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O Jogo e o Tempo de Paulo Climachauska

O artista plástico paulistano Paulo Climachauska é conhecido pelo trabalho que executa através de contas de subtração. Com a exposição “Re-subtrações”, desenvolvida especialmente para o Oi Futuro do Flamengo, é a primeira vez que os sistemas de contas não estão desenhados no trabalho do artista. A série de obras inéditas também envolve os sistemas numéricos, mas não de forma explícita. O público encontrará um belo trabalho que tem como base de investigação o jogo e o tempo.

Como pontapé inicial para os questionamentos que Climauchauska nos convida, encontramos a série “Tic – Tac” que ocupa o segundo andar do Oi Futuro: são 14 painéis em fórmica que representam a sombra de um relógio de sol, nas diferentes horas do dia. Uma forma de representar, sem números, como o tempo tem influência sobre o homem.

No quarto nível, encontramos a série “Blefe” com versos de cartas de baralho de padrões geométricos, que fazem referência à arte construtiva de 1950. O artista, com o próprio nome da série, levanta a questão: “É arte ou blefe?”. Você acha que é pintura, mas na verdade, os losangos, círculos e quadrados, garimpados ao redor do mundo, são estampados nas telas através do processo de impressão silkscreen.

Blefe

Ainda no mesmo andar, você se depara com “Modelo para armar”, série onde Climachauska utiliza das possibilidades estéticas do jogo infantil “Pega-varetas”.  No jogo, o feixe de varetas é jogado ao acaso na mesa, formando formas geométricas. Na exposição, uma instalação representa o jogo, com 28 varetas gigantes de alumínio sobrepostas no chão na forma como foram lançadas.

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Complementam as séries “Tic – Tac”  e “Modelo para armar”, três vídeos inéditos no trabalho do artista que até então não havia utilizado nem vídeo ou fotografia em suas exposições. Os vídeos remetem ao jogo, ao tempo e ao acaso, à estratégia, ao inexorável e ao imprevisível. Climachauska busca desvendar a fragilidade, a impermanência e a inconsistência da vida.

Para encerrar a exposição, encontramos a obra “O dia em que a Terra Parou” que faz referência ao título do filme “The Day the Earth Stood Still” de Robert Wise. A obra é um relógio de sol, construído em granito preto absoluto. Posicionado de ponta cabeça, a base vira verticalidade e o ponteiro vira base. Assim, o ponteiro vive em sombra e já não marca mais o tempo.

Vale à pena conferir o trabalho de Paulo Climachauska que não fazia uma individual no Rio há cinco anos.  A exposição que tem curadoria de Alberto Saraiva fica em cartaz até o dia 17 de março, no Oi Futuro do Flamengo.

Serviço

  • Oi Futuro Flamengo (Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo)
  • De terça a domingo, das 11 às 20h.
  • Até 17 de março, níveis 2, 4 e 5.
  • Entrada Franca
  • Classificação Etária: Livre
  • Informações: (21) 3131 3060

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