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Antropólogo Philippe Descola vem ao Brasil para lançar livro e participar de ciclo de conversas

Neste programa de investigação transdisciplinar, artistas, ambientalistas, cientistas, ativistas, antropólogos e filósofos debatem o estatuto atual das relações entre cultura e natureza – um mesmo conceito separado em duas partes, segundo o filósofo francês Bruno Latour – a partir de um mergulho em imagens.

O primeiro encontro, As Formas do Visível, que acontece presencialmente no Instituto Tomie Ohtake no dia 20 de setembro, às 19h, reunirá o antropólogo francês Philippe Descola e a antropóloga brasileira Manuela Carneiro da Cunha. Não por acaso, o título do encontro é o mesmo do mais recente livro de Descola, que será publicado no Brasil pela Coleção Fábula da Editora 34. A cada encontro, materiais visuais distintos do campo da arte, da cultura e da ciência servirão de gatilho para leituras possíveis sobre a reinvenção do humano e do meio-ambiente – incluindo as interrogações possíveis acerca desses dois termos.

“Numa civilização da imagem, saturada pelo volume e pela efemeridade de imagens planas, superficiais e sem enigma, quais e como as imagens podem nos provocar a rupturas e leituras renovadas do maior desafio de toda a (breve) história da humanidade?” indagam as curadoras do programa, Priscyla Gomes e Carol Tonetti, dos núcleos de curadoria e educativo do Instituto Tomie Ohake respectivamente.

“Na profunda mutação que a humanidade deverá encarar daqui em diante, a cultura terá papel central na revisão, atualização e produção de imaginários, epistemologias e paradigmas que reposicionem nossa relação com aquilo que chamamos de natureza e que, em consequência, permitam a todas as espécies uma sobrevivência digna”, completam.

O presente ciclo conta ainda com mais dois encontros previstos para outubro e novembro, com participantes, data e horário informados posteriormente pelo Instituto Tomie Ohtake.

Sobre os participantes

Philippe Descola – Nascido em Paris, em 1949, é um dos principais antropólogos franceses de sua geração. Formado em filosofia pela École Normale Supérieure de Saint-Cloud, fez seu doutorado em antropologia na École Pratique des Hautes Études, sob a orientação de Claude Lévi-Strauss, com uma tese baseada em seu trabalho de campo entre os achuar da Amazônia equatoriana, entre 1976 e 1979. Ensinou a partir de 1987 na École des Hautes Études en Sciences Sociales e, em 2000 foi nomeado para uma cátedra de antropologia no Collège de France. Suas pesquisas investigam os modos de socialização da natureza, a formação das noções de “natureza” e “cultura” e as diferentes ontologias que daí derivam. É autor de obras como La nature domestique (1986), Les lances du crépuscule (1993), Par-delà nature et culture (2005) e La composition des mondes (2014).

Manuela Carneiro da Cunha – É antropóloga, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1976) e graduada em matemática pela Faculté des Sciences de Paris (1967). Fez pós-doutorado na Universidade de Cambridge. Foi professora doutora da Universidade Estadual de Campinas e professora titular da Universidade de São Paulo, onde, após a aposentadoria, continua ativa. Foi full professor da Universidade de Chicago de 1994 a 2009, onde é professora emérita. É membro da Academia Brasileira de Ciências, e da Academia de Ciências do terceiro mundo e da Comissão Arns de Direitos Humanos desde 2019. Em 2018 recebeu o Prêmio de Excelência Gilberto Velho para Antropologia conferido pela ANPOCS. Publicou 12 livros, 38 artigos em Periódicos especializados e 32 capítulos em livros, e organizou quatro livros. Seus livros receberam prêmios da ANPOCS, Jabuti e da Biblioteca Nacional. Sua atuação distribui-se pela etnologia, história e direitos dos índios, escravidão negra, etnicidade, conhecimentos tradicionais e teoria antropológica.

A urgência da discussão

A crise ambiental, fato amplamente amparado pela ciência, é desafio urgente e primordial não só de hoje, mas também de todo e qualquer futuro que possa haver pela frente. Como declarou recentemente o filósofo francês Bruno Latour, atravessamos pelo menos os dois últimos séculos feito sonâmbulos, alheios ao alerta evidente dos desastres ecológicos. Nos tornamos, enfim, aqueles que teriam podido agir, nos deparando tardiamente com os danos irreversíveis da nossa própria ação.

Na profunda mutação que a humanidade deverá encarar daqui em diante, a cultura terá papel central na revisão, atualização e produção de imaginários, epistemologias e paradigmas que reposicionem nossa relação com aquilo que chamamos de natureza e que, em consequência, permitam a todas as espécies uma sobrevivência digna.

A natureza não só se depara como uma espécie de fim – tanto ligada à sua decadência material como enquanto conceito – como escancara cada vez mais suas finalidades, no sentido da interdependência vital desta com os seres humanos, cuja separação é apenas artificial. Junto ao declínio ambiental e a realidade do Novo Regime Climático, esgotam-se os projetos vigentes de mundo clamando por uma maior diversidade de representações, de saberes e cosmologias. Trata-se, sobretudo, da necessidade de revivermos saberes de povos originários, negligenciados pelas sociedades ocidentais, e que podem nos ajudar a imaginar, antes que um novo mundo, um novo povo, como argumentado pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

Serviço

CICLO DE PALESTRAS IMAGINAR FUTUROS – Parte do programa “Meio-Ambiente e Imagens na Contemporaneidade”

Primeiro encontro: As formas do Visível

Participação: Philippe Descola e Manuela Carneiro da Cunha
Data: 20 de setembro de 2023

Horário: 19h

Duração: 1h30

Tradução: tradução simultânea português-francês / francês-português

Local: Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) – Pinheiros SP

Metrô mais próximo – Estação Faria Lima (linha 4 – amarela)

Fone: 11 2245 1900

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