É sempre estimulante encontrar títulos brasileiros que, mesmo longe dos holofotes e das cifras milionárias, ousam contar suas histórias com autenticidade. Death Elevator, embora esteja longe de ser tecnicamente impecável, me despertou um certo respeito por sua ambição — e até uma estranha simpatia por sua execução capenga.
A proposta é clara e até divertida: um elevador ascendente rumo ao caos, onde inimigos surgem em ondas, exigindo reflexos e estratégia básica. O conceito, por si só, segura bem as pontas. Funciona. Mas quando passamos à camada visual, é impossível não sentir o baque.
As texturas parecem engessadas, como se tivessem sido as primeiras versões descartáveis de um protótipo — só que não foram substituídas. Os inimigos, em especial, evocam mais os bonecos de teste de impacto automobilístico do que criaturas ameaçadoras. É quase como jogar um game de feiras tecnológicas dos anos 2000, onde a ideia é boa, mas o acabamento lembra uma colagem improvisada.
E aqui entra um ponto delicado: é necessário julgar o jogo dentro da realidade econômica do Brasil. Nossas produções independentes, em sua maioria, não dispõem dos recursos nem da estrutura de grandes estúdios. Nesse contexto, Death Elevator não é um mico — é um retrato honesto de um dev que apostou no que podia. A jogabilidade é sólida o suficiente para que, por alguns bons minutos, a gente ignore o visual e se concentre no desafio.
Faltou criatividade gráfica? Sim. Os cenários e inimigos poderiam ser simples, mas não genéricos. A estética minimalista não precisa ser sem alma. Talvez com uma direção de arte mais ousada, mesmo que low-poly, o jogo ganhasse um apelo visual que fizesse justiça à sua ideia.
No fim das contas, Death Elevator é um daqueles jogos que merecem ser jogados justamente pela honestidade por trás de suas limitações. Vale como estudo, como incentivo ao mercado nacional, e como lembrete de que ainda estamos tateando no escuro — mas com lampejos de luz promissora.









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