The Witcher: A Origem – um prelúdio apressado demais

2
0

The Witcher nasceu como uma das grandes apostas da Netflix para ter uma franquia popular em suas mãos. É verdade que Stranger Things já existia nessa época, mas ninguém esperava que alcançasse tanto sucesso. A série protagonizada por Henry Cavill foi muito bem recebida, e veio The Witcher: A Lenda do Lobo e a sua segunda temporada, tornando a franquia famosa.

O anúncio da saída de Cavill semeou dúvidas sobre o futuro da franquia e a chegada de The Witcher: A Origem (The Witcher: The Origin of Blood) não serviu para esclarecê-las. Assim, esta ficção que serve de um prelúdio tem a oportunidade de narrar um dos momentos mais emocionantes -e desconhecidos- da mitologia do mundo criado por Andrzej Sapkowski. Na verdade, em termos de história e liberdade criativa, temos uma minissérie rápida demais, com momentos interessantes e outros bastante inferiores.

Expansão solta

Em The Witcher: A Origem viajamos 1.200 anos das aventuras de Geralt, Ciri e Yennefer para conhecer alguns acontecimentos muito relevantes dentro desse universo. Sem entrar em detalhes, uma tremenda traição provoca uma grande mudança na hierarquia de poder do elfos. Um acontecimento que leva a um encontro entre Éile (Sophia Brown), uma guerreira que virou uma barda, e Fjall (Laurence O’Fuarain), um guerreiro que faz algo para o qual seu clã virou as costas para ele.

Desde o primeiro momento é evidente que a minissérie não tem o interesse em dar profundidade dramática à história que nos conta e que a prioridade é que tudo avance rapidamente. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, mas um pecado mortal é cometido aqui, não criar empatia em seus personagens, mesmo com um elenco tão bom.

O que poderia ter sido uma história épica contada através de diferentes perspectivas em diferentes mundos, Declan de Barra transforma em uma trama genérica de rebelião liderada por um grupo heterogêneo de desajustados que se unem para derrubar os bandidos – e salvar o único mundo. O que pode ser entendido como uma homenagem inofensiva à fantasia mais clássica substituindo humanos por elfos, mas também como um exercício grosseiro de preguiça projetado para cumprir o contrato rapidamente e sem muito esforço.

Essa preguiça narrativa para dar unidade mesmo com o dinheiro para criar criaturas ou realizar um trabalho cuidadoso de ambientação não importa. Temos um bom início com os dois protagonistas iniciando sua aventura, mas é uma miragem que não esconde o quão plana fica após o segundo capítulo.

E é uma pena, porque enquanto os roteiristas tentam, sem sucesso, imitar o espírito da narrativa de Sapkowsi, acabam em criar um grupo interessante de personagens que mereciam mais. Aliás, se tivessem abordado a história de forma diferente e em outras circunstâncias, há muito material aqui para se estender além dos pouquíssimos quatro episódios que compõem a minissérie. Além disso, é surpreendente como um evento tão importante foi retratado de forma tão vazia, superficial e desdenhosa. Sem contar uma seção técnica bastante justa, na qual só se destacam as paisagens do mundo.

Sem dúvida, outro aspecto negativo reside em seu elenco desperdiçado. Dói ver nomes como Michelle Yeoh ou a cada vez mais promissora Mirren Mack vagando pelos clichês e pelas poucas oportunidades que a minissérie oferece. Pelo menos The Witcher: A Origem se conecta à série principal desde o primeiro minuto, apenas para justificar desesperadamente sua existência. No entanto, se o futuro de The Witcher seguir esse caminho, não ficaria surpreso se outros começassem a abandonar o barco também.

The Witcher: A Origem

The Witcher: A Origem
5 10 0 1
Nota: Regular 5/10 Estrelas
Nota: Regular 5/10 Estrelas
5/10
Total Score iNota: Regular 5/10 Estrelas
Cadorno Teles
WRITTEN BY

Cadorno Teles

Cearense de Amontada, um apaixonado pelo conhecimento, licenciado em Ciências Biológicas e em Física, Historiador de formação, idealizador da Biblioteca Canto do Piririguá. Membro do NALAP e do Conselho Editorial da Kawo Kabiyesile, mestre de RPG em vários sistemas, ler e assiste de tudo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *