Rodrigo Portella dirige ‘As crianças’ com Analu Prestes, Mario Borges e Stela Freitas

Depois dos recentes “Tom na Fazenda”, “Insetos” e “Nerium Park”, o premiado diretor Rodrigo Portellaestreia em janeiro “As Crianças”, texto da jovem e também premiada dramaturga e roteirista inglesa Lucy Kirkwood. No elenco estão três veteranos e colegas de longa data: Analu Prestes(que acaba de trabalhar com Rodrigo em “Tom na Fazenda”), Mario Borges e Stela Freitas.

“As Crianças”, que estreou com grande sucesso em 2016 em Londres, levanta duas camadas de reflexão: num nível individual, fala da relação do ser humano com a passagem do tempo e seu inventário de perdas e ganhos; e num nível coletivo, trata de discussões éticas sobre a responsabilidade com o uso dos recursos do planeta e com as gerações futuras. Reparação e redenção são temas dessa peça que volta seu olhar para os catastróficos resultados da interação entre os humanos e a natureza.

“A discussão da peça está pra além da questão nuclear. Ela nos provoca a pensar em como usamos os recursos disponíveis. Entendo que Kirkwood quer que pensemos em nossa responsabilidade com as futuras gerações. Pra mim a grande pergunta da peça é: salvar as crianças de um futuro catastrófico é um ato de heroísmo ou uma obrigação?”, questiona o diretor.

SINOPSE

O casal de físicos aposentados Dayse (Analu Prestes) e Robin (Mario Borges), vive só e sem vizinhos numa casa improvisada perto da costa, numa região inóspita assolada por um acidente nuclear. Após uma ausência de quase quarenta anos, Rose (Stela Freitas), antiga colega de profissão e amiga, chega a essa casa com uma missão que poderá mudar para sempre a vida do casal. Para complicar as coisas, Robin teve uma relação com Rose no passado.

A DRAMATURGIA

Estruturalmente, a peça se sustenta pelo desvendamento progressivo dos sentimentos desses personagens que, aos poucos, vão mostrando não só seus problemas afetivos, mas também a profunda crise ética em relação a seu papel na sociedade em que vivem.

Paralelamente à questão nuclear, o texto investe nas particularidades da vida desses três indivíduos – sua relação com os filhos (ou a opção por não tê-los), a proximidade da morte, a traição, as omissões, a fantasia e o desejo. Trata-se de um grande desastre a espelhar os pequenos desastres de três vidas.

UM CHÃO DE BRITA – 2 TONELADAS DE PEDRAS NO PALCO

O chão do palco estará recoberto por duas toneladas de brita (fragmentos de rocha triturada), evocando a aridez do universo daqueles personagens. Em cena, além das pedras, uma grande e comprida mesa e algumas cadeiras.

Quem explica é Rodrigo Portella: “O texto de Lucy Kirkwood me parece ser uma dessas obras que dispensaria a concretude da cena. Cheguei a pensar que os atores poderiam se sentar em um palco vazio e falar rubricas e diálogos sem precisar fazer qualquer coisa. Eu gosto de contar com a imaginação do público. O teatro é ‘precário’ por natureza e é nessa precariedade que enxergo sua potência; uma vez que o ‘palco’ nunca dará conta de toda a realidade da fábula. Assim cada espectador usa de sua imaginação e memória para viver uma experiência singular.  Como quem lê um livro, por exemplo. Nesse caso, como se o próprio livro se lesse sozinho para o espectador. Pra mim ‘a coisa toda’ acontece no encontro dos imaginários. Por isso a cozinha onde se passa a peça não precisa ser materializada, a salada não precisa existir e os atores nem precisam comer. Essa desobrigação me abre espaço para a criação de uma outra dimensão dentro da obra: mais aberta, evocativa, múltipla e ao mesmo tempo particular.”

 A PEÇA NA LINHA DO TEMPO

Desde os anos 1950, no pós-guerra, quando o mundo tentava digerir a tragédia desencadeada pelas bombas atômicas detonadas em Hiroshima e Nagasaki, a energia nuclear tornou-se o centro das atenções – para o bem ou para o mal. O mundo passou a refletir sobre seus benefícios e malefícios. Que discurso ético sustentaria o extermínio de milhares de pessoas com sofrimentos indizíveis?

O sofrimento estampado nas imagens das vítimas no Japão ainda hoje assombra o planeta. Afinal, foi para isso que a ciência avançou? As dúvidas, porém, não inibiram o avanço das pesquisas, a busca desesperada pelo poder através da manipulação da ciência e especificamente da energia nuclear.

A Guerra Fria que se seguiu, entre Estados Unidos e União Soviética, evidencia essa disputa. Possuir reatores atômicos torna “respeitáveis” as grandes potências. Estão aí os seguidores desta cartilha, como o dirigente da Coreia do Norte, que faz o mundo tremer com suas experiências em águas internacionais. Parecem não importar os acidentes catastróficos já ocorridos – é só lembrar de Chernobyl – e as consequências devastadoras para populações indefesas, que continuam morrendo sob o efeito da contaminação.

FICHA TÉCNICA

Texto: Lucy Kirkwood
Tradução: Diego Teza
Direção: Rodrigo Portella
Elenco / Personagem:
Mario Borges / Robin
Analu Prestes / Dayse
Stela Freitas / Rose
Assistência de Direção: Mariah Valeiras
Cenário: Rodrigo Portella e Julia Deccache
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Figurino: Rita Murtinho
Trilha Sonora Original: Marcelo H e Federico Puppi
Preparação Corporal: Marcelo Aquino
Programação Visual: Fernanda Pinto
Produção Executiva: Bárbara Montes Claros
Direção de Produção e Administração: Celso Lemos
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Serviço

Estreia: dia 11 de janeiro (6ªf), às 21h
LOCAL: Teatro Poeira – Rua São João Batista, 104 – Botafogo / RJ Tel: 2537-8053
HORÁRIOS: 5a a sábado as 21h, dom às 19h
INGRESSOS: R$ 60,00 e R$ 30,00 (meia)
horário bilheteria: 3a a sab das 15h às 21h e dom das 15h às 19h
DURAÇÃO: XX min
CAPACIDADE: 145 espectadores
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos
TEMPORADA: até 31 de março