Musical inédito sobre vida e obra de Gonzaguinha estreia no Teatro Sesc Ginástico, mesmo palco onde nasceu a história da companhia com ‘Gonzagão – A Lenda’
Com direção de Inez Viana, texto de Braulio Tavares e Ana Carbatti e direção musical de Alfredo Del-Penho e Beto Lemos, espetáculo foi idealizado e produzido pela Sarau Cultura Brasileira
Gonzaguinha (1945-1991) cantou o Brasil e os brasileiros. Ao longo de sua trajetória, construiu uma obra contundente e também profundamente afetiva. Falou de liberdade, tocou nas feridas da desigualdade e dos embates políticos, mas também cantou o amor, a esperança, o desejo e a alegria de estar vivo. Em uma carreira interrompida precocemente aos 45 anos, deixou canções como ‘O Que É, O Que É?’, ‘Explode Coração’, ‘Sangrando’, ‘Começaria Tudo Outra Vez’ e ‘Grito de Alerta’, que hoje fazem parte da memória afetiva de gerações de brasileiros.
Ele é o protagonista de ‘Gonzaguinha É’, musical que marca o retorno da companhia Barca dos Corações Partidos aos palcos. Com estreia marcada para 25 de setembro, o grupo retorna ao mesmo Teatro Sesc Ginástico em que estreou seu primeiro espetáculo, justamente sobre o pai de Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, celebrado em ‘Gonzagão – A Lenda’ (2012).
Idealizado e produzido pela Sarau Cultura Brasileira, o espetáculo tem direção artística de Inez Viana, texto de Braulio Tavares e Ana Carbatti e direção musical e arranjos de Alfredo Del-Penho e Beto Lemos. Ana Carbatti é também diretora assistente da montagem.
No palco, a Barca estará representada por Ádren Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos e Ricca Barros, que recebem as artistas convidadas Ana MaGa, Luiza Loroza, Nívea Magno e Thati Dias.
De volta ao começo
‘Gonzaguinha É’ não é um musical biográfico convencional. A montagem parte da trajetória e das canções do compositor para mergulhar nas muitas dimensões de um artista que transformou sua própria história em uma maneira de falar sobre o Brasil. Durante a encenação, cada um dos artistas assume o papel de Gonzaguinha e se revezam nos instrumentos musicais, o que já se tornou marca das criações da Barca.
‘O Gonzaguinha foi pensado também como uma maneira de a Barca olhar para a própria trajetória e para o seu começo como grupo de teatro, que aconteceu a partir do projeto do centenário do Luiz Gonzaga. Depois de termos visitado toda a obra do pai, foi muito natural querer falar sobre o filho. E acabamos chegando aos 80 anos de Gonzaguinha. Existe ainda uma relação muito próxima e afetiva que construímos com a família Gonzaga ao longo desses anos’, conta Andréa Alves, idealizadora e produtora artística do espetáculo e fundadora da Sarau Cultura Brasileira.
A ligação da Sarau com a família Gonzaga, porém, antecede a própria Barca. A produtora desenvolve projetos relacionados à obra da família há mais de duas décadas e, nesse percurso, construiu uma relação próxima de confiança. Essa parceria chega diretamente à criação de ‘Gonzaguinha É’. Nanan Gonzaga participa como consultora criativa da montagem e compartilhou com a equipe materiais do acervo pessoal do compositor que alimentaram a criação dramatúrgica da peça.
Este reencontro também fecha um círculo para a Barca. Desde ‘Gonzagão – A Lenda’, a companhia se consolidou como um dos grupos mais celebrados do teatro musical brasileiro, ao desenvolver uma linguagem própria na combinação entre teatro, música, dança e performance e tendo a cultura brasileira como matéria-prima de suas criações.
Ao longo dos últimos anos, o grupo realizou mais de 800 apresentações em mais de 60 cidades, alcançando um público superior a 600 mil espectadores. Seus trabalhos acumulam mais de 50 prêmios, entre eles Shell, APTR e APCA.

Gonzaguinha, um compositor que continua falando ao Brasil
Filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e da cantora Odaléia Guedes dos Santos, Gonzaguinha ficou órfão de mãe ainda criança e foi criado no Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro. A partir dos anos 1970, começou a pavimentar uma trajetória artística que o consolidou como um dos grandes nomes da música popular brasileira.
Sua obra atravessou os anos de Ditadura Militar e as lutas pela democracia, mas nunca se restringiu somente à dimensão política. Em suas canções convivem questões sociais, relações humanas, amor, esperança, infância e a crença na possibilidade de um futuro diferente.
Clássicos como ‘Explode Coração’, ‘É’, ‘Sangrando’, ‘Começaria Tudo Outra Vez’, ‘O Homem Falou’, ‘Grito de Alerta’ e ‘O Que É, O Que É?’ atravessaram décadas e seguem sendo gravados, ouvidos e interpretados por diferentes gerações. Morto precocemente, aos 45 anos, em 1991, Gonzaguinha permanece como uma presença viva na cultura brasileira.
‘A obra dele fala de um Brasil profundo, de um Brasil real. Gonzaguinha atravessou momentos de luta pela democracia e pela manutenção de direitos, mas, quando começamos a revisitar sua obra, percebemos o quanto seria reducionista enxergá-lo somente como um compositor político. Ele fala muito de amor, das crianças, do futuro e da esperança. Existe uma delicadeza enorme ali. É algo que queremos sublinhar no espetáculo’, analisa Andréa.
A permanência de seu legado ganhou recentemente uma imagem muito simbólica, quando Shakira cantou com Maria Bethânia ‘O Que É, O Que É?’ para cerca de dois milhões de pessoas na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
‘Essa é uma imagem poderosa da atualidade de Gonzaguinha e do lugar afetivo que sua obra ainda ocupa entre nós. Escolher Gonzaguinha e prestar essa homenagem é apostar em uma obra de enorme potência artística e profundamente brasileira. Porque Gonzaguinha continua dizendo coisas que precisamos ouvir’, reflete Leila Maria Moreno, diretora de Projetos da Sarau Cultura Brasileira.
Uma Barca que parte de Gonzagão para Gonzaguinha
O retorno ao universo da família Gonzaga tem um significado especial para a Barca e para a Sarau. Foi durante a criação de ‘Gonzagão – A Lenda’, em 2012, que se encontraram os artistas que pouco depois formariam a Barca dos Corações Partidos. Produzido pela Sarau durante as celebrações do centenário de Luiz Gonzaga, o musical estreou justamente no Teatro Sesc Ginástico. Agora, 14 anos depois, companhia e produtora retornam ao mesmo palco para olhar para o filho.
A concepção de ‘Gonzaguinha É’ partiu também do desejo de criar um musical que escapasse da estrutura convencional das biografias musicais. Para isso, Sarau e Barca reuniram um grupo de artistas que combina antigos parceiros e novos encontros.
Braulio Tavares, dramaturgo, escritor, poeta, compositor e pesquisador da cultura popular brasileira, retoma uma parceria com a companhia depois de trabalhos como ‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’ e ‘Jacksons do Pandeiro’.
A direção artística é de Inez Viana, em uma colaboração desejada há anos pela companhia. Além da afinidade artística, pesou na escolha sua própria experiência com o trabalho continuado em companhia e o interesse por seu olhar sobre um coletivo com uma trajetória tão particular.
A dramaturgia ganhou ainda a colaboração de Ana Carbatti, cuja história com a Sarau remonta aos primeiros anos da produtora. Em 1995, ela integrou como atriz ‘Forrobodó’, um dos primeiros espetáculos teatrais produzidos pela Sarau. Décadas depois, voltou a trabalhar com a produtora e com a Barca em ‘Museu Nacional – Todas as Vozes do Fogo’. Em ‘Gonzaguinha É’, assina o texto com Braulio e atua também como diretora assistente.
A equipe reúne ainda parceiros históricos da Barca e novos colaboradores. A direção musical e os arranjos são de Alfredo Del-Penho e Beto Lemos, integrantes da companhia desde sua formação. A direção de movimento é de Denise Stutz, a cenografia de Mina Quental, os figurinos de Carol Lobato, a iluminação de Ana Luzia Molinari de Simoni e o desenho de som de Gabriel D’Angelo.
Contar histórias brasileiras
‘Gonzaguinha É’ também dá continuidade a um princípio que acompanha a Sarau Cultura Brasileira desde sua criação, em 1992: contar histórias do país a partir de personagens, artistas e acontecimentos fundamentais para sua memória.
Ao longo de mais de três décadas, a produtora realizou mais de 260 projetos, entre eles mais de 50 espetáculos teatrais, 46 projetos musicais e 21 álbuns, além de festivais, exposições, livros e iniciativas dedicadas à preservação da memória cultural brasileira.
‘A importância de contar Gonzaguinha tem tudo a ver com o propósito da Sarau: contar histórias brasileiras a partir de brasileiros que ajudaram a construir a memória do país. No Brasil de hoje, precisamos ouvir esses grandes mestres que atravessaram momentos tão importantes da nossa história e que continuam nos ajudando a pensar quem somos’, diz Andréa.
GONZAGUINHA É
Direção artística: Inez Viana
Direção musical e arranjos: Alfredo Del-Penho e Beto Lemos
Texto: Braulio Tavares e Ana Carbatti
Diretora assistente: Ana Carbatti
Idealização e produção artística: Andréa Alves
Diretora de Projetos: Leila Maria Moreno
Elenco – Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos e Ricca Barros
Artistas convidadas: Ana MaGa, Luiza Loroza, Nívea Magno e Thati Dias
Coordenação de Produção: Hannah Jacques
Produção Executiva: Matheus Castro
Produtor Assistente: Wallace Lau
Desenho de som: Gabriel D’Angelo
Operador de som: Jorge Baptista
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
Operador de luz: Rommel Equer
Assistente de Direção Musical: Xandão Viana
Direção de Movimento: Denise Stutz
Cenografia: Mina Quental
Figurino: Carol Lobato
Projeto gráfico: Beto Martins
Assessoria de Comunicação: Pedro Neves
Consultoria Criativa: Nanan Gonzaga
SERVIÇO
GONZAGUINHA É
Temporada: 25 de setembro a 25 de outubro de 2026
Local: Sesc Ginástico – Rio de Janeiro
Horários: quintas e sextas, às 19h; sábados e domingos, às 17h
Abertura das vendas: 8 de setembro de 2026
Ingressos – quintas e domingos:
R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia-entrada) | R$ 16,50 (credencial convênio empresário) | R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) | Gratuito para público cadastrado no PCG
Ingressos – sextas e sábados:
R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia-entrada) | R$ 16,50 (credencial convênio empresário) | R$ 15 (credencial plena Sesc e conveniados) | Gratuito para público cadastrado no PCG
Lei Rouanet
Patrocínio: Itaú
Realização: Sarau Cultura Brasileira | Alvoroço Criação e Produção Cultural | Sesc – Serviço Social do Comércio | Ministério da Cultura












