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Íntimo e pessoal, “Normal People” é um ensaio sobre identidade numa relação

Mesmo sendo produzida e lançada por um canal de streaming, mais especificamente a Hulu, Normal People não é uma típica série a ser maratonada.

Uma das adaptações mais bem feitas de um ótimo livro para a “televisão”, a minissérie chegou ao Brasil pela Starz e não prescindiu nenhuma vírgula da densidade dramática do texto literário da escritora irlandesa Sally Rooney. Autora essa que parece ter absorvido, mastigado e simplificado (com consistência) o universo literário de um dos grandes nomes de seu país, o escritor e poeta William Butler Yeats.

Normal People versa sobre o lugar onde nos colocamos quando estamos num relacionamento justamente encontrando nosso lugar no outro. A história acompanha um jovem casal do colégio à vida adulta.

Connell (o excelente Paul Mescal) vem da classe trabalhadora irlandesa. Marianne (a meticulosa Daisy Edgar-Jones), de família rica. Eles se apaixonam, mas suas vidas sociais o impedem de assumir a relação: ela introvertida e outsider, ele popular e sociável.

Tentar resumir a grandeza da trama em sua sinopse, não dá a dimensão de suas camadas dramatúrgicas. Ao longo dos anos, suas vidas tomam rumos diversos, ainda que de alguma maneira juntos. Suas personalidades se invertem diante de seus amadurecimentos.

Esse contraponto sustentou a complexidade do livro, e aqui é desenvolvido com sensibilidade agridoce e contemplativa pela direção precisa de Lenny Abrahamson (do filmaço O Quarto de Jack). A forma como ele desenvolve a intimidade do casal como mola propulsora de sua narrativa é envolvente.

Os atores se jogam em suas vulnerabilidades, até físicas, dada a quantidade e intensidade das cenas de sexo, que ajudam muito a contar essa história. Assim, a minissérie alcança algo até maior que o livro: um equilíbrio no que eles se tornam entre o que sentem e o que ressentem. Por isso o resultado é tão substancial, e seus episódios precisam ser absorvidos como fossem capítulos literários. Em tempos (e até por causa do) streaming, nesse caso, substitua a maratona pelo exercício de assimilação ao fim de cada episódio.

Nota: Fantástico 4,5 de 5 estrelas

 

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