Para celebrar o centenário de Tom Jobim, um dos maiores nomes da música brasileira, a exposição itinerante Jobim-açu chega a São Paulo com uma experiência imersiva e gratuita inspirada na relação do compositor com a natureza. A mostra poderá ser visitada de 4 a 16 de agosto, das 10h às 17h, no Bulevar do Rádio, ao lado do Sesc Avenida Paulista (Av. Paulista, 119).
Com curadoria do jornalista Hugo Sukman e da cineasta Daniela Thomas, que também assina a direção artística, Jobim-açu transforma um caminhão em uma exposição itinerante e imersiva dedicada ao compositor.
O título Jobim-açu dialoga diretamente com a canção ‘Querelas do Brasil’, de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Na letra, Aldir une o sobrenome do compositor ao sufixo tupi açu, que significa “grande”. A canção, que celebra a diversidade cultural e natural do país ao mesmo tempo em que denuncia sua destruição, traz Tom como um dos grandes intérpretes da brasilidade e alguém que transformou a fauna, a flora, as águas e as paisagens do Brasil em linguagem musical.
“Tom enxergava a floresta como patrimônio cultural. Ele costumava dizer que toda a sua obra havia sido inspirada pela Mata Atlântica. O músico compreendeu cedo que a biodiversidade brasileira não era apenas cenário, mas linguagem. A exposição parte justamente dessa convicção, mostrando como rios, árvores, aves e estações do ano inspiraram sua produção artística e moldaram sua maneira de pensar o Brasil”, conta Sukman.
No Caminhão de Histórias, a experiência começa antes mesmo da entrada. Envelopado com uma obra inédita de Danilo Zamboni, arquiteto e ilustrador, o caminhão se transforma em uma extensão da paisagem que moldou o imaginário de Tom, convidando o visitante a atravessar uma floresta feita de imagens, sons e tecidos suspensos.
A proposta da direção artística de Daniela Thomas é fazer com que o público atravesse uma espécie de “clareira poética”, em que música, memória e natureza se entrelaçam. No interior da mostra, tecidos suspensos recebem trechos de canções, fotografias e imagens de diferentes momentos da vida do compositor, enquanto um grande painel reúne registros biográficos que acompanham sua trajetória.
“Transformar um caminhão em um pedaço da Mata Atlântica significava criar um espaço onde as pessoas deixassem a cidade por alguns instantes. Trabalhamos com tecidos, imagens, sons e com o traço delicado de Zamboni para que cada visitante tivesse a sensação de atravessar a paisagem que alimentou a imaginação de Tom. É uma cenografia que convida a olhar para cima, ouvir os pássaros, perceber a luz e compreender que aquela floresta sempre esteve presente na música dele. A sensação é a de caminhar pela floresta que Tom tantas vezes traduziu em sons”, afirma Daniela.
Canções como ‘Passarim’, ‘Matita Perê’, ‘Águas de Março’, ‘Borzeguim’ e ‘Chovendo na Roseira’ aparecem como parte de uma narrativa que demonstra como a natureza deixou de ser pano de fundo para ocupar o centro de sua obra.
A experiência segue do lado de fora do caminhão. Cinco estações compostas por 20 painéis apresentam, por meio de textos breves e um amplo conjunto iconográfico, a trajetória de Tom Jobim, da infância até o reconhecimento internacional como um dos maiores compositores do século XX. Banquinhos convidam o público a permanecer no espaço, folhear os materiais disponíveis e desacelerar o ritmo da visita, transformando a praça em um ambiente de convivência e contemplação.
A ambientação sonora também acompanha essa narrativa. Duas playlists foram especialmente elaboradas para diferentes momentos da programação. “Durante a semana, estudantes serão recebidos por uma seleção dedicada às composições em que a natureza ocupa lugar central, ampliando o caráter educativo da exposição. Aos fins de semana, o repertório incorpora clássicos que atravessaram gerações, como ‘Chega de Saudade’ e ‘Se Todos Fossem Iguais a Você’, aproximando novos públicos da riqueza da obra de Jobim”, conta Daniela.
Serviço: Exposição Jobim-açu
Data: De 4 a 16 de agosto (segunda a domingo)
Horário: das 10h às 17h
Local: Bulevar do Rádio, ao lado do Sesc Avenida Paulista (Av. Paulista, nº 119 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01311-000) Entrada gratuita












