The Manhattans embalam corações

Nesses tempos em que estamos começando a nos recuperar do golpe que a pandemia de Covid-19 desferiu contra toda a indústria do entretenimento, o sinal mais claro de uma retomada é que artistas internacionais de prestígio estão voltando a colocar o Brasil na rota de suas turnês internacionais. Uma das primeiras evidências disso, pelo menos…


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Nesses tempos em que estamos começando a nos recuperar do golpe que a pandemia de Covid-19 desferiu contra toda a indústria do entretenimento, o sinal mais claro de uma retomada é que artistas internacionais de prestígio estão voltando a colocar o Brasil na rota de suas turnês internacionais. Uma das primeiras evidências disso, pelo menos aos olhos das plateias do Rio de Janeiro, pode ser conferida na última sexta-feira, (8), no palco do Qualistage.

Falo do belo show do grupo vocal The Manhattans, que atraiu um bom público à casa da Barra da Tijuca, muito por conta de uma fama que remonta, principalmente, aos hits que a banda emplacou nos anos 1970 e 1980.

The Manhattans, de fato, começaram sua carreira em 1962, em Nova Jersey, EUA, com George “Smitty” Smith, Edward “Sonny” Bivins, Winfred “Blue” Lovett, Kenny “Wally” Kelly e Richard “Rick” Taylor, mas só lançaram o primeiro single em 1964, com a canção “For The Very First Time”. Mas o êxito internacional só veio alguns anos depois da morte de Smith (em 1970), que foi substituído por Gerald Alston, voz esta que pode ser ouvida em alguns dos maiores hits da banda.

Alston ficou nos Manhattans até 1988, quando resolveu fazer uma carreira solo. Quando trabalhar sozinho já não estava dando o retorno esperado, ele acabou promovendo um retorno à banda em 1995, ao lado de “Blue” Lovett, e os dois passaram a excursionar e a gravar como “The Manhattans featuring Gerald Alston e Blue Lovett”. Com a morte de Lovett em 2014, e as perdas de Bivins no mesmo ano e de Kelly em 2015 (além de Taylor, falecido em 1987), Gerald Alston é hoje o único membro vivo da formação clássica do grupo.

Os Manhattans que vieram para a presente turnê brasileira (que também passou por São Paulo no último dia 10) trazem um dos dois integrantes que foram efetivados em 1995, o poderoso barítono Troy Mays, mas não inclui David Tyson (irmão de Roy Tyson dos Temptations), que faleceu em fevereiro deste ano e foi substituído em suas funções de vocalista pelo guitarrista Mark Bowers.

Apesar das baixas, os Manhattans que a plateia do Qualistage pode conferir não carecem de consistência e de vigor no palco. Além da performance vocal impagável, a banda formada por Bowers e mais Charles Butler (bateria e direção musical), Colt Younger (teclados), Howard Robbins (mais teclados) e Jason Simons (baixo) toca com o virtuosismo e o profissionalismo na medida para deixar os cantores à vontade.

Claro que Alston, que é o vocalista principal na maior parte do tempo e completou 70 anos em novembro de 2021, sente o peso do tempo e isso transparece em sua voz, mas nada disso impacta a emissão potente e macia que vem encantando multidões há mais de cinco décadas.

O show abre com uma verdadeira pérola, “Never Too Much”, hit na voz de Luther Vandross, excelente cartão de visitas que deixa claro que a banda tem como principal motivação de ainda estar na estrada agradar o seu público, mesmo se valendo do repertório dos colegas. O grupo também se vale desse expediente ao trazer de volta “Ain’t no Stopping Us Now”, um dos maiores clássicos da dupla McFadden & Whitehead, em uma versão verdadeiramente contagiante.

Como é de praxe, The Manhattans vem ao Brasil para divulgar seu mais novo álbum, “The Legacy Continues”, lançado ano passado depois de um hiato de uma década sem álbuns, e levou para o palco faixas como “Get it Ready”, tão irresistível como boa parte do set list.

No final do show, já com o jogo ganho, a banda enfileira os seus três maiores hits, a bela e comovente “Forever By Your Side” (que chegou a ganhar uma versão em português em 1986, “Pra Sempre Vou Te Amar”, na voz de Adriana), “Shining Star” e “Kiss And Say Goodbye”, saciando uma plateia saudosista que recebeu calorosamente o melhor da música internacional de volta aos nossos palcos.