O Neguinho da Beija Flor Musical foto de Nil Caniné (21)
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Musical percorre a trajetória do cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor

Um dos maiores artistas da história do carnaval carioca, o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor tem sua trajetória extraordinária apresentada no espetáculo “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”, com direção de Luiz Antonio Pilar e texto de Aydano André Motta, que estreia em 10 de setembro de 2026 no Teatro João Caetano. A montagem tem patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural, e foi selecionada por meio de edital público. 

Depois de 50 anos ininterruptos como a voz da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, tendo cantado nos 15 títulos conquistados pela agremiação, ele se aposentou em 2025. São cinco Estandartes de Ouro conquistados na categoria de Melhor Intérprete e um sexto como Personalidade. A carreira musical também foi consolidada fora da Marquês de Sapucaí: foram mais de 40 discos lançados ao longo de sua trajetória. Mais de 30 canções do repertório que marcou o seu percurso integram a montagem.

Em cena, a longa história de amor, arte e resiliência será contada desde a infância, na extrema pobreza em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, até a consolidação como um artista de reconhecimento internacional. Nascido em 29 de junho de 1949, em Vila Isabel, Neguinho tornou-se intérprete oficial da Beija-Flor em 1975 e, desde sua estreia na avenida em 1976, participou de todos os desfiles pela mesma escola — a ponto de incorporar o nome artístico ao registro civil, passando a se chamar Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes. Criador do grito de guerra que se tornou marca registrada dos desfiles — o icônico “Olha a Beija-Flor aí, gente!” —, abriu caminho para que intérpretes de outras escolas passassem a adotar o mesmo recurso.

O ator Izak Dahora interpreta Neguinho da Beija-Flor, ao lado de um elenco de dez atores-cantores – Bruno Quixotte, Celso Luz, Ella Fernandes, Leandro Melo, Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita Floriano e Verônica Bonfim –, que interpretam diferentes personagens marcantes da vida do artista.

Idealizador e diretor da montagem, Luiz Antonio Pilar apresenta seu quinto musical biográfico — ele venceu o Prêmio Shell de Melhor Direção com “Leci Brandão – Na Palma da Mão” em 2024 —, tendo como ponto central um grande artista referência do samba-enredo. Em 2024, ao saber que o jornalista Aydano André Motta estava preparando uma biografia sobre Neguinho da Beija-Flor, Pilar o convidou para criar um texto para o teatro.

“Embora seja um musical biográfico, a montagem é uma interpretação ficcional a partir dos fatos reais que Aydano nos trouxe. Fizemos uma extensa seleção de músicas e criamos uma história que quebra a linha do tempo cronológica real. É uma peça para o público assistir cantando junto”, conta Pilar. “A profissão de muitos artistas é marcada por perdas, dificuldades e desistências pelo caminho. A trajetória do Neguinho é uma grande demonstração de resiliência, intuição e de que a arte precisa ser livre para sobreviver. Ele é um exemplo dessa força da arte”, diz o diretor.

Autor do texto, Aydano André Motta acompanha de perto o universo das escolas de samba desde 1988 e publicou diversos livros sobre o tema. Jornalista e pesquisador de carnaval e cultura popular, ele há décadas defende a valorização social do samba e de seus artistas — um posicionamento que atravessa toda a sua obra e que, segundo ele, dialoga diretamente com a trajetória de Neguinho. Roteirista da série documental “Neguinho da Beija-Flor – Soberano da Avenida” (Globoplay, 2025), Aydano faz sua estreia no teatro com “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”.

“Ele é um artista absolutamente empírico. Nunca fez aula de canto e saiu cantando, nunca aprendeu partitura e compôs inúmeras músicas. É um expoente dessa arte que o país ainda não sabe valorizar e que sempre foi uma das minhas causas. O Neguinho é um dos seus maiores símbolos”, diz Aydano.

Sob a direção musical de Matheus Camará e Rodrigo Pirikito, foram criados novos arranjos vocais que preservam a sonoridade original, aproximando as canções da musicalidade consagrada na obra de Neguinho da Beija-Flor. Em cena, além de Camará e Pirikito, a banda é composta por Thainara Castro, Pedro Ivo, Daniel Esperança, Wesley Lucas, Maycon Júlio e Érica Santos.

No roteiro musical estão sambas-enredo e músicas marcantes da carreira do artista: “O Campeão”, que virou hino oficial do Estádio do Maracanã; “Sonhar com Rei dá Leão”, samba-enredo de 1976, ano de sua estreia oficial como puxador e do primeiro título da Beija-Flor; “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!”, um dos sambas mais marcantes da história do carnaval carioca, interpretado por ele em 1989; e “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, enredo campeão de 2025, ano em que ele fez seu último desfile como intérprete oficial da escola. Outro sucesso é “Negra Ângela”, que, em 2008, ele cantou ao lado de Roberto Carlos no especial de fim de ano da TV Globo.

Rute Alves, uma das mais respeitadas e talentosas porta-bandeiras do carnaval carioca, assina o figurino do espetáculo. Nos últimos anos, Rute criou os figurinos dos musicais “Leci Brandão – Na Palma da Mão”, “Ruth & Léa”, “A Pérola Negra do Samba” e “Os Irmãos Timótheo da Costa”. Em suas criações, Rute destaca a importância de o público reconhecer o artista por meio do figurino. As peças pensadas para a montagem trazem referências marcantes, como o macacão usado há anos por Neguinho e o tom de azul emblemático da Beija-Flor, que dividem espaço com criações originais.

“O figurino do espetáculo tem mais de 50 peças, muitas delas artesanais. Temos uma Nanã — Orixá homenageada em enredos de escolas de samba — toda feita com mais de 1.000 fuxicos e 50 rosas feitas a mão”, exemplifica Rute Alves. “No carnaval, sou porta-bandeira; no teatro, figurinista. São funções bem distintas, mas é impossível não beber da fonte do carnaval porque os artistas mais talentosos estão dentro dos barracões: aderecistas, costureiras, modelistas, chapeleiros”, enumera a figurinista.

Para ambientar a história, a cenógrafa Lorena Lima transformou o palco sem coxias em um barracão de escola de samba. Uma grande estrutura de ferro e madeira remete aos andaimes usados na construção dos carros alegóricos, e é nela que os objetos cênicos — criados com materiais reciclados de carnavais passados — permanecem expostos e são revelados gradualmente ao longo da narrativa.

“Recebemos da Beija-Flor de Nilópolis um grande cesto de frutas de isopor usado no desfile do ano passado, ‘Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas’. A partir desse adereço, criamos novos objetos cênicos”, conta Lorena, que também investiu no garimpo de adereços na Sustenta Carnaval — uma iniciativa socioambiental que faz a coleta, triagem e redistribuição de fantasias e adereços descartados após os desfiles das escolas de samba. “A ideia era evocar o universo do carnaval sem reproduzi-lo literalmente. Mas é carnavalesco de alguma forma”, diz a cenógrafa.

Com uma trajetória marcada por coreografias premiadas à frente de comissões de frente no carnaval carioca, Patrick Carvalho assina a coreografia e a direção de movimento do espetáculo. Na preparação vocal, o cantor e ator Pedro Lima traz ao elenco sua experiência no teatro musical e na preparação de intérpretes de samba-enredo.

SERVIÇO

Temporada: 10/09 a 01/11 de 2026

Dias e horários: Quintas e sextas, às 19h. Sábados e domingos, às 17h

Local: Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro – Rio)

Ingressos:

Plateia — R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia-entrada)

Balcão Nobre — R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia-entrada)

Balcão Simples — R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada)

Bilheteria do teatro: Terça a sexta, das 13h às 18h. Sábados, das 15h às 18h

Classificação etária: 14 anos

Duração: 110 minutos

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