Balanço do segundo final de semana do The Town

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O The Town abriu sua segunda semana no feriado do dia 7 de setembro, o mais vazio e desanimado do evento. Ludmilla abriu os trabalhos no palco Skyline e recebeu a presença de Lulu Santos para cantar o sucesso dele, Toda Forma de Amor. Ludmilla fez em 2022 um dos shows mais elogiados e concorridos daquela edição do Rock In Rio e muitos fãs criticaram o fato de ela estar no palco Sunset. No The Town ela ganhou o palco principal, o Skyline, mas seu show foi cedo demais, às 16 horas, com dia claro ainda. Merecia se apresentar à noite.

Angélique Kidjo fez um show vibrante e cheio de representatividade no palco The One. A cantora e ativista beninense de 63 anos é ganhadora de quatro prêmios Grammy, foi eleita pela revista “Time” uma das pessoas mais influentes do mundo e é embaixadora da Unicef e criou sua própria fundação, a Batonga, dedicada a apoiar a educação de jovens meninas na África. Apesar dos predicados, foi pouco vista. Colocada entre os shows de Ludmilla e Joss Stone, pouca gente quis se deslocar do palco Skyline para assistir à artista, que, convenhamos, não é lá muito conhecida do público majoritariamente jovem presente em Interlagos.Os momentos mais animados foram na versão de ‘Once in a Lifetime’ e em ‘Pata Pata’, da sul-africana Miriam Makeba, que Angélique regravou em 2020.

Joss Stone foi substituta de que cancelou o show e se mostrou uma substituta à altura. Com uma voz gigantesca e presença de palco, fez o que pode ser considerado o melhor show da noite (até por não ter muita concorrência). Chainsmokers, Masego e Ne-Yo fizeram o feijão com arroz. Maroon 5 foi apenas eficiente, sem ser brilhante.

O dia do rock (sábado dia 9) sofreu justamente por ser a única data dedicada ao gênero, tentando unir todas as vertentes, e resultou em uma mescla de Lollapalooza com Rock In Rio em um dia só, fazendo com que algumas atrações sofressem com apatia de boa parte do público. O dia começou com Terno Rei recebendo no palco The One. O Skyline abriu com Pitty e Nova Orquestra, celebrando os 20 anos de seu álbum “Admirável Chip Novo”. Por ser uma versão compacta e no meio da tarde, acabou perdendo impacto.

Detonautas no The One fez o de sempre, e em seguida no palco principal do evento, o Garbage fez um show energético como de costumes, mas por não focar apenas no greatest hits, apresentando músicas mais novas, inclusive as do álbum “No Gods No Masters”, de 2021, não prendeu tanto a atenção da grande massa que parecia estar ali unicamente pelo Foo Fighters. A vocalista Shirley Manson havia reclamado de como as bandas veteranas ficam relegadas a horários pouco favoráveis nos festivais atuais, e com razão. A banda, um dos maiores nomes do rock alternativo, foi agendada para se apresentar no Skyline às 18h15, merecia ter sido a atração anterior ao headliner, ou fechar o palco The One.

Logo a seguir, no segundo palco do evento, Barão Vermelho recebeu o agora ex-Skank Samuel Rosa em um encontro que poderia render muito mais. Voltando ao Skyline, foi triste assistir ao Yeah Yeah Yeahs fazendo um show impecável para uma plateia apática, contando os minutos para o Foo Fighters. As meninas do Wet Leg, duo formado na Ilha de Wight, na Inglaterra, que é festejado como a salvação do rock, fizeram um show empolgante fechando o dia no The One, ainda que nas últimas músicas muita gente tenha ido para o palco principal segurar o lugar para o show de Dave Grohl e cia.

O Foo Fighters entrou no palco com o jogo mais do que ganho como sempre, e ainda tinha a comoção envolvendo a apresentação. Era a primeira vez que a banda se apresentaria no Brasil sem seu baterista, Taylor Hawkins, falecido em 2022, o que causou o cancelamento do show que fariam no Lollapalooza. Daí, o The Town surgiu como a chance de o público paulista compensar a apresentação cancelada, além de matar a saudade depois de cinco anos sem vê-los.

O público (do qual muita gente levava cartazes homenageando Hawkins) foi às lágrimas quando a banda executou ‘My Hero’ em homenagem a seu substituto, Josh Freese. Momento de emoção também quando Grohl anunciou a música ‘Aurora’, a preferida do amigo e baterista. No mais, foi a tradicional chuva de hits, deixando espaço para ‘Rescued’ e ‘The Glass’, únicas do último disco, “But Here We Are”, lançado em junho, a constarem no setlist.

O FF continua fazendo bons shows. Dave Grohl realmente é discípulo de Paul McCartney, Mick Jagger e Bruce Springsteen no que tange ao amor por estar no palco. Mas Hawkins de fato faz muita falta. Se o Dave Grohl é a alma da banda, Taylor era o coração. E a junção dos dois tornava os shows imbatíveis. Quem já foi a show da banda tem na memória o momento em que eles trocavam de lugar, indo Grohl pra bateria e o Hawkins para o vocal, e eles faziam algum cover de classic rock, sempre extremamente fiel. Isso além da imbatível timing cômico dos dois. O show tem que continuar e continuou bem. Apenas sem a mesma anarquia que tornava os shows dos rapazes experiências tão marcantes.

No domingo (10), último do festival, a festa voltou ao pop e trouxe Marina Sena homenageando Gal Costa, IZA abrindo os trabalhos no palco Skyline, Pabllo Vittar com Liniker no palco The One, Kim Petras no Skyline, Gloria Groove no The One, atrações que deram o tom da diversidade. H.e.r. fez um belíssimo show no Skyline, que merecia mais atenção de quem estava ali apenas aguardando por Bruno Mars, e Jão fez a festa encerrando os trabalhos do The Town em 2023.

Bruninho” chegou com o público nas mãos. Todos ávidos por superar a animação vista no show impecável de uma semana antes. Não foi difícil, até porque o roteiro foi praticamente o mesmo (que foi o mesmo de 2017, segundo alguns relatam). Incluindo a execução de ‘Evidências’, sucesso do repertório de Chitãozinho e Xororó que acabou sendo o momento mais lembrado da primeira apresentação de Bruno Mars no The Town. Só que dessa vez, o próprio Xororó estava presente na plateia, junto com a esposa e até o filho Júnior. As brincadeiras em português também voltaram, com um upgrade no vocabulário. No primeiro show ele disse “gatinha”, nesse último mandou um “gatinha gostosa”, para delírio das fãs.

Agora é esperar pelo que virá em 2025 para sabermos se o The Town vai se solidificar no calendário de shows no Brasil.

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