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Paulo Miklos estreia sua nova fase, mas sem abandonar os clássicos dos Titãs

Paulo Miklos deixou os Titãs no ano passado e estreia uma nova etapa na carreira. Miklos já tem dois discos solos no currículo, mas “A Gente Mora no Agora” tem todo um significado. É o primeiro depois da saída da banda em que ficou por 34 anos. E o próprio título do álbum denota a intenção de seguir em frente. A estreia no Rio de Janeiro se deu no Theatro Net, um espaço pequeno que serviu ao propósito intimista do recomeço. No novo show, além de apresentar as novas composições, passeia por covers e, claro, alguns sucessos da antiga banda.

A música escolhida para abrir a apresentação foi ‘A Lei Desse Troço’, que também é a primeira faixa do novo disco. Esse foi o primeiro single do trabalho e foi composta em parceria com o rapper Emicida. Em seguida veio outra de “A Gente”, ‘Risco Azul’, uma espécie de bolero desacelerado composto em parceria com Pupillo da Nação Zumbi.

Depois de ‘Todo Grande Amor’ e ‘Princípio Ativo’, Miklos atacou com uma bela versão de ‘Sangue Latino’. O clássico do Secos & Molhados ganhou uma roupagem que deu vazão à verve roqueira do ex-titã pela primeira vez na noite. Na sequência, a bela ‘Vou Te Encontrar’, de autoria do ex-colega de banda Nando Reis. A música foi feita em homenagem à falecida esposa de Miklos, falecida em 2013. E por falar em Titãs, logo após veio a primeira da banda no show, ‘Isso’. A faixa do disco “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”, de 2001, como esperado, foi calorosamente recebida pela plateia.

De volta ao disco novo, sucederam-se ‘Não Posso Mais’, de autoria de Mallu Magalhães e a inspirada ‘Vigia’, composta por Russo Passapusso, do BaianaSystem. Antes de uma versão voz e violão de outro sucesso dos Titãs, ‘Flores’, o músico brincou com a dificuldade de se fazer um show apenas de canções novas. Daí entrou em um set de covers: ‘Fui Louco’, de Noel Rosa, e ‘My Funny Valentine’, de Chet Baker, na qual assumiu a faceta crooner, com o tecladista Renato Neto (também diretor artístico do show). Daí surgiu no repertório ‘De Quem São as Cidades’, faixa do primeiro disco solo de Miklos, lançado em 1994, antes de mais um cover, ‘Saudosa Maloca’, de Adoniran Barbosa.

A parceria com Erasmo Carlos, ‘País Elétrico’, rendeu bem ao vivo, assim como ‘Samba Bomba’, uma das melhores do novo trabalho. Outra música nova fruto de parceria com ex-titã foi o frevo/marchinha ‘Deixar de Ser Alguém’ composta com Arnaldo Antunes. Outros dois clássicos da antiga banda, ‘Comida’ e ‘Sonífera Ilha’ proporcionaram os momentos mais entusiasmados do público. A primeira contou com um andamento bastante semelhante ao do Acústico MTV. ‘É Preciso Saber Viver’, de Roberto Carlos, de que os Titãs se apropriaram tão bem, encerrou a noite com uma roupagem suingada.

Paulo Miklos se cercou de uma banda qualificada. Além de Renato, Michele Cordeiro (guitarra), a multi-instrumentista Michelle Abú (bateria), e Otávio Carvalho (baixo) forneceram um suporte mais do que competente. O palco contava ainda com telões de led que exibiam grafismos. Miklos ainda parece estar se acostumando com o protagonismo no palco. Mas soube driblar alguns probleminhas com bom humor, como a afinação do instrumento – “eu até afinaria o violão se isso tivesse importância”, brincou. Também teve que contornar uma insistente microfonia e até o esquecimento da letra de ‘Eu Vou’, mais uma vez bem humorado, justificando pelo fato de ser uma estreia. Apesar dos 36 anos de carreira, essa foi sim uma estreia. Com franqueza e peito aberto.

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