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“A fotografia espanhola nos tempos da Movida”

A fotografia espanhola nos tempos da Movida”, exposição que será inaugurada no dia 29 de abril, no Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, em Botafogo, faz um pequeno recorte do movimento contracultural que surgiu em Madri, na Espanha, nos anos 1970. Entre os registros destacados pelo curador Pablo Sycet estão: Pedro Almodóvar posando no estúdio do fotógrafo Paco Navarro para uma matéria promocional do filme “Mulheres à beira de um ataque de nervos” (1988); a pintora  surrealista Maruja Mallo, egressa do exílio, retratada por Jaime Gorospe; Andy Warhol, clicado por Antonio Zafra em janeiro de 1983, quando expôs na Galería Fernando Vijande; Javier Porto, famoso por cobrir a noite madrilenha nos anos 80, pela foto de Pedro Almodóvar & McNamara feita na sala Rock-Ola de Madri, onde grupos musicais de vanguarda se apresentavam em concerto.  

Mesmo sendo uma exposição sobre a fotografia gerada pela disruptiva Movida Madrilenha e, portanto, centrada em seus protagonistas (tanto de um lado da câmera quanto do outro), “A fotografia espanhola nos tempos da Movida” tem como proposta ir além e reunir a obra de outros fotógrafos madrilenhos que coexistiram na mesma época com esse fenômeno social e artístico, mas que não tiveram conexão com ele por razões geracionais ou simplesmente de enfoque e temáticas. Assim, não apenas se enriquece a visão de conjunto daqueles anos, mas também se estabelece um diálogo entre os que viveram de perto a noite madrilena e seus desafios, convertendo-a em matéria-prima de seu trabalho, e aqueles que deram as costas a esse movimento urbano para se concentrar em outros temas.

Paco España, famoso transportista padre de familia

“De fato, embora a existência da Movida possa ser discutida até à exaustão, embora possa ser negada de um extremo ou de outro, é perfeitamente verificável que naqueles anos houve uma mudança muito importante – radical, poderíamos dizer – no tecido social e cultural de Madri, e de algumas outras das nossas cidades, e que sem dúvida esse entusiasmo e os traços de uma nova cultura urbana vieram das suas mãos, com a fotografia como uma disciplina então emergente mas predestinada a ocupar um lugar de destaque, não só pela consolidação que a sua entrada massiva representou nas galerias e nos museus, mas também porque se encarregou de documentar todas as mudanças que ocorriam porque era, de todas as disciplinas artísticas, a que estava mais sintonizada com o pulsar das ruas”, avalia Pablo Sycet.

Além disso, uma vez que a proliferação de uma nova imprensa, alternativa e muito vinculada aos interesses da Movida, mudou totalmente a correlação de forças entre os meios, e essas novas publicações alternativas se voltaram para opções mais visuais, com muita presença de imagens captadas por esses fotógrafos que atuavam como cronistas da Movida, a exposição é complementada com uma ampla seleção dessas publicações para explicitar o papel do papel – e do trabalho analógico, por sua vez – e poder mostrar os pequenos tesouros sem os quais não teria sido possível o mundo hoje conhecido: Terry, Hélice, Madriz, Kaka de Luxe, La Luna de Madrid, Rockocó, Estricnina, Man, Total, Nigth, Dezine, Sur Exprés, que tiveram uma vida mais efêmera e que, justamente por essa circunstância, acabam por se unir no tempo com o imediato lambe-lambe de cartazes de rua da época, também representado nesta mostra pela notável presença fotográfica nesses cartazes que agora retornam para encontrar seu lugar em nossa memória e diante de nossos olhos.

É, portanto, um caleidoscópio de imagens raras que suspenderam no tempo uma época fascinante.

Participam da mostra os fotógrafos Colita, Marisa González, Mariví Ibarrola, Ouka Lele, Teresa Nieto, Alberto García Alix, Alberto Sánchez Laveria, Alejandro Cabrera, Antonio Zafra, Cesar Lucas, Ciuco Gutiérrez, Domingo J. Casas, Eduardo Momeñe, Gorka de Duo, Jaime Gorospe, Jaime Travezan, Javier Campano, Javier Porto, Javier Vallhonrat, Jesús Ugalde, Martin Sampedro, Miguel Oriola, Miguel Trillo, Nine Mínguez, Pablo Juliá, Paco Navarro, Paco Rubio, Pedro Guerrero, Ramón Gato.

Serviço

A fotografia espanhola nos tempos da Movida

Curadoria: Pablo Sycet

Abertura: dia 29 de abril, às 19h

Visitação: de 30 de abril a 30 de maio de 2025

Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h (exceto feriados)

Local: Instituto Cervantes do Rio de Janeiro

Endereço: Rua Visconde de Ouro Preto, 62 – Botafogo – RJ

Entrada gratuita

Classificação livre

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