De uns anos pra cá, se tornou costume cada geração ter uma série de romance sobrenatural centrada em adolescentes. Quem não se lembra de Buffy, a Caça-Vampiros (1997), Diários de um Vampiro (2009) e O Mundo Sombrio de Sabrina (2018)? E para tal, uma nova série precisa pelo menos corresponder aos padrões do que veio antes.
Primeira Morte (First Kill, 2022) tenta pegar a aposta e correr com sua premissa de vampiros vs. caçadores de monstros no romance, mas a falta de humor da série, uma química propulsiva ou um roteiro bem desenvolvido torna a produção não tão interessante no espaço do gênero.
Primeira Morte é uma série baseada nos livros da romancista best-seller Victoria Schwab, que é produtora executiva e corroteirista da primeira temporada de oito episódios, que saiu recentemente no eclã da Netflix. Como um moderno Romeu e Julieta, a história principal gira em torno de duas adolescentes, Juliette Fairmont (Sarah Catherine Hook) e “Cal” Burns (Imani Lewis).
Alunas da Lancaster Academy em Savannah, Geórgia, que se tornarão mais que amigas ao longo da série. Juliette, uma estudante do ensino médio que está tendo dificuldades para vivenciar sua sexualidade está tendo dificuldade em conhecer outras garotas, até que conhece Calliope e se apaixona completamente por ela. Há um problema, porém, Juliette é uma vampira e Calliope é uma caçadora de vampiros.
Schwab, é apenas uma das muitas autoras que nos últimos tempos abordaram vampiros em suas narrativas. A autora traz todos os clichês do gênero vampiro e misturando-os com a nova onda de histórias que tratam da identidade sexual como foco principal.

As protagonistas mesmo sendo criadas de forma diferente, devem encontrar uma maneira de evitar as pressões de suas famílias para ficarem juntos. Claro, a pergunta que surge primeiro é, elas podem realmente ficar juntos quando um deles foi basicamente criado para matar o outro? Isso cria uma boa premissa, que poderia gerar um bom drama, entretanto não consegue apresentá-la como um conceito.
A série tem limitações como na cinematografia, que lembra aquele erotismo tipo aqueles filmes depois da meia-noite. Não é um visual mais agradável para um programa de TV, mas esse é o visual que Schwab e sua equipe decidiram. Além disso, as cenas de lutas e ações, os efeitos especiais não são tão legais.

Quando se trata das personagens principais, Juliette é bastante intrigante, como a caçula de uma família de vampiros. O desenvolvimento pode até lembrar superficialmente do cenário de Vampire: The Masquerade, como também lembra às vezes True Blood, ou Twilight pelo visual.

Hook e Lewis formam um casal atraente quando estão juntos, mas mesmo quando a história está passando essa imagem de casal preso pelo destino, falta ainda um tom dramático ao envolvimento romântico. Apesar dos clichês, aprender como a família de Juliette consegue sobreviver e manter seu segredo nos tempos modernos é bastante interessante. O mesmo vale para Calliope, seu treinamento e vida como caçadora de vampiros.
No entanto, nenhum desses aspectos vai longe. Em vez disso, a série trabalha na paixão de Juliette e Calliope e isso atrai em muito o público. Como personagens precisam de mais acabamento, mas é uma primeira temporada, vamos aguardar esse desenvolvimento numa segunda temporada.
Primeira Morte (First Kill) é um romance sobrenatural que não abre novos caminhos no gênero, não é uma obra-prima, mas vale como entretenimento é bom o suficiente para passar algumas horas assistindo. Embora seja uma vantagem ter um drama adolescente com um casal queer como protagonistas, Hook (Juliette) e Lewis (Cal), parece que a Netflix não fez um grande orçamento para a série, deixando o resto do elenco, como coadjuvantes triviais, além da parte técnica desejável. Além disso, os roteiristas se inclinam tanto para a angústia que impede de nos apaixonar por vê-los se apaixonar. E é uma novidade, apesar do estilo novela com seus melodramas.








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