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Como Treinar o Seu Dragão e Como Ser um Pirata – Uma jornada hilária e cheia de significado

Na época dos vikings todos os adolescentes deviam demonstrar suas habilidades caçando e treinando um dragão. Para Soluço Spantosicus Strondus III não seria exceção. Filho do chefe da tribo dos Hooligans de Berk, Soluço deve realizar o rito de iniciação próprio de seu povo, para se tornar membro adulto de sua tribo. A tarefa é simples, consiste em caçar um dragão e treina-lo adequadamente para que demonstre suas habilidades. Entretanto, o herdeiro de Stoico, o Imenso, precisando de um animal impressionante, como um Pesadelo Monstruoso, para findar a falta de respeito que seus companheiros têm pela sua falta de força física, acaba conseguindo um pequeno dragonete nada ameaçador e ainda banguela.

A autora com a versão do Banguela da animação

Publicado pela Intrínseca, Como treinar o seu dragão (How to train your dragon, tradução de Heloisa Prieto), de Cressida Cowell, narra as peripécias, as vicissitudes e o difícil e hilário caminho que, a base de muita perseverança, levará a Strondus III se tornar um herói dentre os vikings, mestre no combate, renomado em toda a Escandinávia como o homem que encantava dragões. Uma história que já ganhou uma franquia em animação pela DreamWorks (2010, 2014, 2019) e irá ganhar uma adaptação live-action do primeiro filme em 2025, estrelando Mason Thames como Soluço e Butler reprisando seu papel como Stoico.

Numa narrativa bem eficaz, que mantêm o leitor interessado na trama pelo humor de esquete e uma linguagem simples. Num bom ritmo, a história se desenvolve abordando assuntos de maior relevância, que transcende as muitas piadas contidas na história.

O uso da primeira e terceira pessoa que a autora distingue, é uma interpelação do protagonista, que diz ser realmente o autor do livro. A autora só compila o que encontrou. O breve texto introdutório, como o epílogo, está em 1ª pessoa; o restante é narrado enfatizando como se um Soluço adulto contasse a odisséia que foi treinar o banguela.

O humor surge sobretudo ao contraste das expectativas do protagonista e seu dragão com a frágil constituição dos dois e a incapacidade de fazer algo heróico ou impressionante para seus companheiros. Os quais, Perdido, Perna-de-peixe, Cabeçaquente, Punho Rápido, Espinha-de-porco, Melequento e Bafoca de Maluquício são exemplares cômicos desta veia humorística de Cowell. Além disso, o tom engraçado, proporcionado pela ironia, vai cedendo gradualmente, sutil, a pequenos episódios leva-nos a uma emotividade ímpar, principalmente em relação a Soluço, seu pai e o dragão.

O livro consegue prender tanto o jovem leitor, quanto os adultos, pelo uso da contrariedade de um “porqueira” como Soluço se tornar o maior herói de sua tribo. E nos leva, entre gargalhadas, a emergir no segundo volume da série Como ser um pirata (How to be a pirate, tradução de Heloísa Prieto, Intrínseca, 224 páginas), que aumenta as reflexões que todo jovem possui interiormente, ante sua identidade, perante seu futuro e às obrigações daquele mundo de saques, combates e aventuras que era o dos vikings.

Nesse livro, Cowell, continua as aventuras do inteligentíssimo Strondus, Grande Esperança e o Herdeiro da Tribo dos Hooligans Cabeludos e do seu dragão, agora aceito como honrado guerreiro da tribo, seguirá o seu aprendizado para se tornar o maior herói viking de todos os tempos: aprendendo a arte da luta de espadas e a desbravar mares como um bucaneiro. O problema é que seu dragão não lhe obedece em nada e prefere ficar perto de uma lareira do que se meter nos mares. assim, mesmo a duras penas, o jovem guerreiro e seu preguiçoso e mal-humorado dragão irão descobrir um tesouro e mais que depressa vão perdê-lo. O mais engraçado é quem menos esperávamos será o herói da “odisséia”.

TRECHO

“Até agora nos escapamos aos poucos de ser: 1. Destroçados por dragões caveiras. 2. Comidos por párias canibais. 3. Carbonizados a bordo de um navio. 4. Afogados no fundo do oceano… e agora aqui estamos nós, aprisionados numa caverna submarina e inacessível, enfrentando a MORTE LENTA POR INANIÇÃO… Hoje foi mesmo um dia MUITO RUIM.”

A tradução de Prieto é primorosa, seguindo o estilo irônico da autora. Tratamento e adaptação das ilustrações ô de casa consegue manter o teor superengraçado da aventura

A adaptação homônima para o cinema, pela Dreamsworks não segue a vivacidade do texto de Cowell, mas merece uma conferida. O sarcasmo, os efeitos combinados de ilustrações e descrições textuais dão um ar introspectivo ao livro como os trabalhos de Roald Dahl e Quentin Blake. Além disso, as nojeiras típicas do cotidiano de meninos dos sete aos 12 anos é bastante utilizada, inclusive arrotos, pums, etc.

A série é como o The Times classificou, irresistivelmente divertida. Em suma, satisfaz pela hilaridade, pela excentricidade de seu protagonista e pela maior ironia da série, é que o dragão nunca é “treinado”. Hilária leitura.

Como Treinar o Seu Dragão e Como Ser um Pirata – Uma jornada hilária e cheia de significado

Como Treinar o Seu Dragão e Como Ser um Pirata – Uma jornada hilária e cheia de significado
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Nota: 8/10 Excelente
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