Baskets, série traz humor sutil em um bom ritmo

“Em um mundo regido pelo interesse corporativo e pela homogeneização da sociedade, um homem ousa seguir seu sonho de se tornar um palhaço.” Em 2013, a Pig Newton, produtora dp comediante Louis CK, fechou contrato com o canal FX para desenvolver novas séries. A primeira série desta colaboração foi Baskets, escrita por Louis CK e…


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Em um mundo regido pelo interesse corporativo e pela homogeneização da sociedade, um homem ousa seguir seu sonho de se tornar um palhaço.”

Em 2013, a Pig Newton, produtora dp comediante Louis CK, fechou contrato com o canal FX para desenvolver novas séries. A primeira série desta colaboração foi Baskets, escrita por Louis CK e Zach Galifinakis, com Jonathan Krisel ( Man Seeking Woman, Portlandia ) como Showrunner. Em 2014, a FX encomendou uma primeira temporada de dez episódios da equipe criativa e a produção começou oficialmente no início de 2015, estreando em 2016 e chegando a quatro temporadas.

A série apresenta Chip Baskets ( Zach Galifianakis), um palhaço triste, se é que algum dia existiu, que não consegue conciliar suas aspirações artísticas e profissionais com a dura realidade da pequena cidade de Bakersfield, Califórnia. Embora tenha estudado a arte do palhaço em Paris na prestigiosa e fictícia Académie de Clown com um frenético quebequense (Salvator Xuereb), Chip não se sente apreciado por uma sociedade que parece não entender a definição da palavra “palhaço”. Deve-se dizer que, além disso, o cara está preso a um emprego como palhaço de rodeio, uma mãe bastante rude (interpretada pelo comediante Louie Anderson travestido, com facilidade indisfarçável ) que prefere seu irmão gêmeo Dale (Zach Galifianakis ) e uma esposa indiferente (Sabine Sciubba). Chip vive em um estado de depressão tão permanente que nem percebe o único raio de sol em sua existência, a apática Martha (Martha Kelly), corretora de seguros e única amiga que tem.

Quão engraçada a comédia precisa ser?

Ao levantarmos a questão, respondemos, existem duas escolas contemporâneas de pensamento. A primeira trata o gênero mais como uma questão de assunto e perspectiva, e é por isso que algumas das melhores séries de comédias, além de risadas se tornam emocionais (“Transparent”), melancólicas (“BoJack Horseman”) ou introspectivas (“Louie”). Já a segunda, é sobre aquela piada mórbida, galofeira, que sacaneia os outros e alvo de críticas de muitos.

Galifinakis desenvolve a série sobre esse conflito, e o comediante nunca escondeu sua atração pelo lado sombrio da comédia e não hesita em explorar aqui seu tema favorito. Baskets é acima de tudo uma série sobre o fracasso, seja profissional, artístico ou pessoal, e teimosamente se recusa a sair de situações espinhosas pelas habituais piruetas. Por exemplo, quando Chip acaba morando em um motel e não consegue pagar o quarto, ele não faz as pazes com o dono do hotel e acaba subindo no palco entretendo convidados em troca de hospedagem e alimentação. Esse tipo de inversão narrativa é exatamente o tipo de coisa que os escritores querem evitar a todo custo, e o espectador tem que testemunhar a longa e dolorosa queda que é a vida de Chip.

É um equilíbrio delicado entre a comédia pastelão e o pathos que a série se propõe a alcançar e, embora no geral funcione muito bem, é o tipo de humor que não conquista apenas os fãs. A trajetória da série pode ser traçada nas ambições de Chip. Primeiro foi o sonho inatingível e irrealista do palhaço francês, para o qual francamente não era adequado. Então veio a vida de palhaço de rua, que tem uma certa integridade romântica, mas não é muito lucrativa. E depois a palhaçada de rodeio, bem popular, que ainda não se conectava com Chip, que foi visto pela última vez experimentando uma nova persona de palhaço: Dill Pickles. E por fim, Chip persegue seu amor pelo palhaço, combinando com o senso de negócios.

Isso não quer dizer que todos os momentos do show sejam sérios. Embora a quarta temporada de Basket seja menos abertamente engraçada do que as outras três temporadas, a série ainda oferece suas piadas, a melhor delas uma sequência em que Chip está patinando em um roupão em uma farmácia 24 horas. Galifianakis, seus roteiristas e o produtor/diretor da série, Jonathan Krisel, são magos em encontrar o lugar perfeito para uma surpresa inesperada, e seu final não tem falta de momentos cômicos daquele nível universitário. Mesmo com o tom mais emocional, Baskets ainda é de longe uma das séries que merecem ser assistidas.

Homenagem Póstuma:Louie Anderson (1953-2022)

O comediante Louie Anderson, que fez carreira no stand-up, morreu dia 21 de janeiro em um hospital de Las Vegas de complicações de câncer. Ele tinha 68 anos. Em Baskets interpretou a mãe do protagonista, Christine Baskets. O personagem é baseado em sua mãe e em suas cinco irmãs, que foram uma presença marcante em sua vida.

Nascido em 1953, Anderson foi criado em Minnesota, um dos onze filhos de Ora Z. e Louis William Anderson , um trompetista da banda de Hoagy Carmichael (1899-1981), que foi descrito pelo filho como sendo abusivo e alcoólatra. Enquanto trabalhava como conselheiro para crianças problemáticas, Anderson começou a fazer comédia e em 1981, ganhou o Midwest Comedy Competition e foi contratado como roteirista para o apresentador da competição, o lendário Henny Youngman (1906-1998).

Depois de se apresentar profissionalmente por alguns anos, teve sua grande chance em 1984, quando estreou na televisão no The Tonight Show. Poucos meses depois, foi escalado no especial “Young Comedians” da HBO – ao lado de Bob Saget e outros novatos da época. Após essa aparição, a carreira de stand-up começou a disparar à medida que o público respondia à sua abordagem discreta e sem hostilidade ao humor, que contrastava com os demais. Também começou a fazer aparições em outros talk shows e, em 1987, filmou um especial de stand-up para a Showtime, que seria o primeiro de uma série de programas para a rede e depois para a HBO.

Por volta dessa época, começou a fazer aparições no cinema, começando com pequenos papéis em filmes como em Flashdance (1983), Quicksilver – O Prazer de Ganhar (1986), o popular Curtindo a Vida Adoidado (1986 ) e o bizarro drama de fantasia Ratboy (1986). Mas foi com Chutando o pau da barraca (1988) que teve um papel de destaque no grupo de escoteiros veteranos que se reuniram para remontar uma expedição de acampamento fracassada que tentaram na juventude.

E Um Príncipe em Nova York (1988), seu papel mais memorável no cinema como Maurice, um dos colegas de trabalho de Eddie Murphy na McDowell’s, retornando no ano passado. em uma participação especial na sequência do filme.

Mas foi na televisão que fez sucesso, em vários programas e séries, além de co-criar Life with Louie (1995), uma série animada vagamente inspirada em sua própria infância, que durou de 1995 a 1998, recebendo vários prêmios.

Nos anos seguintes, Anderson continuaria entre apresentações de stand-up, aparições em programas de televisão e escrevendo alguns livros. E seu maior triunfo fora do mundo do stand-up tenha ocorrido em 2016, quando foi escalado para Baskets, uma atuação que daria o Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia em 2016 e indicado novamente nessa categoria em 2017 e 2018.

Nos últimos anos, apareceria em séries como Drunk Histor, Jovem Sheldon, Search Party e “Twenties”. Ele também continuou a se apresentar no palco, um ato que acabaria por lhe dar um lugar na lista do Comedy Central dos 100 maiores comediantes de stand-up de todos os tempos.