Amor & Morte: minissérie sobre crime real prende o espectador do início ao fim

Minissérie tem ingredientes para agradar a todos


Amor e morte destacada

Esta crítica tem spoilers!


Crimes sempre fascinaram o audiovisual, desde “O Grande Roubo do Trem”, de 1903, e sua famosa última cena com um homem apontando um revólver para a câmera. Com o crescimento da demanda por produtos audiovisuais – que veio da popularização do cinema à era dos streamings competindo entre si – foi nas manchetes das páginas policiais que muitos produtores, diretores e showrunners foram buscar inspiração. Amor & Morte, nova minissérie original da HBO Max, reconta um crime acontecido numa cidadezinha do Texas no início dos anos 80 – e mostra um mergulho nas profundezas da mente de uma assassina.

Após o divórcio da pastora de sua igreja, Candy (Elizabeth Olsen) percebe que não quer viver uma vida que seja apenas “satisfatória”. Ela confessa então sua atração pelo colega de congregação Allan (Jesse Plemons) e inclusive pergunta “você quer ter um caso comigo?”, ao que ele recusa. Mas só de início. Depois de colocarem os prós e contras na balança e fazerem um longo e minucioso planejamento, Candy e Allan iniciam um caso extraconjugal.

Amor & Morte

Mas o inesperado acontece. O casamento de Allan e Betty (Lily Rabe), que ia mal, se revigora após um encontro matrimonial parecido com um retiro para falar de sentimentos. O caso extraconjugal tem fim, e Candy e o marido Pat (Patrick Fugit) também participam do retiro, para consertar os erros de seu casamento. Pat descobre o caso ao encontrar uma carta de amor de Allan para Candy. Betty também descobre sobre o caso e, num confronto, Candy mata Betty com um machado.

No julgamento, a promotoria e a mídia pintam Candy como um monstro desalmado, enquanto o advogado de defesa pede que ela use roupas modestas e óculos de grau no tribunal. As cenas com testemunhas são potentes, em especial a sequência com o médico legista em que são mostradas fotos que podem incomodar os mais sensíveis. Mas será no depoimento final que Candy colocará toda sua energia e Elizabeth Olsen, seu talento.

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A única pessoa que sabe de antemão sobre o caso de Candy e Allan é a melhor amiga de Candy, Sherry (Krysten Ritter). A amiga também defende o nome e a honra de Candy durante o julgamento, confrontando as más línguas que insistem em julgar Candy sem estar no júri. Completam o elenco da minissérie Keir Gilchrist – mais conhecido como o protagonista da série “Atypical” da Netflix – como o novo pastor de quem Betty não gosta, e Tom Pelphrey como o perspicaz advogado de defesa de Candy.

 A trilha sonora da série é fantástica. Os acontecimentos narrados são datados a partir de 1978, auge da música disco, e também momento em que estavam em todas as paradas de sucesso grupos sensacionais como ABBA e Bee Gees. A música vem de diversos locais, desde uma festa ao rádio no carro de Candy, e cada escolha musical é sempre um acerto.

Amor & Morte

Amor & Morte foi criada e escrita para a TV por David E. Kelley, e teve alguns episódios dirigidos pela também produtora Lesli Linka Glatter. Kelley é mais conhecido como o criador de “Big Little Lies” e de “The Undoing, duas outras séries de sucesso sobre assassinatos, enquanto Lesli – que já foi indicada ao Oscar de Melhor Curta-metragem live-action no longínquo ano de 1985 – já dirigiu episódios de diversas séries populares, como “The Walking Dead”, “Mad Men” e “Homeland”.

A mesma história de Amor & Morte foi contada na minissérie “Candy”, de 2022, estrelada pela atriz Jessica Biel. Quem viu as duas minisséries garante que “Candy” é melhor, com mais foco em todos os personagens e melhor caracterização dos atores. Por outro lado, segundo usuária do aplicativo TV Time, as atuações e a direção de Amor & Morte são superiores, com personagens que parecem reais, não caricaturas.

Amor & Morte

Elizabeth Olsen está muito bem como a protagonista de Amor & Morte – e este elogio vem de alguém que não faz parte de seu fandom, grupo de fãs que na internet se referem à atriz como “mother”. Com seus grandes e expressivos olhos, Elizabeth tem vários bons momentos, mas o melhor vem mesmo numa sequência de hipnose. A cena da morte em si de Betty é outro destaque: muito bem coreografada, pode ser um pouco sanguinolenta demais para uma parcela do público.

Quem gosta de true crime vai se amarrar na minissérie. Os fãs de dramas de tribunal também terão um julgamento eletrizante para curtir. A fanbase de Elizabeth Olsen é mais uma que está muito bem servida com Amor & Morte. Uma história real, filmada como entretenimento no mais puro significado da palavra, sem perder de vista o complexo e o grotesco da história toda: esta é uma minissérie que vai agradar à maioria dos espectadores.

Amor & Morte

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Nota: 8/10 Excelente
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