Sesc Interlagos recebe exposição ‘Rios DesCobertos – Dos Jerivás aos Pinheiros’

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Dos Jerivás aos Pinheiros é a oitava edição do projeto de sensibilização socioambiental Rios DesCobertos, que apresenta ao público a extensa bacia hidrográfica da cidade de São Paulo, em quase sua totalidade já escondida e coberta por ruas e avenidas. Nesta exposição, o Rio Pinheiros é navegado de forma provocadora e interativa, recriando as trilhas que levaram a história de um dos mais importantes cursos d’água da cidade ao desconhecimento.

Rios DesCobertos – Dos Jerivás aos Pinheiros remonta a história do Rio Pinheiros e as mudanças nas bacias hidrográficas dos rios desde a chegada dos portugueses em nosso território. A exposição discorre sobre o passado pré-colonial e a forma como os povos indígenas se relacionavam com o rio. Muito diferente do rio que conhecemos hoje, o Pinheiros dos tempos coloniais era chamado de Jurubatuba, que significa “terra dos Jerivás” – o rio era, de fato, cercado por muitas palmeiras Jerivás. O atual nome foi dado pelos jesuítas que criaram um aldeamento indígena e o batizaram de Pinheiros – desta vez, por conta da grande quantidade de araucárias que havia na região. Foi a partir da presença dos colonizadores que o curso do rio sofreu alterações para favorecer os processos de urbanização. Os impactos que a mudança do rio gerou são, também, discutidos na exposição.

Na mostra, artistas, pesquisadores, professores e designers se utilizam de recursos artísticos e tecnológicos para uma viagem no tempo pela história deste que é um dos principais rios de São Paulo. A proposta é provocar um olhar cuidadoso para a relação do processo de urbanização da cidade com o rio, a partir de uma abordagem territorial, desde suas nascentes até a sua foz, considerando os aspectos físicos, biológicos, geográficos e geomorfológicos, antropológicos e ambientais. Por meio de recursos lúdicos em arte multimídia, a exposição sugere resgatar relações afetivas e reconexão com o rio, traçando uma topografia ampla que revela a vitalidade dessas águas e as interferências humanas que a ladeiam. Através de um trabalho de sensibilização do público para os cursos d’água que desapareceram, o projeto busca resgatar a memória afetiva e a empatia da população para os nossos rios. “É um trabalho de resgate”, afirma Charlie de Oliveira, diretor e fundador do Estúdio Laborg. “Ao explorarmos a história do Rio Pinheiros nos deparamos com uma diversidade de identidades e culturas que atravessaram o rio ao longo do tempo. Primeiro foram os povos originários, depois os colonizadores, a mão de obra escrava africana, os imigrantes. Resgatar essa trajetória nos dá a dimensão da importância dessa história na formação de identidade do paulistano”, complementa.

A exposição procura dar conta da contextualização histórica do rio, que extravasa o curso d’água que atravessa a cidade de São Paulo: ele começa na Serra do Mar e chega até a capital paulista. Um dos propósitos da mostra é reavivar a memória do que já foi o rio e sua importância para as comunidades ribeirinhas que dele se nutriam. E um dos eixos é a acessibilização dos conteúdos para que o povo Guarani visite a exposição se reconhecendo nessa narrativa. Rios DesCobertos – Dos Jerivás aos Pinheiros disponibiliza áudios em tupi-guarani de todas as obras, preservando a tradição oral dessa etnia.

HISTÓRIAS ENTRE LAGOS

Assim como a região onde está inserida, esta unidade do Sesc recebe o nome Interlagos em referência à sua localização: entre dois lagos artificiais, formados a partir das represas Guarapiranga, implantada em 1908, e Billings, implantada em 1927. Importantes mananciais responsáveis pelo abastecimento de água e de energia elétrica de parte da Região Metropolitana de São Paulo. Ao longo dos últimos anos, o Sesc Interlagos desenvolve a recomposição das suas áreas verdes e matas ciliares aliado a um programa de educação socioambiental. Como parte relevante dessa ação, o Viveiro de Plantas, formado por espaços verdes educadores, convida o visitante a interagir com a natureza, sensibilizando-o para a importância das áreas verdes urbanas e para seu papel como agente transformador da cidade. O que permite enriquecer ainda mais a temática da exposição que oportuniza uma viagem no tempo pela história de um dos principais rios da capital paulista.

O QUE ENCONTRAR NA EXPOSIÇÃO

Por meio de instalações, mapa, maquete, projeções, depoimentos e muita história, a mostra utiliza-se de recursos de acessibilidade com audiodescrição, libras, recursos táteis e tradução na língua tupi, instigando o público a percorrer por um vasto conteúdo distribuído por todo o espaço expositivo. As curiosidades, fatos e informações são apresentadas com possibilidade de construção de narrativas diversas pelo próprio visitante proporcionando experiência direta com os conteúdos. Uma maquete topográfica e interativa, marca registrada do projeto, é cuidadosamente iluminada por projeções, apresentando todo o curso do rio Pinheiros e de seus afluentes, desde as nascentes na Serra do Mar até sua foz no rio Tietê.

Por fim, a exposição apresenta a instalação Rio, que mostra as diferentes intervenções de engenharia na bacia hidrográfica do rio Pinheiros, em particular o “Projeto Serra” que alterou definitivamente a forma do rio e a ocupação de suas margens. Obras que foram decisivas para que a cidade chegasse à sua forma atual.

A mostra conta com uma equipe de educação multidisciplinar que conduzirá as visitas mediadas em grupo, cujo principal objetivo promover a educação para sustentabilidade e interação com as escolas.

SERVIÇO

Exposição: Rios DesCobertos – Dos Jerivás aos Pinheiros
Quando: de 15 de abril a 10 de dezembro de 2023
Horário: quarta a domingo e feriados, das 10h às 16h30.
Local: Hall de Exposições
Acessibilidade: Audiodescrição. Libras. Recursos táteis.
Classificação: Livre
Agendamento de grupos: https://www.sescsp.org.br/agendamentointerlagos
SESC INTERLAGOS
Endereço: Av. Manoel Alves Soares, 1100
Horário de funcionamento: Quarta a domingos e feriados, das 09h às 17h.
Acessibilidade: Parcial

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