Com nova formação liderada por Per Gessle, banda celebra clássicos no Rio e emociona fãs ao manter vivo o legado de Marie Fredriksson
O Roxette sempre teve uma relação estreita com o Brasil desde o auge da popularidade, no início dos anos 1990, que se perpetuou até 2012 — última vez em que a dupla Marie Fredriksson e Per Gessle esteve por aqui. O agravamento da doença da vocalista (diagnosticada anos antes com um tumor no cérebro) impossibilitou novas turnês a partir de 2016, quando fariam uma excursão comemorativa de 30 anos. Em 2019, a cantora veio a falecer, após uma dura batalha contra a enfermidade. Acreditava-se que era o fim e que os shows da banda sueca ficariam apenas na memória e nos registros em vídeo.
Contudo, para a felicidade dos fãs, o guitarrista, principal letrista e compositor decidiu, em 2021, que era hora de retomar as apresentações ao vivo com seus sucessos. O projeto, que incluía as vocalistas de apoio do Roxette, Helena Josefsson e Dea Norberg, lançou novas músicas e até um EP, Incognito (2023). O show apresentado no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, e que segue para São Paulo (na próxima terça-feira), é de fato um show do Roxette, agora com uma vocalista principal: Lena Philipsson, que conhece Gessle há 40 anos. O público que compareceu na noite deste domingo (12) estava visivelmente de coração aberto para recebê-la calorosamente, ciente de que não se trata de uma substituta, mas de alguém que está ali para permitir que os clássicos pop indeléveis se perpetuem, alcancem uma nova plateia e continuem emocionando os fãs antigos.
O show começou com um dos grandes sucessos da banda, “Big L”, com Gessle visivelmente empolgado e feliz por se reencontrar com a plateia que lhe trouxe tanta alegria, mesmo em períodos em que o Roxette não estava tão em alta nos mercados europeu e estadunidense. A faixa do álbum Joyride (1991), auge da dupla, foi seguida por “Sleeping in My Car”, de Crash! Boom! Bang! (1994), e “Dressed for Success”, de Look Sharp! (1988), que catapultou a banda ao estrelato mundial. Antes desta última, Gessle relembrou os 14 anos desde a última visita, com o protocolar “é bom estar de volta”, e apresentou Lena ao público como a “mais nova integrante da família” — em sua primeira vez no Brasil — sendo aplaudida efusivamente.
Apesar de ainda pouco conhecida pela maioria dos brasileiros, Lena foi presença constante nas paradas suecas no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990. Sua popularidade diminuiu ao longo do final da década seguinte, o que levou a um hiato de sete anos sem gravações, antes de retornar com sucesso em 2004.
O repertório foca nos sucessos radiofônicos, como esperado, mas também abriu espaço para faixas fora da fase mais próspera, como “I Wish I Could Fly” e “Stars”, ambas do álbum Have a Nice Day (1999), além de “She’s Got Nothing On (But the Radio)”, do penúltimo trabalho com Marie, Charm School (2011). “Church of Your Heart”, uma das boas canções que andava sumida do setlist, apareceu em versão acústica, com todos à frente do palco — inclusive o baterista, com um pandeiro. Antes de executá-la, Gessle avisou que se tratava de um resgate (não era tocada desde 2012) e revelou que a música foi ensaiada durante o voo.
A plateia fez bonito durante as 1h45 de show, cantando os sucessos como se os anos 1990 tivessem voltado, sobretudo nas power ballads “Fading Like a Flower”, “It Must Have Been Love” — que Lena revelou ser sua favorita do Roxette e pediu que o público “cantasse para que Marie ouça lá de cima” —, além de “Spending My Time”, em versão acústica, apenas com a dupla no palco, e “Listen to Your Heart”, que ganhou ainda mais força com o coro coletivo. Não faltaram os tradicionais balões coloridos no gargarejo durante “Joyride”. A banda, além de eficiente, mostrou-se simpática e tão entusiasmada quanto a dupla. Houve até um solo do guitarrista Christoffer Lundquist executando o hino nacional brasileiro, levando o público a cantar como em uma final de Copa do Mundo.
Per Gessle segue demonstrando domínio absoluto das guitarras — o violão quadriculado e a Rickenbacker, similar ao modelo usado por John Lennon, marcaram presença — e, embora a química com Marie fosse única, assim como sua voz, o entrosamento com Lena é suficiente para justificar a continuidade da marca Roxette. Ela não é uma cover, apesar de apresentar certa semelhança em alguns timbres. A competente e carismática cantora de 60 anos — oito a menos que Marie — foi uma escolha muito mais acertada de Gessle do que seria apostar em uma moça de 35. Assim, o Roxette renova os votos dessa duradoura união de mais de três décadas com o público brasileiro.
Setlist:
- The Big L.
- Sleeping in My Car
- Dressed for Success
- Crash! Boom! Bang!
- Wish I Could Fly
- Opportunity Nox
- Fading Like a Flower (Every Time You Leave)
- Church of Your Heart
- Almost Unreal
- Stars
- She’s Got Nothing On (But the Radio)
- It Must Have Been Love
- How Do You Do!
- Dangerous
- Solo de guitarra do hino nacional
- Joyride
Bis: - Spending My Time (versão acústica)
- Listen to Your Heart
- The Look
- Queen of Rain







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