19ª Cineop celebra o cinema de animação do Brasil

 CineOP propõe refletir mais de um século de produção da animação no país e homenagem a Alê Abreu, diretor indicado ao Oscar por “O Menino e o Mundo”

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19a edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto será realizada entre os dias 19 e 24 de junho na cidade histórica mineira. Seu eixo de programação é único no cenário audiovisual do país ao reunir três temáticas: Preservação História e Educação. Cada uma delas tem uma curadoria responsável, que anualmente propõe reflexões, resgates e perspectivas a partir de filmes, debates, masterclasses, encontros e oficinas. Toda a programação é gratuita.

TEMÁTICA PRESERVAÇÃO

Na Temática Preservação, a curadoria de José Quental e Vivian Malusá propõe como tema “O Futuro da Preservação Audiovisual Começa no Presente” e vai destacar a presença da inteligência artificial como novo elemento nos processos de manutenção e preservação de acervos. Mesas, conversas e seminários pretendem refletir sobre o impacto da novidade e os desafios que ainda persistem na implementação das tecnologias digitais nas diversas áreas da preservação audiovisual. “Dados da FIAT (Federação de Arquivos de TV e Mídias) mostram que grande parte das televisões ao redor do mundo utilizam algum tipo de inteligência artificial generativa em seus trabalhos cotidianos, e a restauração de filmes também já começa a fazer uso desta tecnologia. E no Brasil, em que estágio estamos?”, questiona a curadoria.

A ideia é olhar para o presente e vislumbrar um futuro do setor frente à implementação destas novas tecnologias, ao mesmo tempo em que propõe um diálogo transversal com diversos atores do campo da preservação e suas diferentes ações para a valorização do patrimônio audiovisual brasileiro. “A ampliação e desenvolvimento das redes de arquivos também é fundamental para uma perspectiva de futuro da área. Novas associações e redes têm sido criadas com este objetivo. Quais são estas redes e suas propostas de trabalho? Como potencializar as trocas teóricas e técnicas entre as instituições? Levantar esses questionamentos e encorajar novas perspectivas são os desafios que a curadoria de preservação se propõe”, afirma José Quental.

TEMÁTICA HISTÓRICA E HOMENAGEM

Em 2024, a Temática Histórica traz ao centro da Mostra o conceito “Cinema de animação no Brasil: uma perspectiva histórica”. Será discutido um estilo de produção que há mais de um século vem existindo e resistindo, sobrevivendo contra limitações técnicas e econômicas no país e sendo movida pela paixão heroica e autodidata de algumas iniciativas ao longo da maior parte de sua história. A animação brasileira é marcada por descontinuidades nas carreiras da grande maioria de seus realizadores e por casos de títulos isolados de alguns; mesmo assim, segue persistente e permanente, sobretudo no curta metragem, seu principal meio expressivo, com uma dimensão estética e cultural considerável.

“Aos trancos e barrancos, em algumas obras específicas ou no conjunto em diferentes décadas, a animação brasileira chega a 2024 com tantos orgulhos e muitas demandas”, comenta Cléber Eduardo, curador da Temática Histórica, que este trabalhou junto ao pesquisador e animador Fábio Yamaji. A dupla montou uma grade de programação representativa do cenário expressivo da animação no audiovisual brasileiro através dos tempos, em sessões de curtas e longas-metragens dos mais variados estilos, formas e criações. “São produções desenvolvidas e exibidas em diferentes décadas, de modo ao espectador ter contato com técnicas, desenhos, cores, movimentos e personagens distintos”.

Também foram propostas rodas de conversas sobre questões históricas e contemporâneas do cinema de animação no Brasil, processos criativos, relações com o mercado, condições estruturais de trabalho, a presença das mulheres em distintas funções e os trabalhos criativos de indivíduos e coletivos. “Procuramos destacar o lugar nobre e essencial dos curtas-metragens nesse recorte de um percurso histórico, pelo formato/duração ser o coração do cinema de animação no mundo e no Brasil, mas também valorizamos em nossos critérios de programação a importância específica de alguns trabalhos e a de quem os dirigiu no momento de seus surgimentos ou nas reverberações anos depois”, completa o curador.

A CineOP pretende destacar ainda trabalhos de pesquisa e iniciativas de visibilidade ao formato, como a Associação Brasileira de Cinema de Animação, o festival Anima Mundi e a implantação da Lei da TV Paga, que impulsionou a presença de produções animadas em praticamente todos os canais de exibição doméstica. Além disso, o homenageado da edição será o animador Alê Abreu, diretor de “O Menino e o Mundo” longa-metragem lançado em 2013 que teve repercussão internacional e foi indicado ao Oscar de melhor animação, Alê tem uma trajetória marcada pela inventividade e por dedicação total ao gênero. Aos 53 anos, trabalha há três décadas em animação, desde quando lançou o primeiro curta-metragem, “Sirius” (1993).

“Embora tenha atuado em diferentes atividades relacionadas ao desenho e à ilustração, em livros, publicidade e séries, Alê é a assinatura mais reconhecida dos últimos anos do cinema de animação no Brasil, especialmente por fugir dos padrões uniformizantes e industriais, com muita ênfase na visualidade e na criação de mundos próprios, que se nutrem relações com a realidade”, destaca Cleber Eduardo, curador da Temática Histórica da CineOP. Ele trabalhou nesta edição com o cineasta Fábio Yamaji, estudioso de animação no Brasil.

Ambos definiram o nome de Alê Abreu a partir também da percepção de que se trata de um diretor e criador singular na própria cinematografia do país. “Após ‘O Menino e o Mundo’, Alê se tornou emblema e sinônimo de criatividade formal que vem de suas três décadas de trabalho. A homenagem está ancorada principalmente nessa trajetória, e sim no percurso autoral de um processo que, se tem ainda poucos filmes, é especialmente coerente e obsessivo”, completa o curador.

TEMÁTICA EDUCAÇÃO

Na Temática Educação, a curadoria de Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga retoma a ideia do Plano Nacional de Cinema na Escola, atualizando com ampla consulta pública remota a proposta de regulamentação da lei 13006/14. Com o mote “Plano Nacional de Cinema na Escola: Comunicação, Cultura e Educação”, o objetivo será elaborar diretrizes e recomendações para a criação de políticas públicas que venham subsidiar o contato de educadores e também de crianças, da educação infantil ao ensino fundamental, e jovens do ensino médio, com as imagens e os sons de forma a garantir a qualidade social dessa experiência.

Na programação, masterclasses internacionais, sessões de filmes, apresentações de projetos audiovisuais educativos, debates e reuniões de trabalho da Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual, além de GTs (grupos de trabalho) cujo objetivo será elaborar diretrizes e recomendações para a criação de políticas públicas que venham subsidiar o contato de educadores e também de crianças, da educação infantil ao ensino fundamental, e jovens do ensino médio, com as imagens e os sons de forma a garantir a qualidade social da experiência.

Serão quatro os GTs da Temática Educação: formação docente; infraestrutura e equipamentos; acervos e curadorias; e pedagogias. “No campo da educação, a emergência das tecnologias digitais possibilita ampliar e diversificar as experiências pedagógicas, sonhar com escolas cada vez mais engajadas na produção coletiva e sensível de conhecimentos, articulando as experiências passadas com as possibilidades de invenção e comunicação atuais, mas a conectividade também deve prever tempos e espaços para a desconexão. O digital não pode ser o palimpsesto do analógico, quando pensamos na educação escolar e na vida”, diz Adriana Fresquet. “O encontro presencial é constitutivo do ato educativo. Nada pode substituir a relação interpessoal em qualquer tipo de pedagogia, até mesmo na experiência da educação digital. No tempo em que criamos redes de comunicação, é preciso entender a diferença do tempo de criar laços”.

O audiovisual, como forma essencial nos processos de educação no Brasil, tem importância nesse processo por também se inserir como uma forma tecnológica de expressão e necessitar de preservação e cuidado diante do avanço voraz das big techs de olho em conteúdos. “Desde que o cinematógrafo foi inventado no século 19 ele já habitava algumas escolas. No Brasil, o cinematógrafo chega na Escola Normal de Maranhão em 1896. Ou seja, o cinema sempre esteve na escola, o problema sempre foi de escala, de política pública”, comenta Clarisse Alvarenga. “A produção pedagógica e cultural de conteúdos digitais aumenta de forma exponencial, evapora e logo se instala em nuvens virtuais que precisam de espaço público para permanecer acessíveis e que, mais de uma vez, acaba habitando espaços de grandes corporações. Com as legislações ainda em vias de regulamentação, essas empresas se apropriam daquele conteúdo, usam e monetizam os materiais que disponibilizamos cotidianamente”.

19ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO

Mostra audiovisual pioneira desde sua criação (2006) a enfocar o cinema como patrimônio em intercâmbio com o mundo e reafirma anualmente seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro. Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação, presta homenagens, realiza exibição de filmes brasileiros e internacionais – longas, médias e curtas – oficinas, debates, seminário, mostrinha de cinema, sessões cine-escola, atrações artísticas e promove anualmente o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: Fórum Rede Kino.

SÍNTESE DA PROGRAMAÇÃO

Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir atrações artísticas, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação e debates temáticos de forma gratuita.

          ABERTURA OFICIAL

          EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS

          PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS

          HOMENAGEM

          MOSTRINHA

          MOSTRA VALORES

          SESSÕES CINE-ESCOLA

          19o ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS

          ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XVI FÓRUM DA REDE KINO

          DEBATES, DIÁLOGOS E RODAS DE CONVERSA

          OFICINAS

          MASTERCLASSES INTERNACIONAIS

          PERFORMANCE AUDIOVISUAL

          EXPOSIÇÃO

          LANÇAMENTO DE LIVROS

          CORTEJO DA ARTE

          SHOWS

SERVIÇO

19ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
19 a 24 de junho de 2024 | Presencial e Online

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio Máster: Instituto Cultural Vale

Patrocínio: Itaú, Aymoré, Cemig/Governo de Minas Gerais
Parceria Cultural: Universidade Federal de Ouro Preto, Prefeitura de Ouro Preto, Sesc em Minas e Instituto Universo Cultural
Idealização e realização: Universo Produção
SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E TURISMO DE MINAS GERAIS/GOVERNO DE MINAS GERAIS

MINISTÉRIO DA CULTURA/GOVERNO FEDERAL/ UNIÃO E RECONSTRUÇÃO

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