Tenro amor, amarga vida,
criação à duras penas,
cheias de tinta.
Esperando.
O tempo é implacável,
incontornável, incontrolável.
Nosso lugar no tempo
é o espaço.
Na criação, condenso uma fração
do tempo, em uma fração
do espaço.
Pequenas doses de amargura,
destiladas em tinta, cheias de amor.
Esperando.
Mateus Gandara
Conheci duas vezes o Mateus Gandara. A primeira numa virada de noite na Rio Comicon 2009 que por insistência do Grampá terminou com o nascer do sol em Copacabana. Conheci mais uma vez o Mateus tempos depois através de seus quadrinhos, sem associar o artista com o companheiro daquela noite, até o fim do último ano quando voltamos a conversar para publicação do seu quadrinho pelo Circuito Ambrosia.
Infelizmente Mateus Gandara nos deixou nesta semana após lutar bravamente contra o câncer por muito tempo, uma tragédia para um rapaz de 28 anos que coloria o mundo com amor e sonhos. Felizmente para além de memórias, Mateus também deixa um incrível legado com sua arte, que vai continuar tocando a todos com a mesma intensidade com que Mateus viveu.



Creio ser impensável imaginar o quão profunda é a dor e alegria de quem luta no front pela vida, mas ouso supor que ao se despir de todas ilusões cotidianas Gandara encontrou no amor o entendimento e sentido que todos buscamos na vida, mas que deixamos escapar pela falta de urgência do nosso tempo.
E que motivo mais bonito para viver que pelo amor? Obrigado pelos peixes Mateus!












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