Four Lives (2022), minissérie da BBC apresenta uma visão real de como o preconceito pode causar uma tragédia

Four Lives é uma minissérie dramática incrivelmente precisa que conta a história do que se tornaria conhecido na mídia como The Barkingside Murders ou Serial Killer do Grindr. O assassino em questão conhecia jovens por meio de um aplicativo de namoro LGBTQIAP+ e munido de GBH ou Ecstasy Líquido, cometia seus crimes de estupro e morte.

A verdadeira história aqui, porém, é o fracasso absoluto da investigação policial. O que se aprendeu na academia de polícia claramente não foi usada e esses erros foram agravados por uma abordagem preconceituosa em relação às sensibilidades LGBT, uma falha no devido cuidado com as famílias das vítimas e qualquer esforço para fazer o trabalho policial mais básico.

Esta história não poderia ter sido contada em um único filme, nem tampouco nessa minissérie de três partes, mas a narrativa foi bem estruturada e dá uma ótima visão dos terríveis erros cometidos pela polícia que literalmente deixam o espectador gritando na televisão.

Mas é a qualidade do roteiro de Jeff Pope e Neil McKay que se se destaca desde o início, pois o tempo de tela adequado é dado a cada um dos quatro jovens que acabaram se tornando vítimas de Stephen Port. Somos então apresentados a suas vidas e a seus futuros. E igualmente sentimos a perda por seus amigos, parentes e amantes.

A série tem várias atuações de destaque, entre os que merecem menção especial são: Rufus Jones (Morte Súbida), Samuel Barnett (o Renfield de Penny Dreadful), Paddy Rowan (Hanna, A Baía), Michael Jibson (1917) e Ella Kenion (Um passado de presente) dão vida a alguns dos papéis menores com grande habilidade, enquanto Sheridan Smith (Cilla), Holly Aird (Waking the Dead) e Jamie Winston (Simplesmente Acontece) preenchem os lugares dos papéis mais emblemático com seus retratos corajosos.

Mas o real destaque aqui é Stephen Merchant (o Caliban de Logan) como o serial killer, um personagem assustador, e para se ter uma ideia, o único momento em que ele escolhe sorrir é realmente arrepiante. Roberts Emms (Chernobyl) também dá uma performance muito emotiva e crua como o parceiro de um dos falecidos. A visita da Polícia à sua casa é uma cena difícil de digerir, mas pela qual ele traz uma pungência realmente visceral com sua atuação.

Four Lives não é fácil de assistir, a direção de David Blair nos perpassa uma espécie de destruição emocional que nos atinge em cheio. A série nos deixa com raiva da polícia no final e realmente demonstra, infelizmente, que os dias em que podemos confiar neles para fazer o trabalho deles são uma memória distante. Esperamos que este programa reforce as lições que deveriam ter sido aprendidas com esta história. Um excelente drama para se assistir de uma vez.

Nota: Excelente – 4 de 5 estrelas

DC Studios terá reboot de Constantine com diretor de Evil Dead

A DC Studios encabeçada por James Gunn e Peter...

Ana Clara Pequeno lança obra de estreia sobre Wilhelm Reich com eventos no Rio e em São Paulo

Em 'Mecanismos Invisíveis de Controle Social', a pesquisadora Ana...

José Manuel Ballester apresenta “Maravilha” na Unibes Cultural

Com curadoria de Luiz Armando Bagolin e Flávio Cohn, exposição reúne fotografias da arquitetura e da paisagem brasileiras realizadas desde 2007

Chef italiano é demitido após se recusar a colocar abacaxi na pizza

Um chef italiano foi demitido de um restaurante em...

Cristiano Mascaro apresenta fotografias de cidades brasileiras e estrangeiras na Biblioteca Brasiliana

Cidades brasileiras e estrangeiras se encontram em Exit non exit, exposição de Cristiano Mascaro na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na USP. Com curadoria de Luiz Armando Bagolin, a mostra reúne 40 fotografias em preto e branco que investigam a arquitetura e os modos de ocupar os espaços. A visitação é gratuita, até 16 de dezembro, com apoio cultural da DAN Galeria