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A Surda Absurda (2022), uma jornada sensorial à empatia

A mais nova série infantil da Apple TV+ é a animação A Surda Absurda (El Deafo), adaptada do livro de mesmo nome, escrito por Cece Bell que tem tudo a ver com acessibilidade.

A narrativa foca em uma garotinha que perde a audição pouco antes do início das aulas. Ela passa por desventuras enquanto aprende a navegar pelo mundo com a ajuda de seu alter ego imaginário de super-herói. E ela aprende a se amar nessa jornada.

Análise

Na década de 1970, a coelha Cece (dublada por Abigail Catalano e Lexi Finegan) é uma garota  despreocupada com uma família amorosa. Um dia, tudo muda para Cece, após sobreviver a uma terrível infecção que lhe rouba a audição, se torna confusa com tudo aquilo; enquanto os adultos em sua vida lentamente entendem o que está acontecendo com ela.

Equipada com aparelhos auditivos, Cece acaba entrando no ensino fundamental, ainda mais se agrava com os problemas agravados pela natureza já precária de atingir a maioridade quando jovem.

Assim, a dinâmica escolar usual se torna ainda mais estranha e difícil porque Cece tem que se perguntar se as pessoas estão sendo rudes ou tratando-a de forma estranha por causa de sua deficiência auditiva.

O único método de fuga da personagem vem na forma de seu programa de TV favorito, sobre um super-herói chamado Mightybolt. O heroísmo lhe passa uma ideia de como lidar com colegas chatos na escola, ou com o distanciamento social ou com qualquer um dos outros problemas que surgem em sua vida cotidiana.

Como seu alter ego super-herói A Surda Absurda, que fantasia em sua mente, ela ganha confiança para enfrentar os valentões, para dizer à mãe como ela se sente sobre sua audição e como o mundo a vê, e para ser mais sincera com ela e com seus amigos sobre suas necessidades.

A graphic novel de Cece Bell se tornou um sucesso silencioso, vendendo milhões e ganhando diversos prêmios. No Brasil, a edição é da Geektopia e já é considerado um fenômeno da atual literatura infantil em quadrinhos. Will McRobb, roteirista de Alvin e Os Esquilos (2007), fez um trabalho fantástico preservando a aparência da arte original de Bell.

A série é elegantemente e fluidamente animada. E o estilo de animação é único o suficiente para que não seja comparado com outros trabalhos, e sem ser radical para com o seu público principal, as crianças.

E faz uma jornada sensorial, pois McRobb, Bell e a diretora Gilly Fogg (Bob, o Construtor ) tiveram uma ideia verdadeiramente singular para representar o mundo como a protagonista o sente. O som segue uma orientação que ambienta a dificuldade auditiva. Se alguém não está olhando para Cece quando fala, e ela não consegue ler seus lábios, o áudio fica baixo e com falhas. Soa exatamente como seria para alguém que usa um aparelho auditivo com defeito.

Isso pode ser ruim para as crianças que procuram uma visualização fácil – mas esse é exatamente o ponto. A Surda Absurda é sobre empatia, sobre tentar ensinar às crianças sobre pessoas que vivem vidas completamente separadas de sua própria perspectiva.

E é nesse ponto que a série chega a ser sentimental demais. As perfomances dos personagens são tão comoventes quando estão lidando com os humores e as tristezas da infância, que esmagam os mais velhos, como estivéssemos na sala com uma criança chorando. E emociona muito, algumas cenas, uma ou duas vezes por episódio. A sensação que passa é que queremos que sejam somente felizes.

Não temos memórias exaustivas, são somente 3 episódios, e a série é relativamente simples no quesito narrativo, observando momentos da vida de Cece, lidando com problemas da melhor maneira possível. O humor está presente, junto com aqueles medos da infância, mas toda a série é tão lindamente humana, lidando com as experiências da personagem.

A Surda Absurda é uma valiosa ferramenta educacional para todos os públicos, apresentando uma experiência sensorial fascinante, mantendo os espectadores próximos de Cece, incentivando uma compreensão mais profunda da perda auditiva e a empatia pela comunicação. Uma minissérie intimista, rica em sentimento e inventiva na comunicação de suas ideias.

Nota: Excelente – 4 de 5 estrelas

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