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Sepultura mata a saudade do público e apresenta o disco Quadra ao vivo no Rio

Enfim o Sepultura pôde mostrar ao público, ao vivo, o repertório do seu mais recente (e ótimo) disco, “Quadra”. E ao palco escolhido para a estreia foi o Circo Voador, no Rio de Janeiro, que já presenciou shows memoráveis da banda em diferentes fases.

Foi um show para matar saudades. O sentimento era mútuo. Afinal, os fãs de metal não viam a hora de tirar suas camisas pretas, jeans rasgados e coturnos do armário, após todo esse período pandêmico. E o Sepultura também não escondia a satisfação de poder colocar para jogo seu novo repertório ali no coração da Lapa carioca no último sábado (12).

As medidas de segurança sanitária eram mantidas na medida do possível. Os comprovantes de vacinação estavam sendo exigidos rigorosamente na entrada. Já o uso máscaras parecia ser, digamos, opcional nas dependências da lona, mesmo sendo solicitado em dois cartazes nas laterais do palco. Contudo uma parte razoavelmente numerosa do público obedeceu.

O show teve abertura luxuosa do Dorsal Atlântica, pioneira banda de metal no Brasil, fazendo seu primeiro show em 24 anos. Não faltou protestos contra o atual governo, efusivamente aplaudidos pela plateia, que entoou coro de “Fora Bolsonaro” e “Ei Bolsonaro Vai Tomar…”

Ao som de “Polícia” dos Titãs (que o Sepultura já fez cover, inclusive junto com os Titãs no Hollywood Rock 94) Eloy Casagrande (bateria), Paulo Xisto Jr. (baixo), Andreas Kisser (guitarra) e Derrick Green (vocais) subiram ao palco.

“Isolation”, do “Quadra”, abriu os trabalhos, seguida do clássico “Territory”, do álbum fundamental da banda, “Chaos AD”, de 1993. Depois de mais uma do álbum mais recente, “Capital Enslavement”, Andreas Kisser veio ao microfone para dizer que não tinha palavras para descrever a sensação de estar de volta, e que os presentes ali no Circo estavam sendo as primeiras “cobaias” do repertório de “Quadra”. De fato o show foi bastante generoso em faixas novas: 7 das 12 do álbum.

O vocalista americano Derrick Green estava com o joelho apoiado em uma muleta e explicou que fora atropelado nos Estados Unidos. “Filho da Puta”, xingou bem-humorado o motorista causador do acidente, com um português que já flui bem após mais de 20 anos à frente da banda brasileira.

Em meio à divulgação do novo trabalho, houve espaço para outros álbuns, alguns até não muito lembrados, como “Kairus”, de 2011, que teve a faixa-título executada logo depois de mais duas do novo disco – “Means to an End” e “Last Time”. Na sequência, a primeira do aclamado “Machine Messiah”, de 2017, “Sworn Oath”. O álbum “Against”, de 1998, o primeiro com Green nos vocais, também marcou presença no setlist, com “Choke”.

Antes da música seguinte, “Slaves of Pain”, Kisser lembrou que o disco à qual a música pertence, “Beneath the Remains”, de 1989, foi gravado no Rio. Na época o Sepultura já despontava na cena metal estrangeira mas ainda era desconhecido no próprio país. A popularidade por aqui só viria em 1991 com o Rock In Rio II.

A dobradinha “Guardians of the Earth” e “The Pentagram” (sétima e oitava faixas de “Quadra”), foi competentemente reproduzida ao vivo.

Os fãs ganharam de brinde um “lado B” de “Arise”, como bem definiu Kisser antes de iniciar “Infected Voice”.

A reta final do show enfileirou clássicos. Primeiro “Refuse Resist”, do Chaos, que foi seguida de “Arise”, faixa-título do álbum de 1991. Para encerrar, “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”, ambas do aclamado disco “Roots”, de 1996.

Foto: Felipe Diniz/Mundo Metal

O pontapé inicial da Quadra Tour foi bem executado. As músicas novas funcionam muito bem ao vivo e mostram o quão ambicioso o Sepultura continua buscando ser, mantendo sua relevância na cena metal mundial. O que se viu no Circo foi a vitalidade de uma banda que mesmo tendo perdido dois de seus principais membros (os irmãos Max e Igor Cavaleira) seguiu em frente mantendo a qualidade do trabalho e sempre evitando a acomodação.

Para os amantes de metal, um retorno em grande estilo às rodas de pogo e moshes (foram vários ao longo da apresentação, de fãs que subiram no palco para mergulhar na plateia, sem atrapalhar o andamento do show, claro). E saíram todos de alma lavada.

Leia também:

Baixista do Sepultura fala à Revista Ambrosia às vésperas do aguardado retorno aos palcos

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