A nave mais louca da televisão está de volta! E não é o que você está pensando: trata-se de Avenue 5, a nave-cruzeiro que, em um futuro próximo, se enche de excursionistas do espaço. Nada sai como planejado na viagem interplanetária, e o comando passa para o falso capitão Ryan Clark (Hugh Laurie), que não está muito a fim de manter a tranquilidade na nave. Mas isso é assunto da primeira temporada. Agora, na segunda, encontramos a tripulação tendo de lidar com outro erro que prolonga ainda mais a viagem.
No final da primeira temporada, vimos que uma tentativa desastrosa de colocar a nave de volta em órbita rumo à Terra resultou num novo desvio de rota: agora levariam oito anos para voltar. Sem coragem para dar essa notícia aos tripulantes, o capitão Ryan e sua equipe começam a criar enguias num tanque gigante para servir de alimento. Para tentarem consertar a situação, farão uma visita a uma estação espacial e mais uma vez enfrentarão desafios dentro da Avenue 5.

Na Terra, as pessoas acompanham as desventuras da Avenue 5 numa dramatização da missão que passa na TV. Iris (Suzy Nakamura), que voltou para a Terra no final da primeira temporada, estará presente no centro de controle a tempo de ouvir revelações estarrecedoras sobre o futuro do nosso planeta azul, com uma escassez de lítio, elemento importante por ser usado em baterias e outros produtos tecnológicos.
Assim como na primeira temporada – e em outras produções de Armando Iannucci, como a premiada Veep – demora um tempo até que a trama engate, efeito também dos mais de dois anos que separam uma temporada da outra. A comparação com Space Force, série da Netflix estrelada por Steve Carell e John Malkovich, faz-se necessária. Em ambos há muita incompetência cercando missões intergalácticas, incompetências que levam ao riso. Se por um lado Space Force é mais inocente, no estilo “family friendly”, Avenue 5 aposta mais no humor ácido e tem alguns personagens verdadeiramente detestáveis, o que os torna engraçados.
Os destaques de Avenue 5 – que se passa em poucos cenários, sendo a nave o principal deles – são as interações entre os personagens. Ryan interage mais com a tripulação da nave, principalmente com Billie (Lenora Crichlow), embora sobre tempo para romance em meio ao caos. Herman Judd (Josh Gad), dono da empresa de viagens responsável pelo cruzeiro espacial, nesta temporada tem bons momentos de interação com o belo, porém não muito esperto, Mads (Adam Pålsson). Desta maneira, não há como apontar um ator ou atriz que se destaca mais que os outros: Avenue 5 é um esforço plural.

As (más) decisões tomadas pela tripulação da Avenue 5 podem ou não ter relação com a mais recente crise histórica, a pandemia da Covid-19. Ao mostrar, mais uma vez, que as pessoas em posições de poder quase sempre não sabem o que estão fazendo, Avenue 5 acerta novamente. E nós nos deliciamos com ela: afinal, ver más decisões sendo tomadas na ficção, e não na vida real, pode ser catártico. Serve para nos colocarmos no lugar dos personagens e ter a vaga – e talvez falsa – noção de que faríamos tudo diferente.









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