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"Regicida" continua o universo de intriga e magia apresentado em "A caçadora de bruxos"

Para quem leu A Caçadora de Bruxos ou leu minha resenha aqui deve se lembrar da personagem Elizabeth Grey, uma das melhores caçadoras de bruxos da época. Porém, foi incriminada e acaba presa sob a acusação de praticar a arte que se dedicou a erradicar. Agora, tornou-se aliada daqueles que passou a vida inteira perseguindo. Em O Regicida, segundo volume da série, Elizabeth está escondida na vila de Harrow, protegida sob a mágica que defende o lugar. No entanto, a ex-caçadora também não tem a total confiança dos seus habitantes. Para provar sua inocência, ela oferece lutar ao lado deles contra Lorde Blackwell, o antigo Inquisidor do reino e usurpador do trono.
O Regicida (The King Slayer, tradução de Alves Calado) é a sequência do que encontramos em The Witch Hunter/A caçadora de bruxos, escrita por Virginia Boecker, segue diretamente a narrativa anterior, com apenas alguns meses separando os argumentos. A autora passou quatro anos na Inglaterra e ficou fascinado com a história medieval inglesa, o que ela fez neste sua série, colocando diversas cenas e momentos vividos no período, como algumas das práticas bárbaras do passado.
O título em português não tem a força do original, The King Slayer, que atrai o leitor pois o nome implica que um rei vai ser assassinado, mas a questão é qual rei? A primeira vítima é o rei Malcolm, que foi um governante terrível por muitos anos e que acabou com a vida de centenas de pessoas inocentes. Outra opção é o Lorde Blackwell, que planeja usurpar a posição do rei Malcolm e quem pode e vai matar qualquer pessoa a caminho de alcançar seu objetivo. Na verdade, essa foi a intenção dele no primeiro livro, mas isso não aconteceu. E ainda outras suposições que surgem, mas que não irei antecipar, pois é o melhor que encontramos neste segundo volume.
Boecker melhora sua narrativa após a sua estreia no primeiro volume, progredindo seus personagens. A protagonista, Elizabeth, começou como uma caçadora de bruxas que trabalhava para Blackwell e o reino da Anglia, que desprezavam as bruxas e não queriam mais nada para vê-las aniquiladas. No entanto, uma traição de Blackwell leva-a a uma vida compartilhada com feiticeiros e a um eventual romance. Outro personagem que é notório a mudança para com o primeiro livro é o John, um rapaz  tímido e de bom coração que queria ajudar os outros através do uso da magia. Embora não tenha a profundidade de outros personagens, chama a atenção de Blackwell, que o leva a mudar, em vez de ajudar as pessoas, ele começa a machucá-las, mesmo as pessoas ao seu redor que ele amou uma vez. Mas, algo ocorre, que o fará redescobrir sua identidade.
A narrativa tem reviravoltas e surpresas, algumas boas, mas outras bem ruins. O ritmo da história é perfeita; a batalha final poderia ter ocorrido mais cedo e alguns momentos não acrescentam muito, mas, em geral, tudo efetivamente funciona bem. Gostei do segundo volume e recomendo a sua leitura. Satisfez-me mais do que o primeiro. Uma boa mistura entre fantasia e realismo.

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