Captura de tela 2026 01 06
Agenda

Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte volta em cartaz em SP

A atriz, dramaturga e diretora Bruna Longo parte de sua experiência íntima com o falecimento de seu pai para propor uma reflexão sobre o tabu da morte no solo Queda de Baleia ou Canto para Dançar com a Minha Morte.  O espetáculo, que tem codireção de Vitor Julian, sucesso de público e crítica, tem nova temporada na capela do Cemitério do Redentor, no Sumaré, de 16 de janeiro a 8 de fevereiro de 2026.

E, para discutir esse tema tão humano e tão inescapável, a atriz imagina a própria morte. Na trama, ela acaba de morrer e procura elaborar o luto de si mesma, enquanto propõe uma reflexão sobre a relação humana com a finitude, o processo de eliminação do rito fúnebre nas sociedades capitalistas ocidentais, o medo, o silêncio e a negação da morte.

A dramaturgia por Bruna Longo

“Dia 26 de julho de 2022, às 01:52 da manhã, meu pai morreu. Ao meio-dia seguinte iniciou-se o velório. Às 16:00 seu corpo foi colocado dentro do jazigo da família no cemitério do Araçá, em São Paulo, capital. 

O que se seguiu foram dias de burocracias em bancos, cartórios, seguros. Dias que viraram semanas, meses. Nenhum convite a qualquer rito de passagem de uma realidade a outra. De filha a órfã. Todos os paradigmas mudaram subitamente. Nenhum tempo ou espaço para a elaboração. Nada. Não venho de uma família com crenças religiosas. Sou atéia, materialista. Não via, de imediato, nenhum caminho satisfatório para a elaboração da maior dor que já senti na vida. 

Dois dias depois da morte do meu pai, passei a usar o barro desse luto como material para meu trabalho. Iniciei o único caminho que a mim parecia possível para essa elaboração. Meu templo é o teatro, minha liturgia é a pesquisa artística, minha reza é a dramaturgia. E esse é o germe deste espetáculo. 

A morte é, para nós ocidentais, talvez o último intransponível tabu. Não falamos sobre ela. Não sabemos lidar com ela. No entanto, ela é também a única certeza inexorável. Num período histórico em que guerras, tragédias coletivas, violência, epidemias e pandemias são noticiadas em tempo real como nunca fora possível, e que a indústria cultural capitaliza em cima desses temas com espetacularização, a morte cotidiana se transformou em um assunto velado. 

O processo de morte foi higienizado, burocratizado. O avanço da ciência e da medicina prolongou nossas vidas, mas também mudou a forma como morremos. Não se morre mais em casa, mas em hospitais – lugares onde busca-se vencer a morte, muitas vezes prolongando o inevitável. Ritos fúnebres são cada vez mais rápidos, padronizados e industrializados – com o boom de cremações comerciais. 

A hipervalorização da juventude não quer nos deixar lembrar que morremos. Nós, homo sapiens sapiens. Sempre esquecemos o último sapiens do nosso gênero. Somos humanos que não só sabemos, mas sabemos que sabemos. Para muitos historiadores e antropólogos, o nascimento da cultura humana como a entendemos está ligado ao luto. 

A morte inspirou os primeiros ritos humanos, os primeiros hieróglifos, as primeiras histórias contadas em volta da fogueira. O nascimento da filosofia, da religião, da arte. Elaborar o luto inaugura quem somos, e, ao renunciarmos a isso, renunciamos a uma angústia metafísica essencial. Não falar da morte não a afasta, apenas a torna mais temerosa.”

Ficha Técnica

Direção, elenco, dramaturgia, cenografia, figurinos: Bruna Longo

Codireção e provocações dramatúrgicas: Vitor Julian

Provocações estéticas (figurinos e cenografia): Kleber Montanheiro

Visagismo: Fabia Mirassos

Sapatos: Marcos Valadão

Desenho de Luz: Gabriele Souza

Esqueleto de baleia: Paul Zanon

Cenotécnica: Evas Carreteiro

Provocações de movimento: Paula D’Ajello

Provocações de Kung Fu: Daniel Fusco

Preparação vocal: Jessé Scarpellini 

Trilha sonora incidental: L.P. Daniel

Direção de Produção: Paula Malfatti  

Ilustrações: Victor Grizzo

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Fotos: Danilo Apoena

Sinopse

Bruna Longo acaba de morrer e procura elaborar o luto de si mesma – a única coisa que não podemos fazer empiricamente – enquanto reflete sobre a relação humana com a finitude, o tabu da morte na vida cotidiana e o processo de eliminação do rito fúnebre nas sociedades capitalistas ocidentais. O espetáculo é inspirado na morte recente do pai da atriz.

Serviço

Queda de Baleia ou Canto para Dançar com Minha Morte

Temporada: 16 de janeiro a 08 de fevereiro de 2026

De sexta a domingo, sempre às 19h

Capela do Cemitério do Redentor – Av. Dr. Arnaldo, 1105 – Sumaré, São Paulo – SP, 01255-000

Ingressos: R$60 (inteira) e R$30 (meia-entrada)

Vendas online em Sympla

Duração: 80 minutos

Classificação: 12 anos

Lotação: 20 lugares

Deixe um comentário

Sugeridos
A Construção crédito Nil Caniné (16)
AgendaTeatro

 “A Construção”, solo com Marcelo Olinto, reestreia no Teatro Municipal Sérgio Porto

Escrita por Franz Kafka (1883-1924) seis meses antes de sua morte e...

Capitu e Bentinho foto de Eder Gaioski (3)
AgendaTeatro

“Capitu e Bentinho” estreia no Teatro Dulcina

Qual seria o casal mais célebre da literatura brasileira? Qual relação mexeu...

Squel Jorgea em “Squel, Confissões de uma porta-bandeira" - crédito: Donna Features
AgendaFestivaisFilmes

‘Squel, Confissões de uma porta-bandeira’ ganha première no Festival do Rio

Após se aposentar em 2022, Squel Jorgea decide voltar ao Carnaval do...

Crédito: Kay Marinho
AgendaInfantilTeatro

“Alice, Um Musical” estreia no Teatro Nathalia Timberg, no RJ

Com direção de Rafaela Amado, direção musical de Anna Hannickel e direção...

Carolina Chalita em Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria - Crédito fotográfico Juliana Chalita
AgendaLiteraturaTeatro

“Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria” chega ao CCPJ

Indicada ao Prêmio APTR, Carolina Chalita faz tour da peça que mergulha...

Suely Farhi barriga still de vídeo Foto Berthe Salego
AgendaArtes Visuais

Exposição “As Palavras”, de Suely Farhi

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) abre, no dia 13 de outubro...

Emilia Monteira Divulgação
AgendaShows

Emília Monteiro leva “Amazônica” ao Rio

Com repertório que funde marabaixo, carimbó, brega e tecnobrega a arranjos contemporâneos,...

Cristiane Martins Série As Revoltosas 2024 detalhe de obra Fotos Micaela Mesant
AgendaEducação

Oficinas gratuitas de capacitação para mulheres no CCBB RJ

Como parte da exposição “Amazônicas: Poéticas femininas”, serão realizadas em outubro duas...

Atrações do festival
AgendaMúsicaShows

Bossa Nova Sessions ocupa o Leblon com 18 shows

Teatro Café Pequeno recebe o festival que coloca a bossa nova em...

Captura de tela 2026 09 24
AgendaInfantilTeatro

A Menina Que Inundou o Mundo no Teatro Sérgio Cardoso

Com dramaturgia de Andressa Secchin e Laura Sciulli, a montagem trata de...

Untitled design
AgendaShowsTeatro

Cine Concerto Titanic estreia no Brasil

Pela primeira vez, espetáculo reúne a exibição de Titanic à execução ao vivo de...

Murilo Lopes como Mogli - Crédito Erick Moura
AgendaInfantilTeatro

“Mogli, O Musical” estreia no RJ

Com grande elenco, 10 canções originais, cinco cenários e mais de 20...