Lendas sempre nos encantam, algumas são mais conhecidas do que outras, mas todas trazem o imaginário cultural de uma nação e de um povo. O livro No cangote do Saci, lendas do Brasil, de Maria Amélia Dalvi Salgueiro e de Daniel Kondo, traz as lendas brasileiras para quem já conhece e, também, para as que estão ouvindo-as pela primeira vez.

Análise
Neste novo livro, são apresentados dez personagens da cultura popular do País – como o Boto Rosa, a Cuca, o Curupira e a Iara -, com a sonoridade poética de Maria Amélia e com as imagens inusitadas de Kondo. Cada personagem é apresentado de forma poética correlacionando com informações, ilustrações e um projeto gráfico-editorial que convida à manipulação ativa e criativa.
A obra é fruto de uma pesquisa sobre diferentes narrativas populares brasileiras e suas representações visuais ou imagéticas das personagens dessas narrativas. E assim desenvolveram um trabalho de (re)descoberta de cada personagem, reinventando num mosaico cada uma das lendas, alternando entre histórias muito conhecidas no país todo e outras mais regionalizadas.
Com um poema de abertura, o livro convida o leitor a adentrar o universo das rodas de história, entre o entardecer e o anoitecer, revivendo ao leitor adulto a sua memória infantil e passando ao jovem leitor esse sentimento na leitura conjunta. E assim somos levados a primeira parte, com os dez personagens centrais, no caso, o Curupira, o Boto Rosa, o Capelobo, o Cobra Norato e a Maria Caninana, o Boitatá, a Iara, a Cuca, o Pássaro de Fogo, o Barba Ruiva e o Saci; e por meio lúdico, bastante interessante, temos um design gráfico engenhoso, onde manipulamos e recombinamos sequências de 3 lâminas de papel que contêm as sílabas dos nomes das personagens e partes de seu corpo (cabeça, tronco e membros).
A segunda parte compreende as informações e o poema, ilustrados para cada umas das lendas da primeira parte. O trabalho desenvolvido traz uma contextualização sobre o processo coletivo de existência das lendas, para sua preservação e recriação de uma geração para outra. Assim, O livro como literatura nos apresenta as possibilidades da multiplicidade de produção. Ou seja, o leitor participa desse jogo lúdico para compreender como a literatura participa do ato humanizado em se colocar em contato com o enredamento, a diversidade da vida e dos seres (reais ou imaginários).
Escolhas das lendas
Segundo os autores, na seleção das lendas e personagens foi adotado alguns critérios. Os critérios foram a relação com a natureza, pelo momento atual de preocupação com o meio ambiente; diferenças entre as origens e regiões do Brasil, para que houvesse representatividade de todo o país; a presença de personagens femininas; a diversidade das questões psíquicas de fundo nas diferentes lendas; e por fim, o gosto pessoal dos dois autores.
Um trabalho bem feito que a Sesi-SP Editora traz ao público leitor sobre nosso patrimônio coletivo, cujas lendas e personagens populares brasileiros passaram ao longo dos séculos. Processos estes complexos, difíceis e mesmo violentos, mas que trazem elementos ora cativantes e enternecedores, ora surpreendentes, ora divertidos, ora assustadores – como, ademais, ocorre nas narrativas tradicionais em quase todas as culturas do mundo.
No cangote do Saci é uma obra em consonância com os estudos que temos em crítica cultural, infância e formação do leitor, e que contribuirá na formação de leitores, como também em ricos momentos de diversão, prazer, surpresa e reflexão para todas as idades.









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