Tem jogo que é carta de amor aos anos 90 e tem jogo que é os anos 90 inteiros colados numa fita só. Biomechanical Toy é do segundo tipo. Ele saiu nos fliperamas em 1995, desenvolvido pela Zeus Software e publicado pela espanhola Gaelco. Voltou em 16 de julho de 2026 pela linha QUByte Classics, da nossa QUByte Interactive, pro Switch, PlayStation, Xbox e PC. É um run and gun de rolagem lateral: você controla Inguz num reino de brinquedos malucos e hostis. Ele está atrás do vilão Scrubby, que roubou o pêndulo mágico que dá vida a esse mundo.
E que doideira de dar gosto. O visual é maluco e colorido, e quem pulou plataforma, atirou com arminha e bateu com os punhos nos jogos da época vai sacar na hora: cada sprite parece conversar com algum outro jogo. O fundo me lembrou Sunset Riders. O chão e os inimigos têm cara de Castle of Illusion. O protagonista me fez pensar no Ben Throttle, de Full Throttle, ou em algum outro que veio antes. Quem não viveu essa época talvez nem perceba as referências.
Na mão, é legal de jogar. A experiência é intensa, com aquela dificuldade clássica de fliperama que não perdoa ninguém. O port ainda traz rewind, save states e filtros de tela de tubo, o que ajuda quem já não tem a paciência de 1995.
A imprensa ficou dividida. O Games Asylum deu 7, elogiou a arte e achou a aventura curta. O Tech-Gaming deu 69%, curtiu o estilo esquisito e reclamou do pulo meio flutuante. Já o Seafoam Gaming deu 5 no Switch: achou o jogo pouco marcante e caro pra um título avulso.
No fim das contas, vale bastante. Se você ignorar o Ctrl C e Ctrl V das referências, é divertido e tem personalidade de sobra. Sai por US$ 9,99 (R$ 29,99 no lançamento). E fica mais um ponto pra QUByte, que segue tirando clássicos esquecidos da gaveta direto do Brasil.












