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“Humanz”, novo álbum do Gorillaz, consolida a brincadeira de Damon Albarn

A coisa começou meio que como uma brincadeira. O Gorillaz foi uma banda virtual criada por Damon Albarn do Blur com auxílio do cartunista Jamie Hewlett, co-criador da Tank Girl. A ideia era surgir na cena musical com um grupo em desenho animado, com intuito de alfinetar a indústria fonográfica da virada do milênio. Albarn dizia em entrevistas que como as bandas estavam se tornando cada vez mais virtuais, ele inventaria uma que fosse virtual na literalidade da expressão.

Daí surgiram o vocalista 2D, o baixista para lá de esquisito Murdoc, a menina oriental Noodle  – o elemento fofo do quarteto – (até hoje ninguém sabia definir seu sexo, mas agora, “crescidinha” nas novas imagens, vemos que se trata de uma garota) e o baterista Russel (que parece o próprio gorila). Mas por trás havia uma (muito) verdadeira fábrica inventiva orquestrada por Albarn com suporte de um time de colaboradores de peso que trazia Dan “The Automator” Nakamura, Miho Hatori (do Cibo Matto), e Tina Weymouth e Chris Frantz (Tom Tom Club).

O sucesso das músicas associado ao carisma dos cartoons rendeu ao disco de estreia ótimo desempenho de vendas. Muitos até atribuem a esse sucesso a separação do Blur, uma vez que o vocalista parecia cada vez mais entretido com sua nova invenção. Após sete anos de hiato (o último trabalho foi “Plastic Beach”, de 2010), chega “Humanz” (Parlophone, 2017). Albarn passou esse tempo se dedicado a vários outros projetos, inclusive à reunião de sua banda mais famosa. Embora chame mais atenção pelo conceito, o Gorillaz possui uma musicalidade sofisticada (às vezes pisando firme no experimental), que pode ser percebida mesmo nas músicas mais pop. A fórmula continua a mesma no novo trabalho: trip hop, soul, experimentos e muito groove, que pode ser sentido na pesadona ‘Ascension’, que traz participação de Vince Staples e na dançante ‘Strobelite’, com colaboração de Peven Everett.

Falando em colaborações, a do De La Soul é sem dúvida a mais ilustre, na música ‘Momentz’. A faixa seguinte, ‘Submission’, também merece destaque,com participação de Danny Brown e Kelela. O momento etéreo de ‘Busted and Blue’ é colocado de forma acertada antes do interlúdio ‘Talk Radio’, que precede ‘Carnival’, surtindo uma mudança de clima. Se tem uma música em “Humanz” que pode ser escolhida como single para estourar nas paradas é ‘Let Me Out’. E é difícil resistir ao balanço (e groove) de ‘Sex Murder Party’. A penúltima faixa ‘Hallelujah Money’, com vocal de Benjamin Clementine, é a mais inspirada, não só por sua construção, mas pelo tom mordaz da letra.

No fechamento do álbum, ‘We Got the Power’, além da aparição de Jehnny Beth, há ainda (pasmem!) os vocais de Noel Gallager, ex-Oasis, banda que travava uma famosa rivalidade com o Blur de Albarn na disputa pela primazia do brit pop na segunda metade dos anos 90. Outras vozes conhecidas que podem ser ouvidas no disco são as de Grace Jones (em ‘Charger’)e Carly Simon (em ‘Ticker Tape’). Já as cinco faixas que constam na edição deluxe podiam perfeitamente estar no álbum. Com um certo aperto dispensaria um segundo disco.

O novo trabalho do projeto de Albarn, como já se podia esperar, é super produzido. O vocalista do Blur sabe se cercar dos colabores certos e de uma produção adequada a qual ele supervisiona com autoridade. “Humanz” é a volta mais do que digna de um projeto que parecia ser um breve intervalo entre atividades ptincipais e consolida sua relevância a cada lançamento.

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