo. É uma adição muito bem-vinda a uma cidade que não ostenta nem metade da arquitetura arrojada que deveria.


O acervo completo do museu conta com mais de 40 mil objetos; os 1.300 em exibição — pinturas, desenhos e esculturas — estão categorizados em temas como amor, comunidade, brincadeira, quadrinhos e infância.
A sala dedicada a Rockwell é esplêndida (Lucas passou mais de 50 anos colecionando arte narrativa e é um dos principais colecionadores de Rockwell do mundo, então não é surpresa). Apresentando cenas nostálgicas do dia a dia da vida americana no século XX, as obras lembram que uma pintura pode contar tanta história quanto um filme e, possivelmente, prender nossa atenção por mais tempo.
Há uma área notavelmente farta dedicada a Banksy, que inclui Girl With Balloon acompanhada de um fundo de parede de tijolos, Love is in The Air/Flower Thrower (sempre tão impactante) e Don’t Forget Your Scarf (como expatriado, sinto muita falta dos punks britânicos). Essas contribuições do enigmático artista de rua são muito bem-vindas.

A obra Golf Cart One, de Darren Cullen (do projeto Spelling Mistakes Cost Lives), é um acompanhamento excelente para os veículos tradicionais de Star Wars. No entanto, esta seção — que apresenta naves espaciais galácticas, os verdadeiros C-3PO e R2-D2, e estátuas de cera de Mark Hamill como Luke Skywalker, Ewan McGregor como Obi-Wan Kenobi e outros — é um pouco estática e sem sal. É um cruzamento entre o Madame Tussauds e o Petersen Automotive Museum (outra joia na modesta coroa de museus de Los Angeles, recheada de carros clássicos, excêntricos e famosos no cinema). Não há imersão estonteante gerada por inteligência artificial aqui, apenas uma exibição simples dos principais personagens e veículos do universo Star Wars.

Também não fiquei impressionado com as reproduções digitais em exibição. Há a (ou melhor, uma) Capela Sistina, o Casal Arnolfini de Jan van Eyck e o Retrato de Henrique VIII de Hans Holbein, o Jovem, por exemplo. Tenho certeza de que tudo isso vai agradar aos meus filhos (afinal, ir até a Capela Sistina real, no Vaticano, não é fácil a partir de Los Angeles, e o excesso de turismo global hoje em dia me assusta). Mas as réplicas digitais me deixaram com a sensação de ter sido enganado. Tudo pareceu um pouco sem alma.
Assim como o café principal do prédio, que é um Starbucks (Hobson foi anteriormente presidente do conselho da rede de cafeterias). É mais acessível do que o ofensivamente caro café Erewhon no LACMA, mas, ainda assim… Será que ele não tinha mais imaginação do que isso? O restaurante no último andar, o Skywalker Grill, é mais interessante, com belas vistas do horizonte de Los Angeles (é possível ver o letreiro de Hollywood de lá), mas é preciso reserva para frequentá-lo.
Mas, em última análise, este é um museu do povo, uma oferta pública do tipo que surge uma vez por século e um destino imperdível para quem visita esta parte do mundo. Agora que vi, entendo todo o alvoroço. Na preparação para as Olimpíadas de 2028, Los Angeles é o lugar onde todos querem estar, e este gigante cultural deveria ser considerado o modelo de como tudo relacionado aos Jogos deveria ser.
Ah, e um conselho: anote com atenção onde estacionou seu carro no (felizmente vasto — e gratuito! Obrigado, George) estacionamento. Porque encontrá-lo na hora de ir embora pode ser parecido com localizar uma estrela na galáxia, e você vai precisar de Han Solo e Chewbacca na Millennium Falcon para conseguir essa façanha.
Por Kinvara Balfour, via The Telegraph












