
Uma cadeira sugere, antes de tudo, um corpo sentado. No trabalho de Juliana Lima Vasconcellos, ela parece guardar também a possibilidade de outro corpo: o da própria peça, com sua postura, seus apoios e o modo como ocupa o espaço. A Girafa tornou essa percepção visível. Seu nome oferece uma imagem, mas não encerra a leitura. Há algo de familiar na peça e, ao mesmo tempo, uma estranheza que pede um segundo olhar.
É dessa pesquisa que nasce a linha Elefante, apresentada em 7 de outubro na casa-galeria de Juliana, em São Paulo. Cadeiras e poltronas retomam questões da Girafa em outras proporções. A passagem de uma peça a outra permite acompanhar um pensamento em movimento: como uma estrutura ganha presença, como a matéria participa da forma, como um objeto pode sugerir um gesto mesmo quando está imóvel. A referência ao animal aproxima o mobiliário do imaginário, sem afastá-lo do uso.
Juliana trabalha numa região em que arquitetura, interiores e mobiliário se influenciam mutuamente. A escala de uma cadeira pode alterar a percepção de um ambiente; a disposição dos espaços, por sua vez, muda a maneira de ver uma peça. Em sua produção, saberes ligados a tradições ancestrais convivem com formas escultóricas e com uma liberdade de associação próxima do surrealismo. São aproximações que aparecem na relação entre estrutura e matéria, na maneira como um volume parece adquirir movimento ou evocar uma presença.
A casa-galeria concebida por ela dá a essas relações uma medida cotidiana. Ali, o mobiliário se encontra com obras selecionadas pela Galeria Nara Roesler e pode ser visto a partir de diferentes distâncias: como objeto em si, em relação com a arte e como parte de um lugar que se pode habitar. A exposição percorre momentos da trajetória de Juliana no Brasil e no exterior, mas é nesse encontro entre as peças e os ambientes que sua forma de pensar se torna mais próxima de quem visita.
“Às vezes, uma curva que percebo na natureza ou a vontade de aproximar dois materiais me dá uma ideia que vai se transformando enquanto trabalho. Gosto quando o desenho conserva algo desse achado, quando há espaço para o humor e para uma forma que eu ainda não tinha imaginado. A construção exige precisão, mas me interessa que o resultado tenha alguma espontaneidade e possa nos fazer olhar de outro jeito para um objeto familiar.”
Nascida em Belo Horizonte e vivendo entre São Paulo e Paris, Juliana Lima Vasconcellos é arquiteta, designer de interiores e de mobiliário. Sua prática compreende projetos residenciais, comerciais e culturais, instalações e coleções de móveis. Em 2024, recebeu em Paris o Créateurs Design Award de Melhor Projeto Comercial e Cultural de Interiores pelo projeto da loja Haight, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, criou para a Lavazza a instalação imersiva Source of Pleasure, apresentada no pátio do Palazzo del Senato durante a Milan Design Week. Com 18 metros de diâmetro, a estrutura marcou o lançamento internacional do sistema Tablì. Juliana também integrou por três vezes a A-List, seleção dedicada a nomes internacionais da arquitetura e do design de interiores, da qual participa desde 2021.
Seu mobiliário já foi apresentado no PAD London, The Salon NY, Milan Design Week, Nomad Circle, LA Design Week e Intersect Chicago. Peças de sua autoria integram coleções permanentes, entre elas a do Museum of Arts and Design, em Nova York, que reúne a cadeira Girafa. Em 2026, a peça também é apresentada na Hispanic Society Museum & Library, na mesma cidade. Sua produção em arquitetura, interiores e mobiliário foi abordada por publicações como Elle Decor USA, Architectural Digest, Cultured e Surface.
Serviço
Elefante por Juliana Lima Vasconcellos
Parceria Galeria Nara Roesler
Abertura: 7 de outubro de 2026
Casa-galeria Juliana Lima Vasconcellos
Rua Iraci, 714, Jardim Paulistano, São Paulo
Permanência: até 07 de novembro de 2026
Visitação mediante agendamento














