Para além da chatice da protagonista, “Girlboss” é envolvente

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É preciso um pouquinho de paciência para gostar de “Girlboss”. Pelo menos no início. Explico: a série, uma das apostas da Netflix para esse ano, é uma adaptação das experiências de vida de Sophia Amoruso, fundadora da loja virtual Nasty Gal, relatadas em seu livro, lançado em 2014.

Kay Cannon, criadora e produtora da atração, empreendeu uma visão um tanto arquetípica da protagonista, vivida pela atriz (Britt Robertson), que nos é apresentada como uma arrogante garota de 20 e poucos anos, mimada e ambiciosa, que divide sua energia entre realizar seu objetivo de ter um ofício “do qual consiga viver sem trabalhar de 8h às 17h” e passar por cima de pessoas – inclusive emocionalmente – para tal. Essa construção de personagem até poderia seguir um caminho de anti-heroismo, humanizando sua imaturidade, mas a série apenas a formata para que seus defeitos a deixem mais cool. O efeito é o inverso. A protagonista é insuportável, e chega a ser difícil insistir nos seus 4 ou 5 primeiros episódios.

Até que o roteiro vai desenvolvendo melhor essa persona diante dos fatos que vão sucedendo para que ela consiga colocar o negócio de pé, o que depois viraria a grande sensação no ramo de vendas on line, chegando a um faturamento de 100 milhões de dólares. Aí a série engrena, já que sua relação mal resolvida com o pai e a figura hilária da melhor amiga (Ellie Reed, maravilhosa) vão se tornando mais interessantes que sua afetação. Junte a isso um interessante trabalho de direção e montagem, com uma seleção de trilha sonora espertíssima e – numa produção que fala sobre moda – um trabalho de figurino bem cuidado (belo trabalho da figurinista Audrey Fisher) e diria até icônico.

No fim das contas, Girlboss acaba nos ganhando pelo verniz e até por uma curiosa forma de abordar o empreendedorismo em tempos de termos tão irritantes como Millennials (vai ver vem daí a chatice da personagem no início). Paciência mantida, programa atrativo. Até que vale a pena…

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